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Oposição celebra rejeição de Messias ao STF enquanto governo atribuiu derrota a 'chantagem política'

Advogado-geral da União teve indicação ao STF rejeitada por 42 votos no plenário do Senado.

Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o resultado não representa a opinião do povo e que foi influenciado pelo 'processo eleitoral' -  (crédito: Agência Senado)
Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o resultado não representa a opinião do povo e que foi influenciado pelo 'processo eleitoral' - (crédito: Agência Senado)

A rejeição no Senado do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou uma derrota histórica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (29/4).

Messias recebeu 42 votos contra e 34 a favor à sua indicação. A votação foi secreta, ou seja, não é possível saber como os senadores votaram.

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A última vez que um nome indicado por um presidente foi rejeitado para a Corte ocorreu há 132 anos, durante a administração de Floriano Peixoto.

A rejeição no plenário veio após uma longa sabatina com Messias durante esta quarta-feira, realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O resultado no plenário foi celebrado por parlamentares da oposição, que se manifestaram nas rede sociais.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou da sabatina de Messias, publicou uma mensagem no X afirmando que a rejeição do indicado de Lula mostra "o Brasil tem futuro".

"Por 42 votos a 34, o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro", escreveu.

Assim como ele, o senador Sergio Moro (PL-PR), que durante a sabatina fez críticas à indicação de Messias, alegando "que não era o momento para preenchimento da vaga no STF", também comemorou a rejeição.

"Vitória histórica no Senado Federal da população brasileira. O AGU Jorge Messias foi rejeitado. Queremos um STF independente de Lula e do Poder Executivo, vinculado apenas à lei e à Constituição", escreveu Moro.

Já os senadores Marcio Bittar (PL-AC) e Jorge Seif (PL-SC) ressaltaram a derrota histórica do governo após a rejeição no Senado desde 1894.

"Não era só sobre um nome, era sobre limite. Hoje mostramos que nem tudo passa", disse Bittar.

"A derrota escancara o esgotamento político do governo Lula e aprofunda seu enfraquecimento institucional. Quando um governo perde sustentação para uma indicação dessa envergadura, perde também autoridade política. A base ruiu, a articulação falhou e o sinal é claro: o governo acabou!", acrescentou.

"Hoje mostramos que temos voto para 'impichar'", afirmou Seif, em um vídeo gravado ao lado do deputado federal Mario Frias (PL-RJ).

Por outro lado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) lamentou o resultado da votação e elogiou Messias como "profissional sério e qualificado". Mas deixou um recado aos ministros do Supremo Tribunal: "Que sirva de combustível para a faxina necessária no tribunal", escreveu no X.

Randolfe Rodrigues durante coletiva de imprensa
Agência Senado
Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o resultado não representa a opinião do povo e que foi influenciado pelo 'processo eleitoral'

Na base do governo, a rejeição de Messias foi atribuída a uma "chantagem política" e "pressão do processo eleitoral".

Em uma publicação no X, Guilherme Boulos (PT-SP) ministro da Secretaria-Geral da Presidência criticou o resultado e disse que o Senado "sai menor" desse episódio.

"A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável", escreveu.

Em coletiva de imprensa após a votação, parlamentares de esquerda elogiaram Jorge Messias e lamentaram a rejeição do nome dele.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o resultado não representa a opinião do povo e que foi influenciado pelo "processo eleitoral".

"É uma decisão dos senadores, não é uma decisão do povo brasileiro. O povo brasileiro vai eleger o Lula em outubro", afirmou o petista.

"O processo eleitoral funcionou, teve uma pressão, tiveram vários fatores do processo eleitoral que acabaram impactando nessa decisão."

Já o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou que agora "cabe ao Senado explicar as razões da rejeição" da indicação de Messias.

Messias também falou com a imprensa e disse que era preciso "saber perder".

"Cumpri meu desígnio, participei de forma íntegra durante todo esse processo...A vida é assim, tem dias de vitória, tem dias de derrota. O plenário é soberano. Faz parte do processo democrático saber ganhar, saber perder."

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BBC
BBC Geral
postado em 29/04/2026 21:08
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