
Um ladrão "oportunista" foi condenado a mais de dois anos de prisão por ter roubado uma mochila contendo um ovo Fabergé com incrustações de esmeraldas e um relógio, avaliados em quase US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,2 milhões), em um pub no centro de Londres.
Na ocasião, Enzo Conticello, de 29 anos, roubou a mochila de Rosie Dawson. Ela a havia deixado no chão, entre as pernas, enquanto esperava no lado de fora do pub Dog and Duck, no Soho (centro da capital britânica), no dia 7 de novembro de 2024.
As peças Fabergé estavam na sua mochila, depois que ela as levou para exibição em um evento de trabalho na mesma noite. Elas não foram recuperadas até hoje.
Conticiello também é conhecido como Hakin Boudjenoune. Ele foi condenado pelo Tribunal da Coroa de Southwark, no sul de Londres, ao se declarar culpado de três acusações de falsidade ideológica e outra de roubo, em audiência anterior.
As câmeras de segurança registraram Conticello dentro do pub, tentando roubar a mochila de outra cliente, antes de sair. Posteriormente, ele foi gravado quando subtraía a mochila da vítima.
O tribunal soube que Conticello buscava "dinheiro fácil" e havia entregado a mochila, que também continha um computador portátil e cartões de crédito, para comprar drogas.
Conticello foi relacionado ao roubo da mochila quando tentou usar os cartões bancários de Dawson em uma loja próxima, minutos após cometer o delito.
Oportunidade perfeita
A Fabergé é uma joalheria de luxo de renome mundial. Fundada na Rússia em 1842, ela é famosa pelos seus ovos elaborados com gemas e metais preciosos.
As seguradoras pagaram pelo prejuízo 106,7 mil libras (US$ 143,4 mil, cerca de R$ 726 mil) à empresa Craft Irish Whiskey Company, onde Dawson trabalhava.
Mas o promotor Julian Winship afirmou que só existem sete peças Fabergé como a que foi roubada, cada qual composta por um ovo cravejado de joias, um relógio, uma garrafa de uísque, charutos e um umidificador.
O ovo é feito de ouro amarelo de 18 quilates e sua elaboração exigiu mais de 100 horas de trabalho. Ele é engastado com 104 diamantes e contém uma esmeralda bruta, procedente da Zâmbia.
O relógio que o acompanha é inspirado em uma das "Sete Maravilhas da Irlanda". Ele pesa 22 quilates e é revestido de ouro rosa.
A advogada de Conticello, Katie Porter-Windley, declarou que seu cliente trabalhava como chef de cozinha, mas perdeu o emprego durante a pandemia de covid-19 e se tornou dependente de cocaína.
"Na noite em questão, ele aproveitou uma oportunidade e está sinceramente arrependido pelo seu comportamento", afirmou ela.
Conticello foi preso por outros roubos em Belfast, na Irlanda do Norte, em novembro de 2025, mais de um ano depois do episódio da mochila. E foi relacionado posteriormente ao crime de 2024.
Porter-Windley declarou à Justiça que Conticello não percebeu o valor dos objetos roubados.
Quando a juíza Kate Livesey comentou que o ovo "tinha um aspecto extraordinário", a advogada respondeu que era "tão extraordinário que, com a simples visão, ele não teria conseguido determinar seu valor".
Ao condená-lo a dois anos e três meses de prisão, Livesey afirmou que o roubo, cometido de forma "oportunista", causou "estresse e inconvenientes" a Dawson e sua empresa.
"Dawson descreveu a comoção e o pânico que sentiu ao perceber que haviam roubado a mochila com objetos de grande valor pertencentes à empresa, além do enorme estresse causado pelo incidente", destacou a juíza.
A polícia prossegue na busca do ovo e do relógio. O detetive Arben Morina dirige a investigação.
Ele comentou que "Conticello não teve escrúpulos ao se apropriar dos pertences de outra pessoa e, agora, enfrenta uma pena de prisão por consequência da sua ganância".
"Nossas investigações para encontrar o ovo e o relógio prosseguem e pedimos a qualquer pessoa que tenha alguma informação que entre em contato conosco", concluiu Morina.

