O ano terminou com mais oito mortes em ataques da força aeronaval dos Estados Unidos contra três embarcações suspeitas de serem utilizadas pelo narcotráfico em águas internacionais do Mar do Caribe. Os novos episódios elevam para ao menos 115 o número de vítimas da ofensiva ordenada em setembro pelo presidente Donald Trump, sob o lema de impedir a entrada de drogas enviadas para o país do litoral sul-americano — em especial, da Venezuela e da Colômbia.
O Comando Sul dos EUA (Southcom), responsável pelas Américas Central e do Sul, anunciou duas rodadas de ataques realizados nos últimos dois dias de 2025. Na terça-feira, "três embarcações do narcotráfico viajavam em comboio" quando foram atacadas em "águas internacionais", afirmaram os militares em um comunicado no X. "Três narcoterroristas a bordo da primeira embarcação foram abatidos no enfrentamento. Os restantes abandonaram as outras duas embarcações, saltando pela borda e se afastando", complementa o texto.
Um vídeo anexo mostrava três botes navegando próximos. Em seguida, uma série de explosões os atingiram. Como nas dezenas de ataques, SouthCom não apresentou provas de que se tratava de narcotraficantes. A localização exata dos ataques não foi informada de imediato. O Exército relatou que havia notificado a Guarda Costeira para "acionar o sistema de busca e resgate", sem oferecer mais detalhes sobre o destino dos que estavam a bordo dos outros botes. Um segundo comunicado informou sobre ataques contra outras duas embarcações, realizados na quarta-feira, nos quais cinco pessoas morreram. Novamente, não estava claro onde ocorreram os ataques.
"Execuções"
Especialistas em direito internacional e grupos de direitos humanos afirmam que as operações militares no Caribe equivalem a "execuções extrajudiciais", pois, aparentemente, tiveram como alvos civis que não representavam ameaça imediata para os EUA. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos tem insistido com as autoridades americanas para que investiguem a legalidade dos ataques.
A mobilização militar no Caribe, encabeçada pelo porta-aviões USS Gerald Ford, o mais poderoso do mundo, faz parte do cerco que o governo Trump procura montar em torno do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apontado como o chefe de um cartel de drogas. Maduro refuta a acusação e sustenta que Washington tenta provocar a mudança do regime político em seu país para se apropriar de suas enormes reservas de petróleo e gás — tidas como as maiores do planeta.
