Oriente Médio em convulsão

Trump ameaça "obliterar" polo exportador de petróleo do Irã

Presidente dos EUA avisa que vai aniquilar Kharg, responsável pelo escoamento de 90% da commodity vendida pelo Irã, caso o regime não libere o Estreito de Ormuz. Netanyahu diz que Israel cumpriu "mais da metade" dos objetivos na guerra

Placa em Teerã com a frase
Placa em Teerã com a frase "Cada míssil tem uma mensagem", em alusão à vingança pelos "mártires" - (crédito: Atta Kenare/AFP)

Situada na parte norte do Golfo Pérsico, a 25km da costa iraniana, a Ilha de Kharg — local do principal terminal petrolífero do Irã — está na mira dos EUA. Em publicação na própria plataforma Truth Social, o presidente Donald Trump prometeu "obliterar" a infraestrutura energética da ilha, caso o regime do país persa não suspenda o bloqueio ao Estreito de Ormuz, via marítima por onde passa um quinto do petróleo produzido no mundo. "Se o Estreito de Ormuz não for aberto imediatamente 'às operações', encerraremos nossa agradável 'estadia' no Irã explodindo e destruindo completamente suas usinas elétricas, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as centrais de dessalinização!), nas quais ainda não 'tocamos'", avisou o republicano, que garante estar perto de um acordo para pôr fim à guerra. O Ministério das Relações Exteriores iraniano considera que o plano de 15 pontos apresentado pela Casa Branca contém "exigências em grande parte excessivas, irrealistas e irracionais". 

As ameaças de Trump coincidem com indícios de que os EUA estudam uma ofensiva terrestre, com a mobilização de 7 mil militares. Para Richard Nephew — pesquisador do Centro sobre Política Energética Global da Universidade Columbia —, as palavras de Trump sobre a Ilha de Kharg demonstram "grande desespero". "Ele havia dito que adiaria essa mesma ameaça por 10 dias, em resposta a avanços positivos nas negociações. Afinal, qual é a verdade? Infelizmente, acho que tentar acreditar em qualquer coisa que esse homem diga é tolice", afirmou ao Correio

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No caso da "aniquilação" da Ilha de Kharg por parte dos EUA, Nephew acredita que o Irã atacaria instalações energéticas similares espalhadas pelo Golfo Pérsico. "Os Estados Unidos são absolutamente capazes de realizar esses ataques com risco mínimo para o pessoal americano. Mas esse não é mais o ponto principal. A questão é que fazê-lo acarreta consequências que, a meu ver, seriam consideradas prejudiciais e graves por muitos, incluindo parceiros e aliados dos EUA", advertiu. O estudioso destacou que a Ilha de Kharg é o principal terminal de exportação de petróleo do Irã, responsável por cerca de 90% de suas exportações.

Padre melquita católico grego visita moradores de flat atingido por míssil, em Shefa-Amr, a leste de Haifa, norte de Israel
Padre melquita católico grego visita moradores de flat atingido por míssil, em Shefa-Amr, a leste de Haifa, norte de Israel (foto: Jack Guez/AFP)

"Rachas internos"

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, assegurou que Washington tem recebido "mensagens privadas" positivas do regime iraniano. O chefe da diplomacia dos EUA garantiu a existência de "rachas internos" na República Islâmica, sem especificar. "Há claramente pessoas lá conversando conosco de uma maneira que as autoridades anteriores no Irã não conversaramo", afirmou à rede ABC News. Ele admitiu que o objetivo da guerra é impedir que o Irã produza armas nucleares. "Estas pessoas são lunáticas, insanas. São fanáticos religiosos a quem nunca se deve permitir possuir uma arma nuclear."

Na noite desta segunda-feira (30/3), o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que cumpriu mais da metade de suas metas no Irã. "Definitivamente, cumprimos mais da metade (dos objetivos). Mas não quero estabelecer um calendário", disse à emissora conservadora americana Newsmax. "Acho que o regime (iraniano) vai colapsar por dentro. Mas, neste momento, agora mesmo, o que estamos fazendo é simplesmente degradar sua capacidade militar, balística e nuclear e enfraquecê-los por dentro", disse.

EU ACHO...

Richard Nephew, pesquisador senior do Centro sobre Política Energética Global da Faculdade de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Columbia
Richard Nephew, pesquisador senior do Centro sobre Política Energética Global da Faculdade de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Columbia (foto: Arquivo pessoal )

"Há limites para a coerção econômica. O Irã mostrou resiliência a ela, quando confrontado com exigências inaceitáveis. Creio que Teerã não preferiria esse desfecho e retaliaria. Mas isso não significa que esteja disposto a fazer concessões significativas e severas."

Richard Nephew, pesquisador senior do Centro sobre Política Energética Global da Faculdade de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Columbia

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    Padre melquita católico grego visita moradores de flat atingido por míssil, em Shefa-Amr, a leste de Haifa, norte de Israel Foto: Jack Guez/AFP
  • Richard Nephew, pesquisador senior do Centro sobre Política Energética Global da Faculdade de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Columbia
    Richard Nephew, pesquisador senior do Centro sobre Política Energética Global da Faculdade de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Columbia Foto: Arquivo pessoal
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postado em 31/03/2026 05:50
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