Sucessão de Francisco

Al Passeto de Borgo, o restaurante preferido dos cardeais

Localizado a cerca de 500m dos muros do Vaticano, o restaurante de fachada discreta guarda muita história. Era um dos favoritos do cardeal Joseph Ratzinger, antes de se tornar o papa Bento XVI

A fachada do Al Passeto de Borgo, a 500m do Vaticano -  (crédito: Rodrigo Craveiro/CB Press)
A fachada do Al Passeto de Borgo, a 500m do Vaticano - (crédito: Rodrigo Craveiro/CB Press)


Enviado especial // Roma — Rua Pio XIV, bairro do Borgo, a cerca de 500m dos muros do Vaticano. A fachada do número 60 não desperta atenção à primeira vista. Amarelada e com a parede descascando em alguns pontos, tem duas portas. Lá dentro, existe comida saborosa e, principalmente, muita história. Antonello Fulvimari, o proprietário, fala inglês e recebe gente de todas as nacionalidades. O seu restaurante Al Passeto de Borgo era um dos favoritos de Joseph Ratzinger, antes de se tornar o papa Bento VXI. "Ele vinha aqui com muita frequência e pedia espaguete a carbonara", lembrou ao Correio. "O papa Francisco, não. Jorge Mario Bergoglio era bem discreto. Os cardeais são gente normal."

Fulvimari passa o dedo pelo celular e mostra, com orgulho, uma foto do cardeal Petro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e um dos papáveis para o conclave da próxima semana, sentado à mesa e se deliciando com um de seus pratos. "Os cardeais vêm aqui com frequência. Dizemos que o conclave ocorre no restaurante", brincou. Segundo ele, o prato preferido dos chamados "príncipes da Igreja" ou "purpurados" é o rigatoni alla Norcina, carro-chefe do restaurante. Custa 12 euros (cerca de R$ 77) e é uma massa parecida com penne, que leva salsicha, queijo e um molho cremoso. Nas paredes, Fulvimari guarda artigos de jornais e fotos.

Os gostos culinários dos cardeais, "confessados pelo estômago" no Al Passetto de Borgo e em outros restaurantes da região, incluem carbonara, burrata e escalope."Estamos aqui há 60 anos. Pertencia à minha avó. Os cardeais me viram crescer", contou à agência France Presse Federica Gianmaria, na entrada do restaurante 'Arlu'. "Eles vêm não apenas porque a comida é boa, pelo menos assim espero, mas porque foi criado um relacionamento fraterno e familiar entre nós", acrescenta, descrevendo os cardeais como pessoas muito acessíveis que frequentam seu restaurante na hora do almoço. 

 

postado em 02/05/2025 06:02
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