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Com vários líderes iranianos mortos pelos EUA e Israel, com quem Trump conversaria?

Os Estados Unidos e Israel mataram vários líderes iranianos durante a guerra. Mas qual era a importância dessas autoridades na estrutura de governo do país e quem realmente detém o poder no momento?

O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã por mais de três décadas -  (crédito: BBC)
O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã por mais de três décadas - (crédito: BBC)

As forças armadas de Israel foram autorizadas a atacar qualquer autoridade de alto escalão do Irã, sem aprovação prévia, segundo o ministro da defesa israelense, Israel Katz.

O anúncio veio poucos dias depois que as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) acrescentaram a principal autoridade de segurança do Irã, Ali Larijani, e o ministro da Inteligência do país, Esmail Khatib, a uma lista cada vez maior de altas autoridades iranianas que elas afirmam terem matado nas últimas semanas.

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"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu autorizamos as IDF a eliminar qualquer autoridade iraniana de alto escalão para quem tenha se fechado o círculo de inteligência e operacional, sem necessidade de maiores aprovações", afirmou Katz.

Mas qual o significado dessas autoridades na estrutura de governo do Irã? E quem realmente detém o poder neste momento?

Aqui estão os detalhes da evolução da liderança iraniana nas últimas semanas.

Gráfico da BBC com a estrutura de liderança iraniana, incluindo dirigentes vivos e mortos durante a guerra
BBC

Aiatolá Ali Khamenei — líder supremo (morto)

O ex-líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de pé, com a mão esquerda erguida, em frente a uma cortina azul, durante uma cerimônia no dia 4 de junho de 2025
Escritório de Imprensa do Líder Iraniano via Getty Images
O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã por mais de três décadas

O assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), foi um choque para muitas pessoas, principalmente por ter ocorrido em 28 de fevereiro, o primeiro dia dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao país.

Khamenei, com 86 anos, liderou o país por mais de três décadas, desde que sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989), fundador da República Islâmica do Irã em 1979.

Ele chefiava um gabinete todo-poderoso. Khamenei era chefe de Estado e comandante-chefe das Forças Armadas, incluindo a Guarda Revolucionária de elite.

Embora não fosse um ditador, ele detinha poder de veto sobre qualquer tema de política pública e podia selecionar candidatos para cargos públicos.

Khamenei ficava em meio a uma complexa teia de centros de poder concorrentes entre si. Às vezes, ele se apresentava quase acima da política, observando as discussões abaixo dele, entre os reformistas e os conservadores iranianos.

Mas Khamenei raramente permitia que os dissidentes fortalecessem sua voz e impedia o desenvolvimento de políticas que ele desaprovava.

Mojtaba Khamenei — líder supremo (vivo)

Mojtaba Khamenei comparece a uma cerimônia no Dia de al-Quds em Teerã, em 31 de maio de 2019
NurPhoto via Getty Images
Mojtaba Khamenei declarou que o Irã 'não deixará de vingar o sangue' dos cidadãos iranianos mortos na guerra

Mojtaba Khamenei não foi visto em público, filmado nem fotografado, desde que foi indicado como sucessor do seu pai, no dia 8 de março de 2026.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou, sem fornecer evidências, que o novo líder supremo teria sido "ferido e provavelmente desfigurado" durante os ataques a Teerã no dia 28 de fevereiro, que mataram seus pais e seu irmão.

No seu primeiro discurso como líder supremo, lido na forma de declaração na TV estatal iraniana em 12 de março, Khamenei prometeu manter o Estreito de Ormuz fechado para a navegação internacional. Esta decisão interrompe o transporte de 20% do petróleo do planeta.

Mojtaba Khamenei também declarou que seu governo "não deixará de vingar o sangue" dos cidadãos mortos durante a guerra.

No dia 20 de março, a TV estatal leu outra mensagem escrita pelo festival do Ano Novo Persa de Nowruz, o que mostra uma profunda diferença em relação às mensagens de Nowruz do seu pai, que tradicionalmente as apresentava em frente às câmeras.

Ali Larijani — secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (morto)

Com jaqueta branca, camisa azul e óculos, o general Ali Larijani fala para um grupo de microfones em um serviço fúnebre, no dia 27 de setembro de 2025
COURTNEY BONNEAU/Middle East Images/AFP via Getty Images
A imprensa iraniana descreveu Ali Larijani como conselheiro do aiatolá Ali Khamenei

Morto em um ataque dos Estados Unidos e Israel na região de Pardis, em Teerã, no dia 17 de março, ao lado do filho e de um dos seus vices, Ali Larijani (1958-2026) é a principal autoridade iraniana assassinada desde Ali Khamenei.

Com 68 anos de idade, o ex-comandante da Guarda Revolucionária se tornou uma figura proeminente como chefe da rádio e TV estatal iraniana IRIB. Ele ocupou o cargo por uma década, até ser nomeado conselheiro de segurança de Ali Khamenei, em 2004.

Larijani foi o principal negociador nuclear do Irã com o Ocidente entre 2005 e 2007, mas foi destituído após desacordos com o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Ele foi o presidente do Parlamento iraniano que permaneceu neste cargo por mais tempo até hoje (12 anos).

Larijani também representava Ali Khamenei no Conselho Supremo de Segurança Nacional. Acredita-se que ele tenha supervisionado a repressão sem precedentes das forças de segurança, incluindo a força paramilitar Basij, contra os protestos que varreram o Irã em dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Na ocasião, pelo menos 6.508 manifestantes foram mortos e 53 mil foram detidos, segundo defensores dos direitos humanos.

Contra-almirante Ali Shamkhani — secretário do Conselho de Defesa Iraniano (morto)

Com jaqueta azul escura, colete azul claro, camisa listrada e óculos, o contra-almirante Ali Shamkhani está sentado em uma cadeira dourada em frente a uma bandeira iraniana, durante uma reunião com o conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, Tahnoun bin Zayed Al Nahyan, em Teerã, no dia 6 de dezembro de 2021
Anadolu via Getty Images
O contra-almirante Ali Shamkhani foi anteriormente secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional

Consultor próximo de Ali Khamenei, figura fundamental para a criação de políticas de segurança e nucleares do Irã e único contra-almirante do país, Ali Shamkhani (1955-2026) foi morto durante os primeiros ataques a Teerã, no dia 28 de fevereiro.

Ele havia sobrevivido a um ataque à sua casa durante a Guerra dos 12 Dias (2025), entre Israel e o Irã.

Durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), Shamkhani foi um dos comandantes mais importantes da Guarda Revolucionária.

Ao longo das últimas duas décadas, ele ocupou diversos cargos importantes, incluindo o de ministro do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), ministro da Defesa, comandante da Marinha e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Nos últimos anos, Shamkhani desempenhou papel importante na supressão dos protestos públicos.

Major-general Mohammad Pakpour — comandante-chefe do CGRI (morto)

O major-general Mohammad Pakpour participa de cerimônia em memória do seu predecessor como comandante-chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Salami, no dia 25 de julho de 2025
Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images
O major-general Mohammad Pakpour foi morto nos ataques dos Estados Unidos e Israel a Teerã no dia 28 de fevereiro, segundo a imprensa estatal iraniana

O major-general Mohammad Pakpour (1961-2026) também foi morto nos ataques de 28 de fevereiro a Teerã, segundo a imprensa estatal iraniana.

Comandante das forças terrestres do CGRI por 16 anos, ele foi promovido a comandante-chefe após a morte do seu predecessor, Hossein Salami (1960-2025), durante a Guerra dos 12 Dias.

Masoud Pezeshkian - presidente (vivo)

Com jaqueta azul escura e camisa azul clara, sentado a uma mesa, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian fala ao lado de uma bandeira iraniana, no dia 24 de fevereiro de 2026
Presidência do Irã via Getty Images
Durante as eleições iranianas de 2024, Masoud Pezeshkian recebeu 53,3% dos mais de 30 milhões de votos apurados

O reformista Masoud Pezeshkian foi eleito presidente do Irã em 6 de julho de 2024, após ser aprovado pelo processo de verificação conduzido pelo Conselho Guardião, composto por 12 clérigos e juristas.

O ex-cirurgião cardiologista de 71 anos e ex-parlamentar critica a famosa polícia da moralidade do Irã. Ele causou agitação ao prometer "unidade e coesão" e o fim do "isolamento" do Irã em relação ao resto do mundo.

No dia 11 de março de 2026, Pezeshkian reafirmou no X o "compromisso iraniano com a paz na região". E, cinco dias depois, ele pediu o apoio internacional contra os Estados Unidos e Israel.

"Esperamos que a comunidade global condene esta invasão e convença os invasores a respeitar as leis internacionais", declarou ele.

Mohammad Bagher Ghalibaf — presidente do Parlamento iraniano (vivo)

Com terno azul escuro e camisa azul clara, Mohammad Bagher Ghalibaf fala em entrevista coletiva no dia 2 de dezembro de 2025
Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images
Mohammad Bagher Ghalibaf se candidatou quatro vezes à presidência do Irã

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, pode ter substituído seu uniforme da Guarda Revolucionária por roupas civis, mas ainda preserva sua linha autoritária e defende vigorosamente o regime do país.

Piloto qualificado, ele é conhecido pela sua ambição e por ter concorrido à Presidência do Irã por quatro vezes.

Agora com 64 anos de idade, Ghalibaf parece desempenhar papel fundamental, encabeçando o esforço de guerra.

Após os ataques à infraestrutura de energia do Irã, ele postou no X que "a soma do olho-por-olho está em vigor e começou um novo nível de confronto".

Na terça-feira (24/3), em resposta aos relatos de negociações entre o Irã e os Estados Unidos, Ghalibaf postou no X:

"Nenhuma negociação foi mantida com os Estados Unidos e as fake news são usadas para manipular mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro no qual os EUA e Israel estão presos."

"O povo iraniano exige a punição completa e impiedosa dos agressores", escreveu ele. "Todas as autoridades iranianas defendem firmemente seu líder supremo e o povo até que este objetivo seja alcançado."

Brigadeiro-general Gholamreza Soleimani — comandante da força paramilitar Basij (morto)

O comandante da força paramilitar Basij, o brigadeiro-general Gholamreza Soleimani (1964-2026), foi morto nos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 17 de março, segundo a imprensa estatal iraniana.

Brigadeiro-general Ahmad-Reza Radan — chefe da polícia (vivo)

Em frente a um fundo vermelho, em um palco em ambiente externo, o brigadeiro-general Ahmad-Reza Radan fala para os microfones no dia 24 de novembro de 2025
Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images
No início da guerra, o brigadeiro-general Ahmad-Reza Radan alertou que os manifestantes seriam tratados como inimigos

O chefe da polícia, brigadeiro-general Ahmad-Reza Radan, é responsável por fazer executar os rigorosos códigos sociais e suprimir a dissidência.

Em 2023, ele anunciou o plano Noor, que emprega câmeras de vigilância e tecnologia inteligente para identificar e punir mulheres que desrespeitarem as leis do hijab, incluindo o confisco de carros e o fechamento de comércios.

Mais recentemente, Radan assumiu uma posição linha-dura em relação aos protestos contra o governo e, no início da guerra, alertou que suas forças tratariam como "inimigo" qualquer um que saísse às ruas "a pedido do inimigo".

Gholamhossein Mohseni Ejei — chefe do Judiciário iraniano (vivo)

Em janeiro, o chefe do Judiciário do Irã, o linha-dura Gholamhossein Mohseni Ejei, alertou que "não haveria leniência" em relação aos condenados por atos violentos durante os protestos no país que antecederam a guerra.

Brigadeiro-general Eskandar Momeni — ministro do Interior (vivo)

Ministro do Interior desde agosto de 2024, o brigadeiro-general Eskandar Momeni tem profundas origens no CGRI e no Comando Policial da República Islâmica do Irã.

Brigadeiro-general Esmail Qaani — comandante da Força Quds do CGRI (vivo)

O brigadeiro-general Esmail Qaani sentado entre dois outros homens, olhando para frente, com um feixe de luz iluminando seu rosto, em uma cerimônia fúnebre no dia 17 de fevereiro de 2026
Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images
O brigadeiro-general Esmail Qaani recebeu sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 2012

Conhecido pela imprensa iraniana como o "general do Levante", o brigadeiro-general Esmail Qaani se tornou comandante da Força Quds do CGRI em 2020.

Em 2012, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já havia imposto sanções a ele, por supervisionar auxílio financeiro e embarques de armas para elementos da Força Quds no Oriente Médio e na África, particularmente para a Gâmbia.

Esmail Khatib — ministro da Inteligência (morto)

Esmail Khatib sentado ao lado de outros homens no Parlamento iraniano, no dia 17 de agosto de 2024
ABEDIN via EPA
Esmail Khatib foi morto por um ataque aéreo israelense em 18 de março

O ex-presidente iraniano Ebrahim Raisi (1960-2024) nomeu Esmail Khatib (1961-2026) ministro da Defesa do Irã em 2021.

Ele estudou jurisprudência islâmica com diversos clérigos de alto escalão, incluindo Ali Khamenei. E ocupou vários postos importantes no Ministério da Inteligência e no Gabinete do Líder Supremo do Irã.

O "covarde assassinato" de Khatib, durante um ataque aéreo israelense, deixou o Irã "em profundo pesar", declarou Pezeshkian em 18 de março.

Major-general Abdolrahim Mousavi — chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas (morto)

O major-general Abdolrahim Mousavi durante uma reunião com outros comandantes na residência do então líder supremo Ali Khamenei em Teerã, no dia 21 de abril de 2024
Anadolu via Getty Images
O major-general Abdolrahim Mousavi substituiu o major-general Mohammad Bagheri, morto durante a Guerra dos 12 Dias, em 12 de junho de 2025

Também morto nos ataques a Teerã em 28 de fevereiro, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, o major-general Abdolrahim Mousavi (1960-2026), havia substituído o major-general Mohammad Bagheri (1960-2025), morto em 12 de junho de 2025, durante a Guerra dos 12 Dias.

Sadegh Larijani — presidente do Conselho de Discernimento (vivo)

O irmão de Ali, Sadegh Larijani, preside o Conselho de Discernimento da Conveniência, que é o órgão arbitral final e guardião da constituição do Conselho Guardião.

Abbas Araghchi — ministro das Relações Exteriores (vivo)

Com jaqueta azul escura, camisa branca, óculos e relógio de pulso, Abbas Araghchi fala para um microfone durante o 17º Fórum da Al Jazeera em Doha, no Catar, no dia 7 de fevereiro de 2026
Karim JAAFAR/AFP via Getty Images
Abbas Araghchi destacou repetidas vezes que o Irã não começou a guerra

Existem relatos de ligações entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Mas estes diálogos são descritos como muito preliminares.

No dia 15 de março, Araghchi declarou à CBS News, emissora parceira da BBC nos Estados Unidos, que o Irã "nunca pediu um cessar-fogo" na guerra com Israel e os EUA.

"Esta é uma guerra por opção do presidente Trump e dos Estados Unidos e iremos manter nossa autodefesa", destacou ele.

Brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh — ministro da Defesa (morto)

O ministro da Defesa do Irã, o brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh (1964-2026), também foi morto nos ataques a Teerã de 28 de fevereiro.

Quais as consequências dos ataques aos líderes iranianos?

O plano de Israel e dos Estados Unidos foi "atordoar e confundir" o regime iraniano, declarou nos primeiros dias da guerra o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos.

No início da guerra, a mudança de regime era um objetivo declarado dos líderes dos Estados Unidos e de Israel.

Em vídeo postado na sua plataforma Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, convocou os iranianos a "derrubar o seu governo". Este sentimento foi corroborado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ainda em 19 de março, quando convocou o povo iraniano a "se unir ao momento".

Mas, em uma cultura em que o martírio detém grande valor religioso e político, a morte dos altos líderes é projetada como narrativa de continuidade, não de colapso.

Na TV estatal, por exemplo, um apresentador em lágrimas anunciou a morte de Ali Khamenei, dizendo que ele "bebeu o doce e puro gole de martírio e se uniu ao supremo reino dos céus".

Mais de duas semanas depois, ao informar a morte de Ali Larijani, o Conselho Supremo de Segurança Nacional declarou: "As puras almas dos mártires abraçaram a alma purificada do servo justo de Deus, o mártir Dr. Ali Larijani."

"Após uma vida inteira de luta pelo progresso do Irã e da Revolução Islâmica, ele finalmente atingiu sua antiga aspiração, atendeu o chamado divino e aceitou honrosamente a doce graça do martírio, nas trincheiras do serviço."

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BBC
Kaine Pieri e Kate Bowie - Serviço Mundial da BBC; BBC News Persa
postado em 25/03/2026 14:52
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