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China e Rússia condenam ataque a Maduro: 'Grave violação do direito internacional'

Pequim e Moscou são aliados históricos de Caracas e denunciaram violação da soberania veenzuelana. Irã também criticou ataque dos EUA.

China e Rússia condenam ataque a Maduro: 'Grave violação do direito internacional' -  (crédito: BBC Geral)
China e Rússia condenam ataque a Maduro: 'Grave violação do direito internacional' - (crédito: BBC Geral)

O governo da China condenou neste sábado a ação dos Estados Unidos que resultou, segundo Washington, na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

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A operação também foi criticada pela Rússia, outro aliado histórico de Caracas. Em comunicado oficial, Pequim classificou a ofensiva como uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana.

A reação ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar nas redes sociais que forças americanas haviam capturado o líder venezuelano durante uma ofensiva militar que incluiu bombardeios a alvos no país.

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o governo de Xi Jinping afirmou estar "profundamente chocado" com o que descreveu como o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um Estado soberano.

Segundo o comunicado, a ação representa uma grave violação do direito internacional e dos princípios básicos que regem as relações entre países.

A diplomacia chinesa afirmou ainda que a ofensiva americana ameaça a estabilidade regional, ao colocar em risco a paz e a segurança na América Latina e no Caribe.

Pequim reiterou sua oposição a iniciativas que considera hegemônicas e defendeu o respeito à soberania e à integridade territorial da Venezuela.

No mesmo texto, o governo chinês instou Washington a respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas e a interromper ações que, segundo Pequim, atentam contra a segurança de outros países.

Apesar da condenação formal, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram à BBC News Brasil não acreditar que a China ou a Rússia estariam dispostas a um confronto militar direto com os Estados Unidos em defesa da Venezuela, mesmo diante da intervenção americana ocorrida neste sábado (3/1), quando alvos foram atingidos em cidades como Caracas e Trump anunciou a captura de Maduro.

Moscou fala em 'agressão armada'

Aliada histórica do governo venezuelano, a Rússia também reagiu à operação anunciada pelos Estados Unidos.

Em comunicado divulgado neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Washington cometeu um "ato de agressão armada" contra a Venezuela.

"Esta manhã os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável", disse a diplomacia russa.

A embaixada da Rússia em Caracas informou que sua sede não foi atingida durante os ataques.

Segundo o embaixador russo, Serguéi Melik-Bagdasárov, o bairro onde fica a representação diplomática e áreas vizinhas não foram alvo da ofensiva.

A Rússia mantém relações estreitas com a Venezuela há mais de duas décadas, especialmente desde a chegada do chavismo ao poder, e tem sido um dos principais apoiadores políticos do governo venezuelano no cenário internacional.

Irã também condena ofensiva

O Irã, outro país alinhado a Caracas, também se manifestou contra a ação dos Estados Unidos.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou o ataque militar americano e classificou a operação como uma violação da soberania nacional e da integridade territorial da Venezuela.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou a ofensiva e afirmou que ações desse tipo agravam a instabilidade regional.

As reações de China, Rússia e Irã se somam à pressão diplomática internacional após a operação americana, que reacendeu o debate sobre intervenção externa, soberania nacional e os limites do uso da força nas relações internacionais.

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BBC
Giulia Granchi - Da BBC News Brasil em Londres
postado em 03/01/2026 15:05 / atualizado em 03/01/2026 15:15
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