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Ex-príncipe Andrew é solto após ser detido por 11 horas sob suspeita de má conduta em cargo público

A polícia informou que o irmão do rei Charles 3º foi liberado 'sob investigação' e que buscas em Norfolk, onde Andrew mora, foram concluídas.

Foi a primeira vez que Andrew foi preso, ele nega qualquer irregularidade -  (crédito: Toby Melville/Reuters)
Foi a primeira vez que Andrew foi preso, ele nega qualquer irregularidade - (crédito: Toby Melville/Reuters)

Andrew Mountbatten-Windsor, segundo filho da rainha britânica Elizabeth 2ª e irmão mais novo do rei Charles 3º, foi libertado sob investigação, após sua prisão na quinta-feira (19/2) sob suspeita de má conduta em cargo público.

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Na manhã de quinta, a polícia britânica informou que prendeu um homem de 60 anos em Norfolk, condado no leste da Inglaterra, e que estava realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk.

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O rei Charles 3º disse que "a lei deve seguir seu curso" em resposta à prisão de Andrew e que a polícia tem seu "apoio e cooperação total e incondicional".

A polícia disse anteriormente que considerava investigar Andrew por alegações relacionadas à sua associação com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein e que estava revisando alegações de que ele teria compartilhado material confidencial.

Comunicações entre os dois constam do lote de arquivos divulgados pelo governo dos Estados Unidos em janeiro deste ano.

Em um comunicado atualizado na noite de quinta-feira, a polícia britânica confirmou que o homem "foi liberado sob investigação". E acrescentou que as buscas em Norfolk foram concluídas.

O ex-príncipe foi fotografado recostado no banco de trás de um veículo após deixar a delegacia de Aylsham.

Esta é a primeira vez que Andrew é preso. Ele tem negado veementemente qualquer irregularidade.

O ex-príncipe Andrew em missa de Natal da família real na igreja de Santa Maria Madalena, em dezembro de 2022
Toby Melville/Reuters
Foi a primeira vez que Andrew foi preso, ele nega qualquer irregularidade

A polícia afirmou que, após uma "avaliação minuciosa", uma investigação formal foi aberta. A investigação está a cargo da polícia do Vale do Tâmisa, jurisdição à qual pertence Windsor, onde se localiza o Royal Lodge, antiga residência de Andrew.

A polícia também informou, no início de fevereiro, que avalia uma denúncia separada de que uma segunda mulher teria sido enviada ao Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com Andrew em 2010. A mulher, que não é britânica, tinha 20 e poucos anos à época dos fatos.

A BBC News apurou que a Polícia do Vale do Tâmisa contatou o Ministério do Interior britânico para alertá-lo com antecedência antes da prisão de Andrew Mountbatten-Windsor.

A prisão, que ocorreu em Sandringham às 8h de quinta-feira pelo horário local (5h da manhã de Brasília), não foi relacionada a quaisquer alegações de crimes sexuais.

O que se sabe sobre a investigação

Veículos que se acredita serem carros de polícia descaracterizados foram vistos do lado de fora da propriedade real em Norfolk, onde o ex-príncipe tem vivido desde que deixou sua casa em Windsor, em Berkshire.

A BBC apurou que o Royal Lodge, antiga residência de Andrew no Windsor Great Park, foi revistada pela polícia. Vários policiais uniformizados foram vistos além dos portões.

"Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento oportuno", disse Oliver Wright, chefe assistente de polícia.

A Polícia de Norfolk informou à BBC que está "apoiando uma investigação da Polícia do Vale do Tâmisa sobre má conduta em cargo público".

Ex-Duque de York antes de perder seus títulos, Andrew atuou como enviado comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011, viajando pelo mundo e desfrutando de acesso privilegiado a altos contatos governamentais e empresariais em todo o mundo.

Em 2010, Andrew parece ter encaminhado relatórios governamentais de visitas ao Vietnã, Singapura e China para Epstein, conforme mostram documentos relacionados ao falecido financista recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Os documentos também parecem mostrar que Andrew encaminhou informações sobre oportunidades de investimento em ouro e urânio no Afeganistão para Epstein.

De acordo com as diretrizes oficiais, os enviados comerciais têm o dever de confidencialidade sobre informações sensíveis, comerciais ou políticas referentes às suas visitas oficiais.

A reação da Família Real

O rei Charles disse ter recebido a notícia da prisão de seu irmão com "profunda preocupação".

"O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da forma apropriada e pelas autoridades competentes", disse o monarca em comunicado.

"Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir o seu curso", acrescentou.

"Como este processo continua, não seria correto da minha parte comentar mais sobre o assunto. Entretanto, minha família e eu continuaremos a cumprir nosso dever e a servir a todos vocês."

A BBC apurou que o príncipe William e a Princesa de Gales, Kate Middleton, apoiaram a declaração do rei.

Segundo informações, nem o rei nem o Palácio de Buckingham foram avisados com antecedência da prisão de Andrew, que ocorreu no dia do 66º aniversário dele.

A família real tem mantido uma postura de normalidade, optando por continuar com seus compromissos, apesar dos acontecimentos extraordinários da quinta-feira.

O rei, que participava de um compromisso para marcar o início da Semana de Moda de Londres na quinta-feira, não respondeu a perguntas.

A rainha Camilla foi questionada por repórteres sobre a prisão de seu cunhado ao sair de um compromisso em Windsor na quinta-feira.

"A senhora está preocupada com a prisão de Andrew, majestade?", perguntaram à rainha enquanto ela entrava em um carro que a aguardava do lado de fora de um concerto no Sinfonia Smith Square Hall. Ela foi vista acenando, mas não respondeu.

Andrew sempre negou qualquer irregularidade em sua associação com Epstein. Ele não respondeu aos pedidos de comentários da BBC sobre alegações específicas relacionadas aos milhões de arquivos de Epstein divulgados em janeiro.

Enquanto isso, o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse à BBC que enviou uma carta de cinco páginas a várias forças policiais do Reino Unido, fornecendo informações novas e adicionais aos arquivos de Epstein.

Em um comunicado, Brown afirma que as novas informações se somam às que ele enviou às forças policiais na semana passada, nas quais expressou "preocupação em garantir justiça para as meninas e mulheres vítimas do tráfico".

Vítima 'vingada'

Sky Roberts, irmão da falecida Virginia Giuffre (mulher que denunciou Andrew no caso Epstein e foi encontrada morta em abril de 2025), disse ao programa Newsnight da BBC que acredita que sua irmã foi "vingada" com a notícia da prisão de Andrew.

As acusações de Virginia Giuffre contra o ex-príncipe foram resolvidas fora dos tribunais.

Ela alegou ter sido forçada a fazer sexo com Andrew em diversas ocasiões, inclusive na ilha particular de Epstein, Little St. James, no início dos anos 2000.

O acordo firmado entre os dois não incluiu nenhuma admissão de culpa por parte de Andrew.

Apesar de reconhecer que o motivo da prisão de Andrew "não tem uma correlação direta" com as acusações de Virginia, Roberts considerou o momento uma "vitória para as sobreviventes".

"Não estaríamos aqui sem ela [Virginia]. Não teríamos chegado a este ponto da investigação", disse ele.

Roberts também elogiou o rei Charles pelo apoio à investigação da Polícia do Vale do Tâmisa, acrescentando: "Agradeço ao rei e à Família Real por apoiarem as vítimas".

Perda de títulos

Andrew afastou-se das funções reais em 2019, alegando que as acusações haviam se tornado uma "perturbação" para a família real.

Posteriormente, ele perdeu seus títulos militares e patrocínios reais, após Giuffre entrar com uma ação civil contra ele nos EUA em 2022.

No entanto, ele manteve seu lugar como oitavo na linha de sucessão ao trono.

Andrew foi destituído de seu título de príncipe em outubro de 2025, no mesmo mês em que o livro de memórias póstumo de Giuffre foi publicado e novos detalhes sobre sua ligação com Epstein vieram à tona.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagindo à prisão, disse a repórteres: "Acho muito triste. Acho muito ruim para a família real."

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BBC
Zahra Fatima e Hafsa Khalil
postado em 21/02/2026 08:07
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