Foi por meio da rede social X que o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou guerra ao Afeganistão, país governado pela milícia fundamentalista islâmica Talibã desde agosto de 15 de 2021. "Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês", escreveu. Enquanto isso, o Paquistão bombardeou várias cidades do país vizinho, incluindo a capital, Cabul. Explosões foram ouvidas pela manhã, quando caças sobrevoaram Cabul e Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão e considerada um bastiã das lideranças do Talibã.
Em um canal de WhatsApp mantido para contato com a imprensa, os talibãs informaram que os ministros das Relações Exteriores do Catar e da Turquia mantiveram conversas com o chanceler afegão para buscarem uma desescalada e uma solução pacífica para o conflito. O governo dos Estados Unidos avalizou a decisão do Paquistão, seu aliado regional, de atacar o Afeganistão. "Seguimos supervisionando de perto a situação e expressamos o nosso apoio ao direito do Paquistão a se defender dos ataques dos talibãs", declarou Allison Hooker, subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, após diálogo com a contraparte paquistanesa. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, externou "profunda preocupação com a escalada de violência" e pediu o "cessar imediato das hostilidades" para voltar à "via diplomática".
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Em entrevista ao Correio, por telefone, Mohammad Suhail Shaheen, embaixador permanente do Emirado Islâmico do Afeganistão (Talibã) na ONU, acusou o Paquistão de ter violado o espaço aéreo afegão. "Eles violaram o nosso espaço aéreo, realizaram ataques contra áreas rurais e mataram gente inocente, incluindo mulheres e crianças. Dezoito membros de uma mesma família foram martirizados (mortos), no distrito de Behsud, na província de Nangarhar, no leste do país", relatou. "Foi depois dessa violação do lado paquistanês que nossas forças atacaram as forças do Paquistão na frente leste do Afeganistão, capturando 19 postos militares e matando dezenas de seus soldados."
Um comunicado divulgado pelo Talibã informou que "poucos dias atrás, círculos militares paquistaneses, com grande audácia, violaram o território afegão, infiltraram-se em nossas fronteiras e martirizaram mulheres e crianças". "Em resposta, hoje, o nono dia do Ramadã (mês sagrado do islã) do ano lunar 1447 (26 de fevereiro de 2026, no calendário gregoriano), às 20h (hora local), nas direções leste e sudeste, postos das forças militares paquistanesas ao longo da Linha Durand (fronteira) foram capturados, após contra-ataques eficazes", afirma o texto, segundo o qual 55 soldados paquistaneses acabaram mortos e outros teriam sido levados com vida pelos militares afegãos.
Shaheen defende que a comunidade internacional não deveria acreditar nas alegações do lado paquistanês. "Não existe abrigo para terroristas no Afeganistão. Também não permitimos que ninguém use o solo do Afeganistão contra qualquer nação", afirmou. "Os paquistaneses querem colocar pressão sobre o Afeganistão para suas metas políticas, as quais nós, como um país independente, não aceitamos." Ao ser questionado sobre as ameaças do Paquistão de "esmagar" o Talibã, o representante afegão na ONU respondeu de forma também ameaçadora. "Eles acham que possuem armamentos sofisticados e uma força aérea. Nós somos muito mais poderosos do que eles, em termos de armas. Vamos esperar e veremos..."
