
À exceção de Hungria, República Tcheca e Eslováquia, a União Europeia (UE) aproveitou o quarto aniversário da guerra contra a Rússia para reforçar o apoio à Ucrânia. Os presidentes da Comissão Europeia (órgão executivo do bloco), Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu (responsável pelas prioridades políticas), António Costa, visitaram Kiev e prometeram manter o apoio ao governo de Volodymyr Zelensky, com quem se reuniram. "Nós permanecemos como os principais doadores da Ucrânia. Além dos quase 200 milhões de euros de apoio desde 2022, os líderes europeus concordaram em disponibilizar à Ucrânia 90 milhões de euros entre 2026 e 2027, a fim de ajudar a garantir que o país possa satisfazer suas necessidades orçamentais e de defesa urgentes e manter-se forte face aos ataques da Rússia", afirmaram Von der Leyen e Costa, em comunicado conjunto. Deste total, 60 milhões de euros serão destinados a necessidades militares, com o propósito de transformar a Ucrânia em um "porco-espinho de aço", termo usado para designar uma estratégia de defesa assimétrica.
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Ao mesmo tempo, cerca de 30 líderes de países aliados da Ucrânia pediram à Rússia que aceite um "cessar-fogo total e incondicional". Depois de uma reunião por videoconferência com Zelensky, a chamada "coalizão de voluntários" — a qual inclui nações como Alemanha, Reino Unido e França — divulgou um comunicado e apontou o "alto preço que a Rússia pagou por ganhos mínimos no campo de batalha, com cerca de meio milhão de vítimas apenas no último ano".
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Em mensagem de vídeo alusiva aos quatros anos guerra, o presidente ucraniano disse que o homólogo russo Vladimir Putin não alcançou seus objetivos. "Não quebrou os ucranianos. Não venceu esta guerra", declarou. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, reconheceu que a Rússia ainda não "alcançou plenamente" todos os seus objetivos militares, mas que muitos foram completados. Ele prometeu que o país continuará lutando até concretizar sua meta.
Professor de política comparada da Universidade Kyiv-Mohyla (em Kiev), Olexiy Haran disse ao Correio que o conflito entre Ucrânia e Rússia não é apenas uma guerra entre Estados. "Na verdade, o presidente Vladimir Putin quer destruir a Ucrânia como Estado. Ele bombardeia civis e infraestrutura energética no medo do inverno É uma barbárie por parte da Rússia", afirmou. "Putin não conseguiu manter a região Donbass (leste) por quatro anos. Agora, ele quer que a Ucrânia retire suas tropas dali. Entendemos que 20% do nosso território ficarão sob controle da Rússia, caso congelemos as ações no front."
Posição dos EUA
Haran destacou a visita dos europeus como "muito importante sob o ponto de vista simbólico". "Considero significativo o fato de a União Europeia ter anunciado 90 bilhões de euros em empréstimos para a Ucrânia pelos próximos dois anos", acrescentou. No entanto, o especialista não vê a possibilidade de liberação de todo o território ucraniano. "Por algum motivo, o presidente Donald Trump escuta a narrativa de Putin e afirma ser neutro. Nessa 'neutralidade', ele segue o raciocínio russo e exige a retirada ucraniana das áreas ocupadas. O problema é esse: não temos apoio por parte dos Estados Unidos."
Peter Zalmayev, diretor da ONG Eurasia Democracy Initiative (em Kiev), se disse grato pela ajuda da UE, mas criticou o fato de a Hungria ter bloqueado o empréstimo de 90 bilhões de euros. "O premiê Viktor Orbán tem se colocado contra a vontade da maioria no Parlamento, a fim de manter a ponte entre Budapeste e Moscou. Isso enfraquece o bloco europeu. Não acho que alcançaremos algo decisivo na guerra sem tomarmos ações decisivas", afirmou à reportagem.
