A Justiça da Itália decidiu extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), presa no país desde julho do ano passado.
A decisão da Corte de Apelação de Roma foi comunicada nesta quinta-feira (26/03). A informação foi confirmada pela defesa de Zambelli na Itália à BBC News Brasil.
Segundo o advogado Pieremilio Sammarco, a defesa da ex-parlamentar vai recorrer da decisão.
Após ser apresentado, o recurso deve ser julgado na Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana.
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Zambelli foi presa na Itália em 29 de julho. A ex-deputada está no país desde junho de 2025, após ter sido condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter supostamente ordenado a invasão do sistema de mandados judiciais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio do hacker Walter Delgatti.
Ela nega seu envolvimento no crime e diz ser perseguida política.
A ex-deputada também foi condenada no Brasil por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.
Zambelli renunciou ao mandato como deputada em 14 de dezembro, após a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) votar pela sua cassação.
A decisão da comissão chegou a ser revertida pelo plenário da Câmara, mas após anulação da sessão pelo STF, Zambelli apresentou sua carta de renúncia.
O Ministério Público da Itália já havia emitido parecer favorável à extradição de Zambelli em outubro.
Segundo Fabio Pagnozzi, advogado da ex-parlamentar no Brasil, a defesão tem agora 15 dias para entrar com um recurso para tentar reverter a decisão da Justiça italiana sobre a extradição. Para o advogado, o processo "vai se arrastar ainda um bom tempo na Itália".
Pagnozzi disse ainda que já há um recurso pendente na Corte de Cassação, relativo ao pedido protocolado pela defesa para a substituição dos juízes do caso.
Por que Carla Zambelli foi condenada?
Carla Zambelli foi acusada pela PGR de planejar e coordenar, com o auxílio do hacker Walter Delgatti, uma invasão ao sistema do CNJ no início de 2023.
Segundo a denúncia, o objetivo da deputada era incluir alvarás de soltura falsos e um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.
Delgatti, que confessou o ataque, foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Ele afirma ter feito a invasão a mando da deputada.
Os dois foram condenados pela Primeira Turma do STF em maio.
Moraes, relator do caso, votou por sua prisão e foi acompanhado de forma unânime pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
No voto que embasou a condenação, Moraes afirmou que Zambelli atuou de forma "premeditada, organizada e consciente", com a intenção de desacreditar as instituições do Estado democrático de Direito.
"Como deputada federal, portanto representante do povo brasileiro e jurada a defender a Constituição, utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário", escreveu o ministro.
A pena, segundo ele, foi agravada pelo "comportamento social desajustado ao meio em que vive a acusada" e pelo "desrespeito às instituições e à democracia".
Zambelli negou envolvimento nos crimes e afirmou que não há provas que a conectem diretamente à invasão.
Ela também acusou Delgatti de ser um "mentiroso patológico" que alterou sua versão dos fatos em pelo menos seis depoimentos.
"A própria Polícia Federal, quando esteve na casa dele, o classificou como mitômano, que mente e inventa histórias", afirmou.
A defesa da parlamentar argumentou que a condenação se baseou exclusivamente nos depoimentos de Delgatti, que seriam contraditórios e imprecisos.
Ela também tem uma segunda condenação na Justiça, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Neste caso, foi fixada pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa.
Zambelli deixou o Brasil após sua prisão ser determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.
A ex-deputada argumentava que estaria protegida de ser extraditada por ter cidadania italiana. Seu nome estava na lista de procurados da Interpol, e o Ministério da Justiça também pediu sua extradição.
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