FRANÇA

França reforçará seu arsenal atômico e quer impulsionar a dissuasão europeia

Presidente francês Emmanuel Macron discursou ao lado do submarino nuclear de mísseis balísticos nessa segunda-feira (3/3)

Presidente francês Emmanuel Macron discursa ao lado do submarino nuclear de mísseis balísticos  -  (crédito:  AFP)
Presidente francês Emmanuel Macron discursa ao lado do submarino nuclear de mísseis balísticos - (crédito: AFP)

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) que o país aumentará seu número de ogivas nucleares e adiantou uma cooperação mais estreita com um grupo de oito países da União Europeia (UE) para proteger o continente.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Na base de submarinos nucleares de Île Longue, no oeste da França, Macron explicou que, em "um período de agitação geopolítica repleto de riscos", era necessário "reforçar" a capacidade de "dissuasão nuclear diante de múltiplas ameaças".

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Macron, a pouco mais de um ano de deixar a presidência, afirmou que oito países europeus, entre eles Alemanha, Polônia e Reino Unido, aceitaram participar do que chamou de estratégia de "dissuasão avançada".

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, a UE e muitos de seus principais países têm defendido o reforço da estratégia de defesa diante da incerteza quanto ao compromisso americano com seus aliados da Otan.

Em um comunicado conjunto após o discurso de Macron, França e Alemanha disseram que essa estratégia "se somaria, não substituiria, à dissuasão nuclear da Otan".

Em sua intervenção, Macron afirmou que modernizar seu arsenal nuclear era "essencial". "Por isso ordenei um aumento do número de ogivas nucleares", acrescentou.

A França é a única potência nuclear da União Europeia desde a saída do Reino Unido do bloco. O país possui o quarto maior arsenal do mundo, estimado em cerca de 290 ogivas, longe dos milhares de que disporiam Estados Unidos e Rússia.

O plano de Macron implica usar o arsenal francês para reforçar a segurança do continente.

Os países desse grupo - que também inclui Suécia, Países Baixos, Bélgica, Grécia e Dinamarca - poderiam abrigar temporariamente as "forças aéreas estratégicas" francesas, que poderão "ser deslocadas por todo o continente europeu".

De acordo com Macron, a ideia é "complicar os cálculos de nossos adversários".

O esquema também poderia incluir "a participação convencional de forças aliadas em nossas atividades nucleares", disse.

- Horizonte eleitoral -

A nova doutrina nuclear de Macron responde em parte à agressividade da Rússia e ao distanciamento do tradicional aliado americano, que chegou a ameaçar usar a força para tomar a Groenlândia da Dinamarca, um país membro da Otan.

As garantias das autoridades americanas de que o guarda-chuva dissuasório de Washington continuaria cobrindo a Europa no âmbito da Otan não conseguiram apaziguar os temores europeus.

"A dissuasão avançada que propomos é um esforço distinto, que tem seu próprio valor e é totalmente complementar ao da Otan", disse Macron.

Ele também ordenou um aumento de suas ogivas nucleares e acrescentou que a França deixará de fornecer detalhes sobre seu arsenal.

Esse anúncio ocorre a pouco mais de um ano das eleições presidenciais que escolherão o sucessor de Macron, que não pode se candidatar após completar dois mandatos.

Nas pesquisas, desponta como favorito o partido Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen, de extrema direita e eurocético.

Rafael Loss, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, advertiu que uma vitória da extrema direita "poderia atrasar muitos ou a maioria desses passos".

Macron já havia proposto em 2020 um diálogo dentro da UE sobre que papel poderia desempenhar a dissuasão nuclear da França. O país, apesar de ser membro da Otan, não coloca suas armas atômicas à disposição da aliança.

Seis anos atrás, a ideia de uma dissuasão europeia não prosperou, mas os equilíbrios mudaram com a invasão russa da Ucrânia em 2022 e a reeleição de Trump nos Estados Unidos.

  • Google Discover Icon
Por AFP
postado em 03/03/2026 08:57
x