HISTÓRIA

Missões papais: ao longo da história, figura do pontífice não foi de indiferença

Além de pastor da religião com maior número de fiéis no mundo — 1,4 bilhão —, o papa é chefe de Estado, o Vaticano

Papa Francisco na cerimônia de lava-pés com 12 presos em 2018 -  (crédito: Vatican Media/AFP)
Papa Francisco na cerimônia de lava-pés com 12 presos em 2018 - (crédito: Vatican Media/AFP)

Desde que São Pedro assumiu a liderança da Igreja Católica, em 33 d.C., a figura do pontífice gera amor ou ódio, mas, jamais, indiferença. "O papa deve significar algo para você, mesmo que você revire os olhos ao mencionar seu nome", define Miles Pattenden, professor de História na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e especialista em papado. 

Além de pastor da religião com maior número de fiéis no mundo — 1,4 bilhão —, o papa é chefe de Estado, o Vaticano. Trata-se do menor "país" do mundo, com apenas 44 hectares. Como governante absoluto, o pontífice exerce os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e cabe a ele receber presidentes, primeiros-ministros e monarcas na Santa Sé, uma entidade soberana perante o direito internacional. 

  • Cardeais entrando na Capela Sistina antes do início do conclave no Vaticano, em 12 de março de 2013
    Cardeais entrando na Capela Sistina antes do início do conclave no Vaticano, em 12 de março de 2013 OSSERVATORE ROMANO / AFP
  • Um total de 135 cardeais, sendo sete brasileiros, vão se reunir na Capela Sistina para definir o sucessor do papa Francisco
    Um total de 135 cardeais, sendo sete brasileiros, vão se reunir na Capela Sistina para definir o sucessor do papa Francisco Gabriel BOUYS / AFP
  • Os 135 cardeais eleitores seguem para a residência de Santa Marta no Vaticano, onde permanecerão hospedados durante todo o conclave
    Os 135 cardeais eleitores seguem para a residência de Santa Marta no Vaticano, onde permanecerão hospedados durante todo o conclave Gabriel BOUYS/AFP
  • O arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa, junto com os demais cardeais brasileiros, permanece em Roma e se preparam para o conclave
    O arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa, junto com os demais cardeais brasileiros, permanece em Roma e se preparam para o conclave ArquidiocesedeBrasília
  • A cerimônia começa com um cortejo da Capela Paulina até a Capela Sistina, onde as portas são trancadas e as chaves são retiradas
    A cerimônia começa com um cortejo da Capela Paulina até a Capela Sistina, onde as portas são trancadas e as chaves são retiradas OSSERVATORE ROMANO/AFP
  • Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos
    Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos OBSERVER ROMANO/AFP
  • Se nenhum cardeal conquistar dois terços dos votos, os eleitores procedem a uma nova votação. Exceto no primeiro dia, são previstas duas votações pela manhã e duas pela tarde até a proclamação de um papa
    Se nenhum cardeal conquistar dois terços dos votos, os eleitores procedem a uma nova votação. Exceto no primeiro dia, são previstas duas votações pela manhã e duas pela tarde até a proclamação de um papa AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO
  • A chaminé, visível pelos fiéis na praça de São Pedro, expele fumaça preta se nenhum papa for eleito
    A chaminé, visível pelos fiéis na praça de São Pedro, expele fumaça preta se nenhum papa for eleito Andreas Solara/AFP
  • Já a fumaça branca é expelida em caso de eleição do novo pontífice
    Já a fumaça branca é expelida em caso de eleição do novo pontífice Andreas SOLARO / AFP
  • O cardeal eleito deverá responder a duas perguntas:
    O cardeal eleito deverá responder a duas perguntas: "Aceita sua eleição canônica para Sumo Pontífice?" e "Como deseja ser chamado?". Caso responda, sim, à primeira, torna-se papa Andreas SOLARO / AFP
  • Da varanda da basílica de São Pedro, o cardeal protodiácono anuncia
    Da varanda da basílica de São Pedro, o cardeal protodiácono anuncia "Habemus papam" (temos um papa). Em seguida, o novo pontífice aparece e pronuncia a bênção "urbi et orbi" (à cidade e ao mundo) Andreas SOLARO / AFP

"O papa também é um monarca. Ele é o chefe de governo do Estado da Cidade do Vaticano, que tem uma história muito longa", diz Kathleen Comerford, professora de história do catolicismo na Universidade Georgia Southern, nos Estados Unidos. "Ele é um dos poucos monarcas eleitos na história, sendo responsável por decisões financeiras e políticas. Também  tem embaixadores ao redor do mundo como resultado de seu papel na política global."

Títulos

O líder religioso tem nove títulos, além de papa, segundo o Anuário Pontifício, da Secretaria de Estado do Vaticano. Ele é o bispo de Roma, vigário de Jesus Cristo, sucessor do príncipe dos apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Católica, primaz da Itália, arcebispo e metropolita da província eclesiástica romana, soberano do Estado da Cidade do Vaticano, servo dos servos de Deus e Patriarca do Ocidente. 

Esse último título foi recuperado por Francisco, depois que Bento XVI deixou de usá-lo. Significa que o papa é a referência da Igreja latina, em oposição à Igreja Ortodoxa Grega. Diferentemente do passado, porém, não há animosidade entre o cristianismo do ocidente e do oriente — os cardeais ortodoxos, inclusive, participam do conclave. 

Doutrinas

Além de manter a unidade da Igreja, cabe ao papa ensinar a fé cristã e orientar os fiéis sobre questões doutrinárias e morais. Os direcionamentos vêm em forma de encíclicas, exortações apostólicas, moto-próprio, entre outros documentos elaborados pelo pontífice. 

Também cabe ao papa nomear os bispos, que dirigem as dioceses, ou administrações das igrejas locais; nomear beatos e santos, convocar sínodos (reuniões mundiais entre leigos e religiosos), celebrar missas, receber visitas nas audiências. Viajar é outra tarefa papal: os deslocamentos são uma oportunidade de evangelização e diálogo inter-religioso, por exemplo. 

"O papa incorpora uma síntese única de autoridade intelectual e ação pastoral", diz Miles Pattenden. "Nenhum manual de filosofia se iguala ao impacto visceral do papa Francisco lavando os pés dos prisioneiros ou abraçando ternamente um homem desfigurado com neurofibromatose", acredita o professor de Oxford.

postado em 08/05/2025 00:01 / atualizado em 08/05/2025 04:16
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