AMÉRICA LATINA

As ameaças de Trump a Cuba: 'façam um acordo antes que seja tarde'

Trump republicou nas redes sociais uma mensagem sugerindo que secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, poderia se tornar presidente de Cuba.

As ameaças de Trump a Cuba: 'façam um acordo antes que seja tarde' -  (crédito: BBC Geral)
As ameaças de Trump a Cuba: 'façam um acordo antes que seja tarde' - (crédito: BBC Geral)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (11/1) que Cuba deve "fazer um acordo" ou enfrentar consequências, alertando que o fluxo de petróleo e dinheiro da Venezuela ao país será interrompido.

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Trump tem voltado sua atenção para Cuba desde que as forças americanas prenderam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em uma operação militar e de inteligência em 3 de janeiro em Caracas.

Acredita-se que a Venezuela, uma aliada de longa data de Cuba, envie cerca de 35 mil barris de petróleo por dia para a ilha, mas Trump disse que isso vai acabar.

"Cuba viveu, por muitos anos, com grandes quantidades de PETRÓLEO e DINHEIRO da Venezuela. Em troca, Cuba forneceu 'Serviços de Segurança' para os dois últimos ditadores venezuelanos, MAS ISSO ACABOU!", ele publicou no Truth Social, sua plataforma social, neste domingo (11/1).

"NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO PARA CUBA - ZERO! Sugiro fortemente que façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS."

Trump não especificou os termos de um acordo ou as consequências que Cuba poderia enfrentar.

Ele também fez referência à operação para prender Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que enfrentam acusações de tráfico de drogas e outros crimes em um tribunal dos EUA.

Cuba fornece há anos os oficiais que faziam a segurança pessoal de Maduro. O governo cubano afirmou que 32 de seus cidadãos foram mortos durante a operação dos EUA na capital venezuelana, Caracas.

Trump disse: "A maioria desses cubanos MORREU no ataque dos EUA da semana passada, e a Venezuela não precisa mais de proteção contra os bandidos e extorsionários que os mantiveram reféns por tantos anos."

"A Venezuela agora tem os Estados Unidos da América, as forças armadas mais poderosas do mundo (de longe!), para protegê-la, e nós a protegeremos."

O governo cubano ainda não respondeu às mais recentes ameaças de Trump, mas o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou anteriormente que os 32 "bravos combatentes cubanos" que morreram na Venezuela seriam homenageados por "enfrentarem os terroristas em uniformes imperiais".

Embora o governo Trump não tenha declarado planos claros para Cuba, o presidente dos EUA já afirmou que uma intervenção militar era desnecessária porque o país estava "prestes a cair".

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou na semana passada que os líderes de Cuba deveriam estar preocupados, dizendo que ficaria "preocupado" se estivesse no governo cubano e que "eles estão em grandes apuros".

No domingo, Trump também republicou nas redes sociais uma mensagem sugerindo que Rubio — que é cubano-americano da Flórida e filho de exilados cubanos — poderia se tornar presidente de Cuba.

Trump compartilhou essa publicação com o comentário: "Me parece uma boa!"

A tática do governo Trump de confiscar petroleiros venezuelanos sancionados já começou a agravar a crise de combustível e eletricidade em Cuba.

Trump tem enquadrado cada vez mais a política dos EUA sob a ótica de uma nova versão da Doutrina Monroe, política de 1823 que promove a supremacia dos EUA no hemisfério ocidental – renomeando-a como "Doutrina Donroe".

Desde a prisão de Maduro, Trump tem voltado sua atenção cada vez mais para outros países da América Latina.

Ele disse que uma operação militar contra a Colômbia "soa bem" e repetidamente disse ao presidente Gustavo Petro para "tomar cuidado". Os EUA impuseram sanções a Petro em outubro, alegando que ele estava permitindo que os cartéis "prosperassem".

Sobre o México, Trump disse que as drogas estavam "inundando" o país, acrescentando: "teremos que fazer alguma coisa".

Trump disse que se ofereceu para enviar tropas americanas ao México para combater os cartéis, mas a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, rejeitou publicamente qualquer ação militar dos EUA em solo mexicano.

Os EUA e Cuba têm tido uma relação tensa desde que Fidel Castro derrubou um governo apoiado pelos EUA em 1959.

Embora medidas tenham sido tomadas para melhorar as relações diplomáticas, particularmente durante o governo de Barack Obama, o governo Trump reverteu muitas dessas reformas.

Pouco depois de tomar posse para um segundo mandato, Trump restabeleceu a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo, que havia sido suspensa poucos dias antes pelo então presidente, Joe Biden.

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BBC
George Wright
postado em 11/01/2026 13:22 / atualizado em 11/01/2026 14:52
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