
Ataques atribuídos ao Irã atingiram alvos estratégicos no Golfo nesta sexta-feira (03/04) e ampliaram a escalada do conflito no Oriente Médio.
No Kuwait, drones atingiram a refinaria de Mina al-Ahmadi, provocando incêndios em diversas unidades, embora não haja registro de vítimas. Autoridades locais também confirmaram danos a uma usina de energia e dessalinização.
Especialistas alertam que esse tipo de instalação é essencial para a região, já que cerca de 90% da água potável no Golfo depende da dessalinização da água do mar — o que eleva o risco humanitário caso novos ataques comprometam esse sistema.
Especialistas destacam que a região do Golfo é extremamente árida e depende quase totalmente dessas estruturas para sua sobrevivência. Sem a dessalinização da água do mar, não apenas o abastecimento seria interrompido, como áreas inteiras poderiam se tornar praticamente inabitáveis, afetando diretamente a vida cotidiana e a estabilidade dos países.
Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Israel intensificaram suas ações contra o Irã. Um bombardeio atingiu uma ponte estratégica próxima a Teerã, na região de Karaj, deixando ao menos oito mortos e quase 100 feridos, segundo autoridades locais.
O episódio marca um novo patamar na ofensiva contra a infraestrutura iraniana. O presidente Donald Trump afirmou que os ataques podem se expandir e indicou que pontes e usinas elétricas estão entre os possíveis próximos alvos.
Também nesta sexta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas forças destruíram aproximadamente 70% da capacidade de produção de aço do Irã.
Segundo o premiê, a ação é uma "conquista tremenda" que privou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) de recursos financeiros e militares.
"Em plena coordenação entre mim e o presidente Trump, entre as Forças de Defesa de Israel (IDF) e as Forças Armadas dos Estados Unidos, continuaremos a esmagar o Irã", disse ele.
Em resposta aos últimos ataques, o Irã lançou mísseis contra Israel durante a madrugada, enquanto as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter realizado ataques no sul do Líbano que resultaram na morte de 15 integrantes do Hezbollah.
A escalada já afeta vários países da região, com registros de interceptações de drones, alertas de segurança e incidentes envolvendo destroços em áreas urbanas.
No campo diplomático, aumentam as tensões e divergências. O presidente francês Emmanuel Macron criticou a condução do conflito, defendendo uma abordagem mais estável e cautelosa diante da gravidade da situação.
Paralelamente, uma votação prevista no Conselho de Segurança da ONU sobre a crise no Estreito de Ormuz foi retirada da agenda sem explicação, sinalizando dificuldades para uma resposta internacional coordenada.
Dentro do Irã, o cenário também é de crescente controle estatal. O país enfrenta um apagão de internet que já dura 35 dias, com a conectividade reduzida a níveis mínimos.
Relatos apontam ainda para o aumento de prisões e execuções ligadas a protestos, indicando que o governo tem intensificado medidas para conter qualquer sinal de instabilidade interna em meio ao avanço do conflito externo.
Histórico do conflito
Os EUA e Israel lançaram sua campanha militar conjunta contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Teerã imediatamente respondeu~, não apenas lançando mísseis contra Israel, mas também com bombardeios contra países do Golfo aliados dos americanos.
Os primeiros ataques dos EUA e Israel tiveram como alvo a infraestrutura de mísseis, instalações militares e os líderes do Irã na capital Teerã e em outras partes do país.
O líder supremo iraniano desde 1989, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante a primeira onda de ataques.
As forças israelenses afirmam que dezenas de outras figuras de alto escalão do poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) também foram mortas.
O filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, foi nomeado seu sucessor no dia 8 de março.
O conflito sofreu rápida escalada, chegando até o Líbano, acumulando mortes e danos por toda a região.
Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Omã e, em particular, os Emirados Árabes Unidos, foram alvejados por Teerã. Além de ataques a bases militares americanas na região, autoridades do Golfo disseram que o Irã visou infraestrutura civil, incluindo aeroportos, hotéis, áreas residenciais e instalações de energia.
O Irã vem usando o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz — vias cruciais para a economia global — como principal ponto de influência.
Os preços do petróleo no mercado internacional tem oscilado e ultrapassaram, em alguns momentos, patamares dos US$ 110.
Os EUA e Israel também atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano (que o Irã defende ser totalmente pacífico) e a infraestrutura de petróleo e gás do país.
Elas incluem a ilha de Kharg, que abriga um importante terminal petrolífero, considerado a tábua de salvação econômica do Irã.
Israel também atacou South Pars, que faz parte do maior campo de gás natural do mundo.
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