TENSÃO

Como conflito no Oriente Médio causa o maior caos aéreo global desde a pandemia de covid

Nos últimos dias, foram cancelados centenas de voos no Oriente Médio, prejudicando milhares de passageiros que ficaram sem ter como viajar no Golfo Pérsico e em outras regiões do mundo.

Centenas de aviões permanecem estacionados no aeroporto de Dubai, o terminal com maior volume de tráfego internacional de passageiros do mundo -  (crédito: Getty Images)
Centenas de aviões permanecem estacionados no aeroporto de Dubai, o terminal com maior volume de tráfego internacional de passageiros do mundo - (crédito: Getty Images)

Milhares de passageiros continuam presos nos países do Golfo Pérsico, desde que a operação conjunta deflagrada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã forçou o fechamento de vários dos aeroportos mais importantes da região.

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Um deles é o aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que cancelou 100% das suas operações no domingo (1/3), começando a restabelecer lentamente os voos no dia seguinte.

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O aeroporto de Dubai registra o maior tráfego aéreo internacional do mundo, com cerca de 1 mil voos por dia, segundo a agência de notícias Reuters.

O efeito dos cancelamentos foi particularmente grave no domingo, o dia imediatamente seguinte ao ataque ao Irã.

A agência AFP informou que as linhas aéreas da região (incluindo a Etihad, Emirates e a Qatar Airlines) precisaram cancelar entre 30 e 41% do total dos seus voos.

Na terça-feira (3/3), o portal digital Flightradar24, que acompanha o tráfego aéreo em todo o mundo, relatou que diversos voos decolaram dos Emirados Árabes Unidos tomando a rota em direção ao sul, evitando totalmente o Golfo Pérsico.

Trata-se do transtorno mais grave ocorrido em relação ao tráfego aéreo desde o início da pandemia de coronavírus, em 2019, segundo a Reuters.

Operações sob incerteza

Fila de aviões estacionados no aeroporto de Dubai
Getty Images
Centenas de aviões permanecem estacionados no aeroporto de Dubai, o terminal com maior volume de tráfego internacional de passageiros do mundo

Os cancelamentos começaram a diminuir, mas ainda eram elevados na terça-feira, segundo o portal Flightaware. Eles se concentraram nos aeroportos de Dubai, Tel Aviv (Israel), Bahrein, Doha (Catar) e Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos).

Somente na terça-feira (3/3), o aeroporto de Dubai precisou cancelar 424 pousos e 413 decolagens.

Por outro lado, as autoridades israelenses decidiram manter fechado até quarta-feira (4/3) o aeroporto Ben Gurión, da cidade de Tel Aviv, e iniciar as operações com apenas um voo de passageiros por hora.

Considerando os fechamentos, grande parte do tráfego aéreo começou a ser desviado para o aeroporto da capital da Arábia Saudita, Riad, aumentando o tráfego de passageiros por aquele terminal.

Paralelamente, as passagens atingiram preços extraordinários.

Um comerciante francês contou à agência Reuters que "quando passagens que custam entre 500 e 800 euros (R$ 3 mil a R$ 4,9 mil) aumentam para 5 mil ou 6 mil euros (R$ 30,6 mil a R$ 36,7 mil), acho bastante desagradável".

Voos humanitários

Homem sorridente recebe uma mulher também sorrindo com um ramo de rosas, enquanto diversos câmeras gravam o momento
Getty Images
A Alemanha começou a repatriar seus cidadãos que haviam ficado presos no Golfo

As preocupações relativas à segurança levaram diversos países europeus a iniciar planos de evacuação, para retirar seus cidadãos do Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, declarou que havia cerca de 400 mil cidadãos franceses afetados pelo conflito. Eles incluem residentes e pessoas com dupla nacionalidade.

"Estamos preparando voos charter para beneficiar os mais vulneráveis", informou Barrot.

Já a Alemanha anunciou na segunda-feira (2/3) o envio de aviões para a Arábia Saudita e para Omã. Eles irão retirar cerca de 30 mil cidadãos alemães da região.

O Reino Unido e a Espanha também anunciaram a decolagem de voos humanitários para retirar seus cidadãos do Oriente Médio.

Por outro lado, os Estados Unidos afirmaram que, nos últimos dias, cerca de 9 mil americanos haviam voltado para casa, incluindo cerca de 300 que estavam em Israel.

O país também confirmou que o Departamento de Estado americano vem obtendo ativamente voos humanitários para mais pessoas. Eles irão sair da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia.

As opções de voos comerciais continuam disponíveis na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Egito, segundo o Departamento de Estado. O organismo declarou que está "ajudando ativamente os cidadãos americanos a reservar estas passagens".

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BBC
Rafael Abuchaibe - BBC News Mundo
postado em 04/03/2026 06:39 / atualizado em 04/03/2026 08:12
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