GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

EUA prometem intensificar ataques ao Irã, mas descartam tropas terrestres: o que aconteceu até agora no 7º dia da guerra

Beirute sofre ataques de Israel, que diz mirar o Hezbollah, e moradores dizem que a noite passada foi a pior desde o início da guerra, há quase uma semana.

Escombros de prédios em Beirute, no Líbano, após ataques israelenses -  (crédito: Reuters)
Escombros de prédios em Beirute, no Líbano, após ataques israelenses - (crédito: Reuters)

Prestes a completar uma semana, a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos parece longe de um fim. Pelo contrário: o governo americano afirmou na quinta-feira (5/3) que vai intensificar os ataques contra o território iraniano — e os efeitos já são relatados por civis.

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À noite, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que "a quantidade de poder de fogo sobre o Irã e sobre Teerã está prestes a aumentar drasticamente".

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Ele acrescentou que a decisão do Reino Unido de permitir o uso da base militar de Diego Garcia ajudará Washington. "Foi lamentável que os britânicos não tenham dito desde o primeiro dia: 'Ei, podem usar a base'. Mas conseguimos."

A declaração foi feita em um encontro com o almirante do Comando Central, Brad Cooper, e o presidente Donald Trump.

Apesar da intensificação, Trump descartou, em entrevista à NBC News, o envio de tropas terrestres ao Irã e afirmou que isso seria uma "perda de tempo". "Eles já perderam tudo. Perderam a Marinha. Perderam tudo o que podiam perder", disse.

O mandatário americano acrescentou que a declaração do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, à NBC, de que o Irã estava pronto para uma invasão terrestre americana ou israelense, foi um "comentário inútil".

Em paralelo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que enviará quatro caças Typhoon para se juntarem ao esquadrão britânico no Catar.

A imagem mostra uma rua de Beirute cercada por prédios danificados, com uma grande estrutura parcialmente destruída e montes de escombros espalhados pelo chão. Algumas pessoas caminham entre os destroços enquanto edifícios ao redor exibem sinais de colapso.
Reuters
Escombros de prédios em Beirute, no Líbano, após ataques israelenses

A pior noite até agora

Os iranianos e os libaneses dizem já sentir os efeitos da intensificação dos ataques. Repórteres da BBC enviados a diversas regiões do Oriente Médio conseguiram conversar com algumas pessoas dentro do Irã, apesar da interrupção de acesso à internet. Veja o que eles disseram:

"O número de explosões, a destruição, o que está acontecendo, é inacreditável", diz Salar, cujo nome foi alterado para preservar sua segurança, em Teerã. "Cada dia parece um mês. O volume de ataques é altíssimo."

"A casa tremeu sem parar por cinco minutos. A noite passada foi a pior", disse um homem de 30 e poucos anos.

"Acordei com o som de explosões às 5h da manhã e não consegui dormir desde então", afirmou uma mulher, também na capital do Irã.

"Foi terrível. As explosões eram tão fortes que todas as janelas tremiam. Parecia que um dragão estava rugindo", contou outra mulher.

Em Beirute, a situação também se agravou. As pessoas que foram forçadas a deixar suas casas procuram qualquer lugar que lhes pudesse oferecer abrigo. Dentro do Teatro Nacional, duas famílias dormiram em colchões com vista para o palco.

Mohamed Baydoun conta que fugiu de sua casa na cidade de Tiro, no sul do país. "Eles não estão dando um alvo específico. Estão mandando as pessoas saírem de áreas inteiras", diz o homem, de 73 anos, sobre as ordens de evacuação em massa emitidas por Israel.

"Não há misericórdia, o inimigo não tem misericórdia", acrescenta. Mohamed diz que esta guerra "é diferente de todas as outras" que já viveu, mas afirma não ter medo. "Tudo o que acontece com você é o que Deus escreveu para você."

Ataques a Teerã e Beirute

O Exército de Israel afirmou que seus ataques durante a noite tiveram como alvo o que chamou de "infraestrutura do regime" em Teerã, no Irã. Disse também ter atacado a "infraestrutura do Hezbollah" nos redutos do grupo armado em Beirute, no Líbano.

O chefe das Forças de Defesa de Israel (IDF), Eyal Zamir, disse que a fase inicial de "ataque surpresa" envolveu o estabelecimento da "superioridade aérea" e alvejou locais que guardavam mísseis balísticos. Ele afirmou que haverá "surpresas adicionais" na próxima fase para "desmantelar ainda mais o regime".

Durante a noite, aviões de guerra israelenses realizaram sua 14ª onda de ataques contra o Irã desde sábado, com relatos de intensos bombardeios em Teerã e outras cidades.

Sirenes de alerta de mísseis iranianos soaram repetidamente em Israel, com um aparente uso de uma ogiva de fragmentação, embora não tenha havido relatos de feridos.

No Líbano, ocorreram mais explosões no sul de Beirute durante a noite, depois que os militares israelenses emitiram alertas para que as pessoas deixassem bairros inteiros, causando pânico.

Tráfego no estreito de Ormuz

Cerca de mil embarcações, metade delas formada por petroleiros e navios-tanque de gás, estão paradas no estreito de Ormuz, importante via para transporte de petróleo que foi fechada nos últimos dias, depois que o Irã foi bombardeado e iniciou uma série de ataques em retaliação contra vizinhos no Oriente Médio.

A informação é de Neil Roberts, chefe da área marítima e de aviação da Lloyd's Market Association (LMA), que representa as seguradoras que operam no mercado de seguros de Londres.

"A maioria dos navios permanece ancorada, principalmente devido às compreensíveis preocupações dos armadores e comandantes com a segurança de suas embarcações e tripulações", disse ele ao BBC Verify, serviço de checagem da BBC.

Roberts afirma que, desde domingo, apenas cerca de 40 navios transitaram pelo estreito. Dados da empresa de análise de transporte marítimo Kpler divulgados na quarta-feira indicam que o tráfego na hidrovia está cerca de 90% menor em comparação com a semana anterior.

Na terça-feira (3/3), Trump disse que a Marinha americana protegerá navios no Oriente Médio em rota pelo estreito. Ele também anunciou ter ordenado à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos que forneça seguro contra riscos "a um preço razoável para o comércio que transita pelo Golfo".

Mapa mostra localização do Estreito de Ormuz no Golfo de Omã.
BBC

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BBC
BBC News Brasil em Londres
postado em 06/03/2026 08:48 / atualizado em 06/03/2026 18:11
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