O presidente Donald Trump voltou a desfilar, nesta terça-feira (31/3) toda sua impaciência com o que considera a má vontade dos aliados, em especial os europeus, para ajudar a liberar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã. Nomeou o Reino Unido, onde o premiê Keir Starmer vem reafirmando a decisão de "não entrar em uma guerra que não é nossa", citou também a França e chegou a mencionar a disposição de deixar o cenário, mesmo sem a liberação da estratégica via marítima. Embora esteja concentrando tropas na região e ameaçando com uma incursão por terra ou bombardeios maciços sobre a infraestrutura iraniana, Trump insistiu em que "a parte dura está feita" e disse aos interessados que "se virem" para garantir o petróleo de que necessitam.
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"Países como o Reino Unido que reúnam uma coragem tardia, vão até o estreito (de Ormuz) e tomem o petróleo", escreveu o presidente em sua plataforma, a Truth Social. "Vão ter que começar a aprender como lutar por si mesmos: os EUA não vão mais estar lá para ajudar, como vocês não estiveram conosco", emendou. "O Irã foi dizimado, essencialmente", arrematou. "Agora, se virem e garantam o petróleo de vocês."
Em relação ao governo britânico, aliado europeu preferencial, Trump fez pouco do seu poderio naval, hegemônico até um século atrás. "Houve um dia uma grande Marinha Real", debochou. Quanto ao presidente francês, Emmanuel Macron, protestou contra sua decisão de fechar o espaço aéreo para sobrevoos relacionados à guerra no Oriente Médio. "A França não autorizou que aviões com destino a Israel, carregados com suprimentos militares, sobrevoassem o território francês", apontou. "A França tem sido muito pouco útil em relação ao 'açougueiro do Irã', que foi eliminado com sucesso", arrematou, em provável menção ao líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia de bombardeios.
O esgarçamento de alianças históricas e estratégicas, em especial no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (bloco militar liderado por Washington), já causam impacto prático na frente de combate, analisa o professor de relações internacionais Gunther Rudzit, da ESPM. "Os europeus se recusaram a entrar, com a justificativa de que a Otan é uma aliança defensiva, e esta não é uma guerra defensiva", argumenta. "Os danos na Otan já são permanentes. Antes mesmo da guerra, os europeus sabiam que não poderiam contar com o socorro americano."
Missão cumprida
Já no início da noite, na Casa Branca, Trump voltou a dar por cumpridos os objetivos na guerra contra o Irã, embora tenha deixado de lado a meta inicial de derrubar o regime islâmico, assim como ameaças de invadir o país para retirar o urânio enriquecido. Antes, na companhia de comandantes militares, tinha declarada como praticamente neutralizada a capacidade do país para obter armas nucleares e sua capacidade de atacar com mísseis de maior alcance — pela eliminação de estoques e unidades de produção. Mais tarde, no Salão Oval, deu a entender que faltariam apenas alguns arremates, mas que as operação podem estar concluídas "em uma ou duas semanas", mesmo sem acordo fechado com Teerã.
"É possível que Trump se retire da guerra tentando criar a narrativa, para seus eleitores, de que os objetivos foram alcançados: destruição do programa nuclear do Irã, da capacidade missilística ou qualquer coisa que venha a inventar", avalia o professor da ESPM. Uma das questões abertas, porém, é o planejamento do premiê Benjamin Netanyahu, parceiro de primeira hora na ofensiva. "Israel não tem os meios para continuar essa guerra sozinho, porque precisa de muito reabastecimento aéreo americano e, muito provavelmente, vai precisar de 'boots on the ground' (tropas no solo), e não dispõe de condições para isso", observa Gunther Rudzit.
De sua parte, o Irã garante que tem "a vontade necessária" para pôr fim à guerra com os EUA e Israel, nas palavras do presidente Masoud Pezeshkian. Ele insiste, porém, em que não há negociações diretas com Washington, apenas a troca de mensagens via intermediários. "Temos a vontade necessária para pôr fim a esse conflito, desde que sejam cumpridas as condições essenciais, especialmente as garantias requeridas para evitar que a agressão se repita", disse, reiterando uma das principais exigências de Teerã.
