FRANÇA

Macron critica acordo UE–Mercosul e alerta para novas ameaças dos EUA

Presidente francês diz que acordo foi mal negociado, critica dependência europeia e afirma que intimidações americanas devem continuar nas próximas semanas

Ao comentar o acordo com o Mercosul, Macron defendeu que a Europa busque pactos comerciais mais equilibrados -  (crédito: JOHN THYS / AFP)
Ao comentar o acordo com o Mercosul, Macron defendeu que a Europa busque pactos comerciais mais equilibrados - (crédito: JOHN THYS / AFP)

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul é “ruim, antigo e mal negociado” e alertou que as ameaças comerciais dos Estados Unidos não terminaram, apesar do arrefecimento recente das tensões tarifárias. As declarações foram feitas em entrevista concedida a um grupo de jornais europeus, publicada nesta terça-feira (10/02).

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Segundo Macron, líderes europeus reagiram com um “alívio covarde” após o pico da crise provocada pelas tarifas impostas durante o governo de Donald Trump. Para o presidente francês, a sensação de trégua é ilusória. “Não acreditem nem por um segundo que isso acabou. Todos os dias, todas as semanas, haverá ameaças”, afirmou, ao mencionar possíveis novas tarifas sobre produtos farmacêuticos e outros setores estratégicos.

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Ao comentar o acordo com o Mercosul, Macron defendeu que a Europa busque pactos comerciais mais equilibrados, com salvaguardas ambientais e econômicas. “Defendo acordos justos, que respeitem o clima e, ao mesmo tempo, garantam aquilo que queremos para nossa economia”, disse, ao reforçar sua oposição ao texto atual negociado entre os blocos.

O presidente francês também alertou para os riscos de uma postura conciliadora diante de pressões externas. Segundo ele, tentar acomodar agressões comerciais acaba aumentando a dependência estratégica da Europa. “Quando há uma agressão manifesta, não devemos nos dobrar nem tentar chegar a um acordo. Testamos essa estratégia durante meses e ela não funciona”, afirmou.

Em uma semana marcada por reuniões de líderes europeus sobre competitividade e política industrial, Macron defendeu a simplificação de regras, o fortalecimento do mercado interno da União Europeia e a diversificação de parceiros comerciais. Ele também pediu a proteção da indústria europeia, sem recorrer ao protecionismo, por meio de uma “preferência europeia” em setores considerados estratégicos, como tecnologias limpas, química, aço, automóveis e defesa. “Caso contrário, os europeus serão varridos”, advertiu.

Na entrevista, Macron ainda abordou a relação com a Rússia e afirmou que uma eventual retomada do diálogo com Vladimir Putin deve ocorrer de forma coordenada entre os países europeus e com interlocutores limitados. Segundo ele, contatos técnicos recentes indicaram que Moscou “não quer a paz agora”, embora tenham permitido restabelecer canais mínimos de comunicação.

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postado em 10/02/2026 08:23
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