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EUA abordam navio com petróleo iraniano, e Trump autoriza tiros contra minas no estreito de Ormuz

Presidente dos EUA afirma ter 'controle total' da passagem em Ormuz e ordena à Marinha atirar contra embarcações que instalem artefatos explosivos no mar

Trump disse à BBC que o governo do Irã está
Trump disse à BBC que o governo do Irã está "louco para fazer um acordo" - (crédito: Getty Images)

Forças dos Estados Unidos abordaram nesta quinta-feira (23/4) um navio que transportava petróleo iraniano no Oceano Índico, informou o Exército americano.

"As forças dos EUA realizaram uma interdição marítima e uma abordagem com direito de visita à embarcação sancionada e sem bandeira M/T Majestic X, que transportava petróleo do Irã, no Oceano Índico", diz comunicado do Departamento de Defesa publicado na rede X.

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O órgão afirma que as Forças Armadas americanas continuarão a interceptar embarcações suspeitas de "fornecer apoio material ao Irã".

Uma interdição marítima consiste na interceptação ou inspeção de uma embarcação por uma marinha, geralmente diante de suspeitas de atividade hostil ou violação da lei.

Os EUA já interceptaram dezenas de navios desde o início do bloqueio do Estreito de Ormuz, no começo do mês. Essas ações não ocorrem nas proximidades do Irã, mas mais ao largo, no Oceano Índico.

Nesta segunda-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA têm "controle total" sobre o estreito.

Em publicação na Truth Social, o presidente disse que ordenou à Marinha que atire contra qualquer embarcação que esteja instalando minas na passagem.

"Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire para matar qualquer embarcação, mesmo que pequena, que esteja colocando minas nas águas do Estreito de Ormuz", escreveu. "Não deve haver hesitação."

Trump afirmou ainda que o Irã está "tendo muita dificuldade para descobrir quem é seu líder". "Eles simplesmente não sabem!", escreveu, alegando uma disputa "LOUCA!" entre "linha-dura" e "moderados".

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os iranianos estão "unidos, mais do que nunca", em publicação na rede X.

A declaração segue comunicado conjunto do presidente iraniano e do principal negociador do país, que também mencionaram uma "unidade de ferro".

Na mensagem, Araghchi afirmou que as "instituições do Estado continuam atuando com unidade, propósito e disciplina".

"O campo de batalha e a diplomacia são frentes plenamente coordenadas da mesma guerra. Os iranianos estão todos unidos, mais do que nunca", diz o texto.

Já o ministro da Defesa de Israel afirmou que o país está preparado para retomar a guerra contra o Irã e levá-lo "de volta à Idade da Pedra".

Israel Katz disse que as Forças Armadas israelenses "aguardam sinal verde dos EUA - antes de tudo para concluir a eliminação da dinastia Khamenei" (o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto por ataques EUA-Israel no primeiro dia da guerra).

Ele também ameaçou atingir infraestruturas energéticas e econômicas do Irã.

"O ataque desta vez será diferente e mortal e trará golpes devastadores nos pontos mais sensíveis, que irão abalar e colapsar suas estruturas", afirmou.

A fala ecoa uma ameaça anterior de Trump, que prometeu bombardear o Irã "de volta à Idade da Pedra" caso não fosse alcançado um acordo "aceitável" para encerrar a guerra.

A mídia iraniana informou, na tarde desta segunda-feira, que sistemas de defesa aérea foram acionados na capital, Teerã.

A agência estatal IRNA afirmou que houve "disparos de artilharia antiaérea" tanto no oeste quanto no leste da cidade. Já a agência Mehr, ligada à Guarda Revolucionária, informou que "sistemas de defesa aérea foram ouvidos em partes de Teerã para conter alvos hostis".

Donald Trump
Getty Images
Trump disse à BBC que o governo do Irã está "louco para fazer um acordo"

Também nesta segunda, Trump disse à BBC que o governo do Irã está "louco para fazer um acordo" para encerrar definitivamente o conflito entre os dois países - atualmente em cessar-fogo.

"Seja lá o que eu estiver fazendo, parece estar funcionando muito bem", disse o líder americano ao ser questionado sobre suas ameaças ao Irã.

Por que os EUA estão bloqueando o Estreito de Ormuz

Desde que o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em 2 de março, logo após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos, a rota se tornou um dos epicentros da atual guerra no Oriente Médio.

Hoje, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passa pelo estreito — não apenas do Irã, mas também de países do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Quase 90% desse volume segue para a Ásia, com a China recebendo cerca de 38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão.

Mesmo sem um bloqueio total, o fluxo de navios caiu drasticamente desde o início do conflito, e o impacto já é sentido nos preços do petróleo em todo o mundo.

O Irã atacou mais de uma dezena de embarcações que tentaram atravessar o estreito, enquanto os Estados Unidos passaram a pressionar aliados europeus a apoiar esforços para reabrir a rota.

Em 10 de março, os EUA afirmaram ter atingido 16 embarcações iranianas que estariam instalando minas na região, no que classificaram como a "onda mais intensa" de ataques até então. Dois dias depois, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, negou a acusação.

Após o cessar-fogo entre EUA e Irã, em 8 de abril, o Irã reabriu a via marítima, mas alertou navios a seguir rotas específicas sob risco de atingir minas. Até o momento, não há relatos de embarcações danificadas por esse tipo de artefato desde o início da guerra.

Em 12 de abril, Trump afirmou que os EUA usariam o cessar-fogo para continuar removendo minas do estreito e disse ter instruído a Marinha a "procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã".

"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar", afirmou à época.

Trump anunciou o bloqueio naval após a primeira rodada de negociações, no início do mês, terminar sem acordo. Questões-chave, como o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, seguem em disputa.

Atualmente, forças americanas conduzem seu próprio bloqueio a embarcações que vão ou vêm de portos iranianos. Ainda assim, dados de rastreamento marítimo analisados pela BBC Verify indicam que alguns navios ligados ao Irã conseguiram cruzar a linha de bloqueio.

O vice-presidente do Parlamento iraniano afirmou nesta segunda que as primeiras receitas provenientes de pedágios já foram depositadas no banco central do país.

O governo dos EUA busca pressionar o Irã atingindo dois pilares econômicos: as taxas cobradas pela passagem no estreito e a receita com petróleo. Trump já disse que "não vai permitir que o Irã ganhe dinheiro vendendo petróleo para quem quiser".

O Irã classifica o bloqueio como "pirataria" e afirma que reabrir plenamente o estreito "não é possível" enquanto os EUA mantiverem a operação naval. Washington, por sua vez, diz que continuará interceptando embarcações suspeitas de "fornecer apoio material ao Irã".

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BBC
BBC Geral
postado em 23/04/2026 16:31
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