Entre crescentes manifestações pelo fim da guerra em Gaza e ponderações das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pretende expandir a ofensiva e ordenar a tomada total do enclave palestino, informaram meios de comunicação do país. O premiê anunciou, ontem, que esta semana dará "instruções" sobre a continuação do conflito, num momento em que aumenta a pressão para a libertação dos reféns israelenses sob o domínio do Hamas.
A cobrança pelo resgate dos cativos, há 22 meses em território palestino, aumentou depois que o Hamas e a Jihad Islâmica, aliada do movimento radical palestino, divulgou três vídeos mostrando dois reféns israelenses, identificados como Rom Braslavski e Evyatar David. As imagens comoveram Israel e reacenderam o debate sobre a necessidade de alcançar rapidamente um acordo para libertar os sequestrados.
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O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, afirmou que o país quer colocar a questão "no centro da agenda internacional". Hoje, haverá uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, convocada por Israel e dedicada ao tema.
"Estamos no meio de uma guerra intensa na qual obtivemos sucessos muito importantes, históricos, porque não estávamos divididos", declarou, ontem, Netanyahu. "Devemos continuar unidos", acrescentou, durante a reunião do Conselho de Ministros.
O premiê anunciou que vai convocar seu gabinete "esta semana" para "dar instruções" ao Exército sobre a maneira de alcançar os três objetivos de guerra. "Derrotar o inimigo, libertar nossos reféns e garantir que Gaza deixe de ser uma ameaça para Israel", enumerou. De acordo com a mídia israelense, as novas orientações podem ser transmitidas ainda hoje.
Manifestos
Nas últimas semanas, ganharam força manifestações pelo fim da ofensiva. Ontem, em carta pública, 550 ex-chefes de espionagem, militares, policiais e diplomatas — entre eles vários ex-chefes do Mossad e da agência de segurança interna, o Shin Bet — pediram ao presidente dos EUA, Donald Trump, que pressione Netanyahu a encerrar o conflito e levar os reféns de volta. "Parem a guerra em Gaza!", exorta o documento.
"O Tsahal (Exército israelense) cumpriu há muito tempo os dois objetivos que poderiam ser alcançados pela força: desmantelar as formações militares e o governo do Hamas", consideraram os membros do CIS, o o maior grupo israelense de ex-comandantes do Exército, Mossad, Shin Bet, polícia e corpos diplomáticos equivalentes. "O terceiro, e o mais importante, só pode ser alcançado com um acordo: trazer todos os reféns para casa", destacaram.
Na véspera, foi divulgada outra petição, assinada por aproximadamente mil artistas e escritores de Israel, em defesa de um cessar-fogo em Gaza. "Como homens e mulheres da cultura e da arte em Israel, nos vemos, contra nossa vontade e nossos valores, cúmplices — enquanto cidadãos israelenses — da responsabilidade pelos horríveis acontecimentos que estão ocorrendo na Faixa de Gaza", assinala um trecho da declaração.
"Fazemos um chamado a todos os envolvidos na elaboração e execução desta política para que parem! Não deem ordens ilegais e não as obedeçam! Não cometam crimes de guerra! Não abandonem os princípios da moral humana e os valores do judaísmo! Parem a guerra. Libertem os reféns", clamam os signatários.
"Ruína e morte"
"Netanyahu está levando Israel para a ruína e os reféns, à morte", denunciou, por sua vez, o Fórum de Famílias de Reféns, a principal organização de familiares dos sequestrados. "Há 22 meses, vende-se ao público a ilusão de que a pressão militar e os intensos combates trarão os reféns de volta", avaliaram parentes dos sequestrados. "Não são mais que mentiras e enganos", frisaram.
Das 251 pessoas capturadas pelo Hamas durante o ataque a Israel, em outubro de 2023, 49 não foram libertadas. Dessas, 27 teriam morrido, segundo o Exército israelense.
Após a divulgação das imagens de Rom Braslavski e Evyatar David, Netanyahu pediu ajuda ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) "para fornecer alimentos" e "assistência médica" aos reféns. O Hamas exigiu como condição "a abertura de corredores humanitários" para o envio de alimentos e medicamentos ao território palestino.
A comunidade internacional também tem pressionado Israel, que libera a entrada de quantidades de ajuda consideradas insuficientes pela ONU, para que abra os canais humanitários em Gaza. "Negar o acesso aos alimentos à população civil pode constituir um crime de guerra, até mesmo um crime contra a humanidade", declarou, ontem, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
No enclave, o Exército israelense continua com seus bombardeios e operações terrestres. Segundo a Defesa Civil local, 19 palestinos morreram, ontem, nove dos quais tinham ido buscar ajuda alimentar no centro de Gaza.
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