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As 10 melhores séries de TV de 2026 até agora, segundo críticos da BBC

Entre dramas e comédias, os críticos da BBC Caryn James e Hugh Montgomery indicam 10 das melhores séries de TV de 2026 até o momento.

As 10 melhores séries de TV de 2026 até agora, segundo críticos da BBC -  (crédito: Simon Ridgway/HBO)
As 10 melhores séries de TV de 2026 até agora, segundo críticos da BBC - (crédito: Simon Ridgway/HBO)

De uma história de terror de Ryan Murphy, passando por uma criativa comédia dramática baseada em James Bond, até a mais recente série do universo de Game of Thrones, os críticos da BBC Caryn James (CJ) e Hugh Montgomery (HM) selecionam as melhores séries de TV do ano até o momento.

Os números da lista não representam ordem de classificação. Eles foram incluídos apenas para separar as séries com maior clareza.

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Cena da série 'Industry'
Simon Ridgway/HBO

1. Industry

Esta série dramática produzida pela HBO e pela BBC já detém uma longa trajetória desde a sua estreia, em 2020.

Ela começou como um drama rígido e claustrofóbico sobre formandos de Londres que tentam ter sucesso no competitivo mundo bancário.

Mas, na sua quarta temporada, seus jovens protagonistas já detêm poder e seu escopo se ampliou, incorporando os mundos da comunicação, da política e da aristocracia rural britânica.

Sua nova ambição temática é admirável e transforma a série em uma espécie de drama sobre o Ocidente, mas extremamente pessimista. E o mais impressionante é a perspicácia do seu roteiro e das interpretações.

Harper e Yasmin são amigas e rivais ao mesmo tempo. Interpretadas por Myha'la e Marisa Abela, elas continuam a ancorar a série com um frio magnetismo. E Kit Harington nunca esteve melhor como o político e empresário Sir Henry Muck, fracassado e mentalmente despedaçado.

Já se anunciou que a série terá uma última temporada, o que parece correto. E esperamos que, antes de terminar, ela finalmente receba seus merecidos prêmios. (HM)

Industry está disponível no Brasil na HBO Max e na Amazon Prime Vídeo.

Cena da série 'De Belfast ao Paraíso'
Christopher Barr/Netflix

2. De Belfast ao Paraíso

Esta brincadeira de Lisa McGee, criadora da série Derry Girls (2018-2022), é uma mistura de comédia e mistério, que também traz uma viagem de carro pela Irlanda e mais além.

Basicamente, esta é outra de suas histórias sobre amizade entre mulheres, não importa o quanto essas amigas sejam diferentes. Acreditamos que as três heroínas, com pouco menos de 40 anos de idade, tenham se mantido próximas por 20 anos, apesar de terem tomado caminhos diversos.

Robyn é uma refinada, mas ansiosa mãe de três filhos. Saoirse é uma roteirista de TV bem sucedida, claramente envolvida com o homem errado. E a esquisita Dara é a cuidadora da sua mãe, ainda em luto por um romance desfeito com a mulher que era seu verdadeiro amor.

A série é abrangente a ponto de mergulhar nos relacionamentos delas, repletos de tensões e irritações.

Seus episódios, em alta velocidade e repletos de suspense, são cada vez mais bizarros e engraçados. As cenas variam de encontrar o corpo errado em um caixão até sequências de espionagem e sequestro, com atrações românticas ao longo do caminho.

A voz única de McGee surge em uma série repleta de diálogos engraçados e perfeitamente encaixados, ao lado de ação e humor absurdo. (CJ)

De Belfast ao Paraíso está disponível no Brasil na Netflix.

Cena de 'The Beauty: Lindos de Morrer'
Philippe Antonello/FX

3. The Beauty: Lindos de Morrer

O superprodutor Ryan Murphy, de Glee e American Horror Story, parece cada vez mais prolífico. Mas ele definitivamente enfrenta problemas com o controle de qualidade. A série jurídica dramática Tudo É Justo, criticada por todos no ano passado, é um exemplo.

Mas ele, com certeza, tem fortes concorrentes em 2026: História de Amor mostra o relacionamento tragicamente interrompido entre John F. Kennedy Jr. (1960-1999) e Carolyn Bessette (1966-1999). A série foi um verdadeiro sucesso de público, mas recebeu críticas pela sua falta de rigor factual.

Já a série de terror corporal The Beauty: Lindos de Morrer foi um sucesso retumbante.

Baseada em uma história em quadrinhos, ela satiriza a atual era de vaidade com sua história de uma droga maravilhosa que, literalmente, faz as pessoas nascerem de novo como uma versão fisicamente mais atraente de si próprias — com o desagradável efeito colateral de que, em algum momento, elas podem explodir.

A série compartilha grande parte do DNA do filme A Substância (2024) e também não é exatamente sutil ao transmitir sua mensagem. Mas esta não é a questão.

The Beauty: Lindos de Morrer leva você facilmente pelos seus 10 episódios com seu brio descarado, humor e as audaciosas interpretações de atores como Evan Peters, Rebecca Hall, Ashton Kutcher e Isabella Rossellini. E termina com forte suspense, indicando que a segunda temporada certamente está nos planos. (HM)

The Beauty: Lindos de Morrer está disponível no Brasil no Disney+.

Cena da série 'O Gerente da Noite'
Des Willie/Amazon Prime Vídeo

4. O Gerente da Noite

Existem poucas séries com qualidade suficiente para conseguir esperar 10 anos entre uma temporada e outra. Mas este drama de espionagem é uma eletrizante exceção.

Tom Hiddleston interpreta novamente o personagem Jonathan Pine, agora um agente do MI5, o serviço de inteligência britânico. Ele mantém sua forte tensão, mas, de alguma forma, continua sendo infinitamente charmoso.

A primeira temporada esgotou o roteiro do romance homônimo de John le Carré (1931-2020), mas o roteirista David Farr faz um trabalho de primeira ao criar uma nova história, envolvendo intrigas policiais e tráfico de armas na Colômbia, além do envolvimento corrupto do próprio MI5.

Diego Calva traz uma interpretação magnética, digna de um astro, como um novo vilão, o comerciante de armas Teddy dos Santos.

Cenas quentes mostram a atração entre Teddy e Jonathan. Os cenários variam de casas luxuosas até a selva, e a série traz uma agradável surpresa sobre o destino do personagem de Hugh Laurie, Richard Roper, considerado "o pior homem do mundo".

Fiel às suas origens, O Gerente da Noite traz todos os perigos, tensões e glamour das melhores histórias de espionagem. (CJ)

O Gerente da Noite está disponível no Brasil na Amazon Prime Vídeo.

Cena de 'Lord of the Flies'
BBC/Eleven/Lisa Tomasetti

5. Lord of the Flies

Depois do megassucesso global do roteirista Jack Thorne, com a minissérie dramática Adolescência (2025), da Netflix, pode parecer insensato da parte dele trazer outra produção baseada em meninos com comportamento violento.

Mas sua adaptação da renomada parábola de William Golding (1911-1993) sobre um grupo de estudantes isolados em uma ilha deserta é vitoriosa.

Ambientada na mesma época do livro, a minissérie, ainda assim, é inovadora.

A inspirada decisão de apresentar cada um dos seus quatro episódios do ponto de vista de um personagem diferente oferece uma qualidade imersiva, que é intensificada pelos seus visuais sensíveis e extremamente saturados. Isso sem falar na trilha sonora dissonante e perturbadora, do compositor da série The White Lotus, Cristobal Tapia de Veer.

O resultado é um thriller tenso e uma investigação assustadora sobre o lado sombrio da natureza humana, ao lado de um grupo habilmente formado de impressionantes atores infantis.

Fique especialmente atento nos próximos anos a David McKenna, que interpreta o infeliz Piggy. (HM)

Lord of the Flies tem estreia internacional na Netflix marcada para 4 de maio.

Cena de 'O Cavaleiro dos Sete Reinos'
Steffan Hill/HBO

6. O Cavaleiro dos Sete Reinos

Esta intensa série autônoma conta uma história anterior a Game of Thrones, passada no conhecido mundo do escritor George R. R. Martin (1926-2016). Mas sua leveza e seu espírito inovador a diferenciam.

Não existem ferozes intrigas palacianas, já que seu herói, imensamente agradável, é o empobrecido Ser Duncan (Peter Claffey). Ele é de classe baixa, tem pouca estatura e talvez não seja nem mesmo um cavaleiro de verdade, já que ele recebeu o título de forma duvidosa.

Seu inteligente aliado e escudeiro é um personagem ainda mais simpático: um menino irônico conhecido como Egg (o encantador Dexter Sol Ansell).

Existe uma animada ação em estilo medieval com um torneio de justas, mas os personagens são o ponto principal da série.

O ator britânico Daniel Ings está praticamente efervescente como o animado e festeiro Ser Lyonel Baratheon. E um personagem importante da história acaba mostrando que tem relações com uma das muitas famílias reais de Game of Thrones.

Mas, ainda assim, é um prazer assistir a uma série da franquia que não requer conhecimento da genealogia dos personagens para entender o que está acontecendo. (CJ)

O Cavaleiro dos Sete Reinos está disponível no Brasil na HBO Max e na Amazon Prime Vídeo.

Cena de 'The Comeback'
Erin Simkin/HBO

7. The Comeback

O pseudodocumentário de Lisa Kudrow sobre uma atriz de sitcoms, a obsessiva Valerie Cherish, desesperada para permanecer relevante, tem uma trajetória fascinante.

Inicialmente cancelada após uma única temporada em 2005, ela reuniu seguidores e passou a ser cult, retornando a cada 10 anos para refletir sobre o estado do cinema, da TV e da cultura popular, em estilo mordaz e hilariante.

Esta terceira temporada trata da ameaçadora crise da IA em Hollywood. Cherish é contratada para aparecer em uma nova comédia escrita por uma máquina, superando seus escrúpulos com a necessidade de dar continuidade à sua carreira.

Incisiva e satírica, mas com uma corrente de melancolia mais intensa e pungente do que nunca, a série é uma obra de arte sofisticada. Mas o mais importante é que ainda é altamente hilariante.

Observar Valerie Cherish no primeiro episódio, durante os ensaios para uma gravação em Chicago, nos Estados Unidos (uma virada no roteiro perfeita demais para ser descrita em palavras), é uma experiência da qual pode ser difícil se recuperar. (HM)

The Comeback está disponível no Brasil na HBO Max e na Amazon Prime Vídeo.

Cena da série 'Rooster'
Katrina Marcinowski/HBO

8. Rooster

Steve Carell é um mestre da comédia. Ele consegue transformar personagens improváveis em adoráveis heróis da confusão.

E as produções de Bill Lawrence — um dos criadores de Ted Lasso (2020-2023), Falando a Real e muitas outras séries — são profundas e sinceras, sem se tornarem melosas, nem parecerem falsas.

Carell e Lawrence combinaram seus pontos fortes nesta sitcom inteligente, que não tem medo de parecer tola.

Sua premissa é mais do que improvável. O escritor de romances comerciais Greg Russo é contratado para lecionar em uma faculdade que ele visitou por acaso para observar sua filha, uma professora de História da Arte que enfrenta um divórcio público complicado de um colega.

Mas Carell vai além da premissa engraçada. E, com ele, todo o elenco, que inclui Danielle Deadwyler, Phil Dunster (o Jamie de Ted Lasso) e John C. McGinley, que é particularmente engraçado como o reitor da faculdade — amável, sem-noção e fofoqueiro.

A série traz uma sensação leve e descontraída, o que é mais um ponto positivo. Em um cenário de intensos dramas e sitcoms tensas e sérias, Rooster é uma joia. (CJ)

Rooster está disponível no Brasil na HBO Max e na Amazon Prime Vídeo.

Cena de 'A Isca'
Amazon Prime Vídeo

9. A Isca

Se há alguma coisa boa vindo do infinito e cansativo jogo de especulação que é a busca do próximo James Bond, é esta inspirada série criada e estrelada por Riz Ahmed.

O ator britânico-paquistanês indicado ao Oscar interpreta Shah Latif, um astro em ascensão que não teve sorte. Quebrado, ele consegue um teste para interpretar 007.

Depois de conseguir deliberadamente ser fotografado pelos repórteres ao sair do edifício, ele se encontra no centro de um circo midiático, recebendo ataques de todos os lados — desde os que acreditam que Bond deve permanecer sendo um homem branco, até outros muçulmanos, que acham que ele está se vendendo ao interpretar um papel deste tipo.

O mais empolgante é a determinação da série em fugir das classificações. Ao longo dos seus seis episódios com menos de meia hora cada um, A Isca consegue ser uma profunda sátira da própria indústria sobre a difícil questão da "representação", uma deliciosa comédia familiar e um envolvente psicodrama.

Tudo isso recheado com inspirados toques de surrealismo, como a forma em que ela integra diversas sequências de ação de James Bond e, principalmente, quando apresenta uma cabeça de porco dublada por Patrick Stewart. (HM)

A Isca está disponível no Brasil na Amazon Prime Vídeo.

Cena da série 'The Pitt'
Warrick Page/HBO Max

10. The Pitt

Baseada na intensa e empática interpretação de Noah Wyle como o Dr. Robby, esta envolvente série médica encontrou uma fórmula ideal e a transporta perfeitamente para a segunda temporada.

Mostrando em tempo real um único turno de 15 horas em um centro de tratamento de traumas em Pittsburgh, nos Estados Unidos, The Pitt captura (muitas vezes, com detalhes de virar o estômago) as situações de vida ou morte e as histórias pessoais dos médicos, enfermeiras e outros funcionários.

Mesmo os pacientes que estão sendo tratados surgem rapidamente como personagens vívidos, não como meros estudos de caso, de acordo com o tom humano da série.

A nova temporada estreou primeiro no Reino Unido no mês passado, mas, mesmo para os novos espectadores, não é spoiler dizer que Robby, que chega a sofrer de TEPT depois de passar anos tratando pacientes que nem sempre podem ser salvos, está mais no limite do que nunca.

O forte elenco inclui Taylor Dearden se destacando como a superinteligente e neurodivergente Dra. Mel King.

A série tem sido considerada um retorno à televisão mais antiga, com episódios fechados, mas seu ponto central é o retrato atual do estresse da profissão médica. (CJ)

The Pitt está disponível no Brasil na HBO Max e na Amazon Prime Vídeo.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.

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BBC
Caryn James e Hugh Montgomery - BBC Culture
postado em 12/04/2026 19:04
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