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Bolsonaro apresenta melhora, mas ainda não há previsão de alta da UTI, diz boletim médico

Segundo boletim médico, ex-presidente apresentou recuperação da função renal e 'melhora parcial dos marcadores inflamatórios' nas últimas 24 horas.

Moraes estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação -  (crédito: André Borges/ EPA/Shutterstock)
Moraes estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação - (crédito: André Borges/ EPA/Shutterstock)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios, nas últimas 24 horas, segundo boletim médico desta segunda-feira (16/3) no fim da manhã.

De acordo com os médicos, a melhora do ex-presidente aponta para uma resposta positiva aos antibióticos que está recebendo no hospital DF Star, em Brasília. Não há, no entanto, previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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Bolsonaro foi internado na sexta-feira (13/3), após exames confirmarem que ele tem uma broncopneumonia. Segundo o boletim médico, ele segue fazendo terapia respiratória e motora.

Ainda segundo o DF Star, a broncopneumonia é nos dois pulmões e ocorreu devido a um episódio de broncoaspiração, que corre quando algum conteúdo do estômago, saliva ou alimentos entra nas vias respiratórias e chega aos pulmões.

Condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, o ex-presidente foi autorizado a ir ao hospital pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após se sentir mal em sua cela.

Antes de ser levado ao hospital, Bolsonaro chegou a ser examinado no próprio 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde cumpre pena, segundo a decisão do STF que autorizou a saída do ex-presidente.

"Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela e, após avaliação clínica inicial realizada no próprio local, foi constatada a necessidade de remoção hospitalar", escreveu o ministro Alexandre de Moraes na decisão.

Visitas só com autorização expressa

Moraes autorizou que Bolsonaro seja acompanhado no hospital pela esposa Michelle, podendo receber visitas dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, e da enteada Letícia.

O ministro também estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação, com a presença de, no mínimo, dois policiais militares na porta do quarto de hospital.

E vedou a presença na UTI e no quarto hospitalar de qualquer celular, computador ou dispositivos eletrônicos não relacionados ao cuidado médico.

Outras visitas a Bolsonaro no hospital só poderão ocorrer com expressa autorização judicial, explicitou Moraes na decisão.

Policiais militares em frente ao hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado desde a sexta-feira passada.
André Borges/ EPA/Shutterstock
Moraes estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação

Flávio pede novamente prisão domiciliar

Bolsonaro esteve no DF Star em 7 de janeiro, quando realizou exames após ter caído na prisão e batido a cabeça na madrugada.

Pouco antes, ele havia passado por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha e outros procedimentos para conter o quadro de soluços durante o Natal.

O ex-presidente sofre com as sequelas da facada que levou no abdômen durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, ele passou por diversas cirurgias.

Sua defesa chegou a encaminhar ao STF um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde de Bolsonaro poderia ser agravado pelo cumprimento da pena em regime fechado. Mas o pedido foi negado por Moraes.

A decisão foi criticada pela família Bolsonaro, que tem feito campanha para que o ex-presidente cumpra a pena em regime domiciliar.

Em uma carta compartilhada nas redes sociais ainda em janeiro, Carlos Bolsonaro disse que as medidas de Moraes "violam garantias constitucionais básicas" e que a manutenção do pai na Polícia Federal expõe Jair Bolsonaro a "riscos".

Em março, Moraes voltou a negar o pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro.

Na decisão, ele argumentou que as instalações da Papudinha oferecem atendimento médico adequado.

Além disso, o ministro afirmou que a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, ocorrida no ano passado, também impede o deferimento do pedido.

Após a nova internação nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, criticou as negativas da prisão domiciliar e afirmou que estão brincando com a vida do pai dele.

"Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir, cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família", disse Flávio.

Após a internação, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, publicou uma nota na rede social X cobrando novamente a transferência do ex-presidente para o regime de prisão domiciliar.

A defesa argumenta que o sistema prisional não tem condições de oferecer os cuidados médicos necessários e afirma que o risco de agravamento da saúde já havia sido alertado em laudos anteriores.

Cunha Bueno destacou ainda a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor, também acometido por problemas de saúde.

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BBC
Marina Rossi - Da BBC News Brasil em São Paulo
postado em 16/03/2026 12:50
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