
A terceira rodada de negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, sob a mediação do sultanato de Omã, terminou com avanços, segundo o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. O diálogo coincide com a maior mobilização de forças norte-americanas no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003. A delegação de Teerã esteve representada pelo próprio Araghchi, enquanto a de Washington era liderada por Steve Witkoff, enviado especial à região, e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Ambas foram recebidas, separadamente, pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, na residência do embaixador de seu país em Genebra.
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"Encerramos o dia com progressos significativos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Retomaremos as negociações em breve, após consultas nas respectivas capitais. As discussões em nível técnico ocorrerão na próxima semana, em Viena. Agradeço a todos os envolvidos pelos seus esforços: os negociadores, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o governo suíço, nossos anfitriões", escreveu Al Busaidi em seu perfil na rede social X.
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Além de colocarem o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, de prontidão no Mar Mediterrâneo, Trump destacou ao Oriente Médio um aparato militar que inclui outro porta-aviões, o USS Abraham Lincoln, nove destróieres e outros três navios de combate.
De acordo com o The Wall Street Journal, Witkoff e Kushner exigem que Teerã desmonte suas três principais instalações nucleares e entregue todo o urânio enriquecido. Badr Al Busaidi elogiou a postura dos negociadores iranianos e americanos. O chanceler omani anunciou que eles demonstraram "uma abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas".
Mísseis
O governo iraniano insiste que as discussões devem se centralizar no programa nuclear do país. A Casa Branca não esconde preocupação com o arsenal de mísseis balísticos do regime teocrático islâmico. Na terça-feira, durante o discurso sobre o Estado da União, Trump alertou que os mísseis iranianos "podem ameaçar a Europa e nossas bases (no Oriente Médio)".
Pesquisador senior do Projeto Philos, uma iniciativa que promove o engajamento cristão no Oriente Médio, o cientista político iraniano Farhad Rezaei explicou ao Correio que o regime de Teerã utiliza suas "táticas de protelação usuais". "Eles querem ganhar o maior tempo possível e, até o momento, parecem ter conseguido. O Irã continua recusando-se a aceitar as demandas dos EUA para abandonar as ambições de armas nucleares, interromper o programa de mísseis de longo alcance, deter o financiamento de terroristas na região e abordar a violações dos direitos humanos", afirmou. "É improvável que o regime de Teerã se comprometa com esses temas. Creio que o governo Trump perde seu tempo se espera forçar o regime a aceitar essas demandas por meio da diplomacia."
EU ACHO...
Cuba denuncia "agressão terrorista"
Cuba se defenderá com "determinação" diante de qualquer "agressão terrorista", declarou o presidente, Miguel Díaz-Canel, após o confronto entre membros da Guarda Costeira cubana e tripulantes de uma lancha de matrícula americana que deixou quatro mortos e seis feridos na embarcação. "Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional" escreveu Díaz-Canel no X.
O governo cubano denunciou o incidente da lancha como uma tentativa de "infiltração com fins terroristas" por parte de um grupo armado, em um contexto de crescentes tensões com os EUA. Além das quatro pessoas mortas, outros seis ocupantes da lancha ficaram feridos após terem sido interceptados em águas territoriais cubanas.
"Cuba teve que enfrentar inúmeras infiltrações terroristas e agressivas procedentes dos Estados Unidos desde 1959, com um alto custo em vidas, feridos e danos materiais", denunciou, também no X, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez.
Arsenal
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que os EUA investigavam esses disparos. Segundo as autoridades cubanas, os homens a bordo da lancha com matrícula da Flórida tinham em seu poder fuzis de assalto, armas curtas, artefatos explosivos de fabricação caseira, coletes à prova de balas e roupas de camuflagem.

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