
Após a retomada de bombardeios no Líbano nesta quinta-feira (9/4), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou que seu gabinete incie negociações com o Beirute "o mais rápido possível".
Segundo Netanyahu, as conversas terão como foco "desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas" entre os dois países.
O anúncio ocorre um dia depois de Israel ter lançado uma série de ataques aéreos em Beirute, deixando centenas de mortos e hospitais lotados. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 300 pessoas morreram e cerca de 1.000 ficaram feridas.
As Forças de Defesa Israelenses definiram a operação como "a maior operação a aérea do conflito", que atingiu em apenas 10 minutos mais de 100 alvos identificados, entre eles centros de comando e instalações militares do Hezbollah.
Nesta quinta, Israel afirmou ter matado em um dos ataques Naim Qassem, líder do Hezbollah desde 2024. O grupo ainda não confirmou a informação.
O Irã alega que os ataques israelenses "violam flagrantemente" o acordo de cessar-fogo com os EUA. Na quarta-feira o país ameaçou retaliar caso os bombardeios não sejam interrompidos.
Em uma publicação na rede social, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país "manterá o dedo no gatilho" e que "jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses".
Longe de recuar, Israel ordenou na tarde desta quinta a evacuação de moradores de vários subúrbios do sul de Beirute, após anunciar que planeja novos ataques contra a "infraestrutura militar" do Hezbollah.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), Avichay Adraee, informou aos moradores que Israel "não tem intenção de lhes causar danos... portanto, por sua segurança, devem evacuar imediatamente".
Versões contraditórias
EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas na noite de terça-feira (7/4), condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz e ao fim dos bombardeios, mas surgiram relatos conflitantes sobre o que exatamente foi acordado.
Tanto os EUA quanto o Irã negam que o Líbano estivesse incluído no acordo de trégua, o que contradiz a declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações.
Segundo Sharif, o cessar-fogo também passaria a valer no Líbano.
Com os ataques no Líbano, a mídia iraniana afirmou que o estreito foi novamente fechado e petroleiros pararam de passar pela rota.
Inicialmente, os EUA haviam dito que a informação era falsa.
Nesta quinta, Trump publicou na rede Truth Social um alerta ao Irã de que "os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu" se o "acordo real" não for totalmente cumprido.
"Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão em suas instalações no Irã e arredores até que o acordo real seja totalmente cumprido. Se, por qualquer motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então os tiroteios começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu."
"Foi acordado, há muito tempo, e apesar de toda a retórica falsa em contrário, que não haverá armas nucleares e o estreito de Ormuz permanecerá aberto e seguro. Enquanto isso, nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista. A América está de volta!"
Enquanto isso, o programa Today, da BBC, na manhã desta quinta, trouxe uma entrevista com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, na qual ele disse que o Irã enviou uma mensagem ao Salão Oval na noite anterior, dizendo que "não se pode ter tudo".
"Não se pode pedir um cessar-fogo e depois aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas às quais o cessar-fogo se aplica, mencionar o Líbano, e então seu aliado [Israel] simplesmente inicia um massacre."
Ele acrescentou que os EUA "devem escolher" se querem guerra ou paz. "Eles não podem ter as duas coisas ao mesmo tempo."
Questionado se o Irã vai se retirar das negociações caso os ataques israelenses continuem, ele afirmou que o país "está muito focado no bem-estar de todo o Oriente Médio".
Ele ainda foi questionado se o Irã pedirá ao seu aliado militante, o Hezbollah, que pare de disparar foguetes contra Israel a partir do Líbano. Khatibzadeh respondeu que o acordo inclui o Líbano e que o Irã e seus aliados estavam dispostos a "aceitar o cessar-fogo".
O ministro afirmou que o Irã "garantirá a segurança da passagem" pelo estreito de Ormuz, mas a reabertura só ocorrerá "depois que os Estados Unidos de fato retirarem essa agressão", aparentemente referindo-se aos ataques de Israel ao Líbano.
*Esta reportagem está sendo atualizada
- Por que acordo de cessar-fogo com EUA não caiu bem entre os setores linha-dura do Irã
- Como o Paquistão ajudou a mediar cessar-fogo entre EUA e Irã

