Em 15 de março passado, domingo, Mahdi Al Sahily pegou o seu violoncelo e se dirigiu à Rua Abd al-Nour, uma das mais devastadas pelos bombardeios israelenses, no sul de Beirute, capital do Líbano. Sentado sobre as ruínas, o músico libanês começou a tocar. A força e a beleza da música contrastaram com a crueza da destruição e da guerra. Em entrevista ao Correio, ele contou que escolheu melodias do tcheco Antonín Dvorak (1841--1904) e a canção Andantino, do georgiano Aram Khachaturian (1903-1978). "Eu quis enviar uma mensagem de esperança e de paz para o mundo inteiro e para os inimigos do Líbano. A mensagem de que o Líbano é um país de civilização e cultura, e se levantará novamente, será vitorioso", afirmou.
Sahily escolheu as composições de Dvorak e de Khachaturian por sua amplitude emocional. "As melodias de Dvorak frequentemente carregam um calor profundo e agridoce, que pode evocar saudade, memória e resiliência — sentimentos que se adequam a uma mensagem de esperança em meio às dificuldades. O Andantino, de Khachaturian, traz uma qualidade lírica e elegíaca que reconhece a perda, mantendo a dignidade", explicou. Questionado sobre como a guerra entre Estados Unidos, Israel, Irã e Hezbollah o tem afetado, ele respondeu: "Tenho forças para ser paciente e perseverar nesta guerra; devemos perseverar e vencer."
