
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (13/3) que proibiu a entrada no Brasil de Darren Beattie, conselheiro do governo dos Estados Unidos.
A informação foi confirmada pelo Itamaraty.
Segundo Lula, a decisão foi uma resposta ao cancelamento do visto da família de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em agosto do ano passado, em meio a sanções de Donald Trump sobre o Brasil.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", afirmou Lula, em um evento no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro.
Na quinta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu proibir a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no complexo da Papuda, em Brasília.
A decisão de Moraes representou uma mudança de sua posição. Dois dias antes, ele havia autorizado o encontro.
A defesa do ex-presidente havia solicitado ao STF autorização para que Beattie, atual conselheiro sênior para política brasileira no Departamento de Estado dos EUA, visitasse o ex-presidente na prisão.
Na terça-feira (10/3), Moraes havia autorizado o encontro entre Bolsonaro e Beattie. O ministro determinou que a visita fosse realizada na quarta-feira seguinte, 18 de março, entre 8h e 10h, com possibilidade de presença de intérprete.
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Mas, após um novo requerimento dos advogados do ex-presidente, o ministro solicitou informações ao Ministério das Relações Exteriores sobre a agenda oficial do assessor americano. A resposta do Itamaraty levou o magistrado a rever a autorização.
Na nova decisão, o ministro cita avaliação do Itamaraty de que o encontro poderia representar ingerência estrangeira em assuntos internos do país em ano eleitoral.
Além disso, ele afirma que a visita não estava vinculada aos objetivos oficiais que justificaram a entrada de Beattie no Brasil e não havia sido previamente comunicada às autoridades diplomáticas brasileiras.
'Fiquei indignado'
No dia 15 de agosto do ano passado, Trump revogou o visto de entrada nos Estados Unidos da esposa e da filha de Padilha
O ministro não foi afetado diretamente, porque seu visto americano venceu em 2024. Mas ele ficou impedido de entrar nos Estados Unidos.
A divulgação da medida ocorreu dois dias após a gestão Trump anunciar a revogação de vistos de brasileiros envolvidos na criação do programa Mais Médicos, quando cubanos atuaram no Brasil para suprir a falta de atendimento em áreas remotas ou periféricas do país.
Padilha também era ministro da Saúde quando o programa foi implementado, em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
A medida foi divulgada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como parte da retomada da "política de restrição de vistos relacionada a Cuba", e incluía outros dois servidores do governo, um deles, do ministério da Saúde.
O texto afirmava que os dois teriam atuado no "esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano", em referência à participação de médicos cubanos no programa entre 2013 e 2018.
O Departamento de Estado dos EUA acusa os envolvidos de enriquecer o "corrupto regime cubano" e de privar o povo da ilha de atendimento médico.
Além disso, o comunicado apontava que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) teria atuado como intermediária para implementar o programa sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando sanções dos EUA a Cuba. A Opas, vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não se manifestou sobre o caso.
"Fiquei indignado", afirmou Padilha em entrevista à BBC News Brasil em outubro. "Tem um ataque à minha família. Tenho uma filha de 10 anos de idade. Quero saber qual é o risco que minha filha gera para o governo dos Estados Unidos", disse.

