LUTO

Mais de 100 mil pessoas prestam últimas homenagens a Pepe Mujica

Mais de 100 mil pessoas passaram pelo Salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo, em Montevidéu, para prestar homenagens ao ex-presidente José "Pepe" Mujica, o ex-guerrilheiro que se tornou ícone da esquerda latino-americana

Lula (L) cumprimenta o presidente uruguaio, Yamandu Orsi, diante do caixão de Mujica: velório estendido para a chegada do brasileiro -  (crédito:  AFP)
Lula (L) cumprimenta o presidente uruguaio, Yamandu Orsi, diante do caixão de Mujica: velório estendido para a chegada do brasileiro - (crédito: AFP)

Pelo segundo dia, milhares de uruguaios formaram longas filas a caminho do Salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo, em Montevidéu, para se despedir do ex-presidente José “Pepe” Mujica. Alguns com flores nas mãos, outros com bandeiras nos ombros, simpatizantes do ex-guerrilheiro, de todas as idades, prestavam seu luto. “Não estou partindo, estou chegando”, anunciava na esplanada do Parlamento uma bandeira gigante do Movimento de Participação Popular (MPP), partido de Mujica e setor da esquerda mais votado no país, de 3,4 milhões de habitantes. Estimam-se que mais de 100 mil pessoas tenham passado pelo local.

A poucos metros, barracas de rua vendiam choripán (sanduíche típico do Rio da Prata), bebidas, bandeiras da esquerda e chaveiros com o rosto do Mujica. “Foi um líder, um caudilho, com uma forma de vida que não é normal na política”, disse, emocionado, o aposentado Roberto Pérez à agência de notícias France Presse (AFP). “Com sua forma de ser, ele nos deixou um legado aqui e a nível mundial e deixa um vazio muito grande”, assinalou, antes de entrar no palácio.

Para Aurea Nascimento, uma turista brasileira que levava uma flor na mão, Mujica era digno de admiração. “Não era um político comum, era um filósofo, um humanista, oferecia valores que são universais e diferentes dos que estamos acostumados a ver em pessoas com poder”, afirmou.

Previsto para terminar às 15h de ontem, o velório de Mujica foi estendido por duas horas, aguardando a chegada do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do seu homólogo chileno, Gabriel Boric. A presença de ambos adicionou um tom político às homenagens ao líder da esquerda latino-americana, que faleceu na terça-feira, aos 89 anos, em decorrência de um câncer no esôfago e de doenças autoimunes.

Lula e Boric estavam em Pequim, para participar no Fórum Ministerial China-Celac, quando receberam a notícia da morte de Mujica. Ao chegarem no Palácio Legislativo, os dois presidentes abraçaram o homólogo uruguaio, Yamandú Orsi, e a viúva de Mujica, Lucía Topolansky, antes de se aproximarem em silêncio do caixão. Em seguida, sentaram-se em um espaço reservado para as personalidades políticas e os familiares de Mujica.

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“Pepe Mujica é um ser humano superior [...] Uma pessoa que poucas no mundo têm a similaridade, competência política, a capacidade de falar com, sobretudo, a juventude”, declarou Lula. “Uma pessoa como Pepe Mujica não morre”, acrescentou. Boric se despediu em silêncio.

Na comitiva do presidente Lula estavam o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo; o presidente do PT e senador Humberto Costa (PT-PE), os deputados federais Guilherme Boulos (PSol-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.

No fim da tarde, o caixão com o corpo do ex-presidente foi levado para a cremação. As cinzas, a pedido dele, serão enterradas no jardim da modesta chácara nos arredores de Montevidéu, onde ele e Topolansky viviam.

postado em 16/05/2025 06:15
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