França

Morte de ativista de extrema direita abala política francesa

Quentin Deranque, 23 anos, morreu após agressão, na quinta-feira, à margem de um protesto da extrema direita contra um evento de uma eurodeputada de esquerda, em uma universidade de Lyon

Flores no local em que Quentin Deranque foi espancado, em Lyon   -  (crédito: Olivier Chassignole/AFP)
Flores no local em que Quentin Deranque foi espancado, em Lyon - (crédito: Olivier Chassignole/AFP)

O governo francês acusou a esquerda radical de fomentar um "clima de violência" a um mês das eleições municipais, dias depois da morte de um ativista de extrema direita que a Justiça investiga como "homicídio doloso". Quentin Deranque, 23 anos, morreu após agressão, na quinta-feira, à margem de um protesto da extrema direita contra um evento de uma eurodeputada de esquerda, em uma universidade de Lyon, no sudeste do país. A Justiça abriu uma investigação por "homicídio doloso", informou o promotor de Lyon, Thierry Dran. Ele acrescentou que ainda não houve detenções e que as investigações continuam para identificar os autores.

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Sua morte reativou o confronto entre a extrema direita e a esquerda radical em um cenário de crescente polarização antes das eleições municipais de março e da presidencial de 2027. A porta-voz do governo francês de centro-direita, Maud Bregeon, apontou a "responsabilidade moral" do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), ao qual acusou de ter "incentivado um clima de violência durante anos".

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De acordo com a extrema direita, o ataque foi cometido por ativistas do grupo antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), cofundado por um deputado da LFI antes de ser eleito e que foi dissolvido em junho do ano passado. No domingo, o grupo negou qualquer ligação com os "eventos trágicos".

Segundo uma fonte próxima à investigação, a agressão ocorreu na quinta-feira à tarde, em meio a "um confronto entre grupos de extrema esquerda e de extrema direita". Deranque foi derrubado e agredido por "pelo menos seis indivíduos" encapuzados, em meio a uma aparição da eurodeputada de esquerda Rima Hassan, indicou o representante do Ministério Público. Quando foi atendido pelos serviços de emergência, o jovem "apresentava essencialmente lesões na cabeça", entre elas "um traumatismo cranioencefálico grave", acrescentou Thierry Dran.

Vídeo

Um suposto vídeo do ataque divulgado pelo canal TF1 mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à agência France-Presse que "eles se agrediam com barras de metal". O veterano líder da LFI e três vezes candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou responsabilidade no caso, que acendeu o debate para as eleições municipais do próximo mês. O pleito é considerado um teste para a eleição presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Emmanuel Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos.

As pesquisas apontam como favorita a legenda de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), que, com Marine Le Pen como candidata, passou ao segundo turno nas duas eleições vencidas por Macron. A líder de extrema direita está inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos e, depois de recorrer, aguarda a sentença em segunda instância.

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postado em 17/02/2026 06:00
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