Independência
O Líbano contemporâneo começa a tomar forma em 1918, com o fim da 1ª Guerra Mundial e o desmembramento do Império Otomano (turco), do qual era província. No imediato pós-Guerra, a recém-formada Liga das Nações colocou o território sob protetorado da França, junto com a atual Síria. Ao fim da 2ª Guerra, em 1945, foi fundada a ONU, e no ano seguinte a República do Líbano passou a ser um dos países-membros.
Sistema político
Com base em recenseamento feito ainda sob autoridade francesa, foi estabelecido em 1943 o Pacto Nacional, que seria a base do futuro Estado e determina a divisão dos poderes entre as comunidades religiosas que formam sua população. Metade das cadeiras no parlamento cabem aos cristãos maronitas e metade, aos muçulmanos, somadas suas diferentes confissões. A presidência da República cabe a um cristão; o cargo de primeiro-ministro, a um muçulmano sunita; a presidência do parlamento, a um muçulmano xiita.
Tensões interconfessionais
Os dados do censo conduzido sob mandato francês foram questionados desde o início pelos muçulmanos, que se consideravam maioria e reclamavam maior peso no sistema político. As tensões se acumularam ao longo dos anos e resultaram em uma crise, em 1958, contornada por uma intervenção militar dos EUA. A entrada progressiva de largos contingentes de palestinos, principalmente a partir de 1971, acirrou os atritos sectários e resultou na eclosão de uma guerra civil.
Guerra civil
Em 1975, as tensões irromperam em confrontos armados entre uma coalizão de milícias cristãs e outra de milícias muçulmanas, apoiadas eventualmente pela minoria drusa e por diferentes facções armadas palestinas. Ao fim de 15 anos de combates, com interferências externas de Síria, Israel, EUA e outras potências ocidentais, um acordo de paz foi firmado em 1990. Desde então, apesar de crises políticas recorrentes, a paz se mantém entre as comunidades, embora os muçulmanos sejam hoje clara maioria e, entre eles, a principal facção seja a xiita.
Invasões israelenses
A presença de guerrilheiros palestinos no sul do Líbano tornou-se fator de repetidos incidentes com Israel, alvo ocasional de incursões e ataques com foguetes katyusha. Em 1978, tropas israelenses invadiram o país por terra pela primeira vez, com resultados apenas temporários. A operação se repetiu, em maior escala, em 1982, quando os invasores chegaram a sitiar a capital, Beirute, e forçar a retirada do país da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e de seu líder, Yasser Arafat. As tropas israelenses recuaram inicialmente para o sul, e mantiveram até 2000 o controle de uma faixa de território libanês fronteiriço.
Hezbollah
O Partido de Deus (Hezbollah, em árabe) foi fundado em 1982, sob a liderança de clérigos xiitas do Vale do Bekaa, inspirados pela Revolução Islâmica de 1979, no Irã. Foi resposta imediata não apenas à ocupação israelense, mas também a abusos da guerrilha palestina contra a população xiita do sul do país. Nos anos finais da guerra civil, sua influência cresceu entre a comunidade, desgostosa com as lideranças tradicionais. Desde o acordo de paz de 1990, tornou-se a única milícia a manter seu dispositivo armado, em nome de combater a ocupação israelense. No período, o Hezbollah travou repetidas escaramuças e ao menos uma guerra (2006) com Israel. Em 2024, como desdobramento da ofensiva de Israel contra o movimento palestino Hamas, na Faixa de Gaza, os xiitas libaneses voltaram a enfrentar as forças israelenses e perderam, em um bombardeio, seu secretário-geral, o xeque Hassan Nasrallah. (SQ)
