A Agência Espacial Americana (Nasa) compartilhou neste sábado (4/4) uma nova leva de imagens feitas pela tripulação da Artemis 2, enquanto a espaçonave Orion segue em viagem até a Lua.
As novas fotografias mostram os astronautas Christina Koch e Reid Wiseman observando a Terra. A primeira leva de imagens, divulgada na sexta-feira (3/4), era centrada no planeta.
A tripulação — composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e por Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — se prepara para a visita à órbita da Lua, prevista para segunda-feira (6/4).
É esperado que a missão Artemis 2 supere o recorde de distância da Apollo 13 em 6.606 quilômetros e atinja 406,7 mil quilômetros de distância da Terra às 20h05 de segunda-feira.
A missão, com duração prevista de dez dias, encerra um intervalo de 54 anos desde a última vez em que seres humanos orbitaram a Lua.
Como a tripulação se prepara para visitar a Lua
A tripulação acordou ao som de Pink Pony Club, da cantora Chappell Roan, no sábado. A espaçonave estava a aproximadamente 272 mil quilômetros de distância da Terra e a 178 mil quilômetros da Lua.
À noite, os astronautas concluíram uma demonstração de pilotagem manual e revisaram o plano de sobrevoo lunar, encerrando o quarto dia da missão e o terceiro dia completo no espaço.
Koch e Hansen se revezaram no controle da Orion para testar seu desempenho no espaço profundo, a partir das 22h09 (horário de Brasília). Durante 41 minutos, a dupla testou dois modos de propulsão, fornecendo aos engenheiros da Nasa mais dados sobre as capacidades de pilotagem.
O comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover devem repetir a demonstração no oitavo dia de voo (quarta-feira, 9 de abril), para ampliar a coleta de informações sobre a espaçonave.
Os astronautas também revisaram uma lista de características da superfície lunar que deverão registrar e analisar, a pedido de cientistas da Nasa, durante o sobrevoo de seis horas na segunda-feira.
Como será a visita à Lua
O sobrevoo começa às 15h45 de segunda-feira, quando as janelas da cabine principal da Orion estarão voltadas para a Lua e a tripulação estará próxima o suficiente para realizar suas observações.
Os astronautas verão a Lua de um ponto de vista diferente das missões Apollo.
Enquanto os astronautas da Apollo voaram a cerca de 110 quilômetros da superfície lunar, os da Artemis 2 estarão a 6.540 quilômetros no ponto de maior aproximação, previsto para 20h02.
Dessa distância, será possível observar todo o disco lunar de uma só vez.
A tripulação deve fotografar e descrever características como crateras de impacto, antigos fluxos de lava, rachaduras e cristas na superfície lunar. Também observará diferenças de cor, brilho e textura.
São informações que podem ajudar os cientistas a entender a composição e a formação da superfície lunar.
Astronautas verão eclipse do espaço
Ao fim do sobrevoo na órbita da Lua, os astronautas observarão um eclipse solar do espaço, quando a espaçonave Orion, a Lua e o Sol se alinharem. Eles então verão o Sol desaparecer atrás da Lua por cerca de uma hora.
Durante esse período, a Lua estará quase toda escura, permitindo a análise da coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol, que só se torna visível quando a Lua bloqueia a luz solar, formando um halo ao redor do Sol.
Tripulação ficará sem comunicação com a Terra
Quando a espaçonave Orion passar atrás da Lua, os astronautas terão uma interrupção nas comunicações com a Terra, prevista para acontecer a partir de 18h47, com duração de 40 minutos.
Isso acontecerá porque a Lua bloqueia os sinais de rádio entre a Rede de Espaço Profundo, conhecida pela sigla em inglês DSN, e a espaçonave. Interrupções semelhantes ocorreram nas missões Artemis 1 e Apollo.
Assim que a Orion reaparecer, a DSN retomará o sinal e restabelecerá o contato com o controle da missão.
As missões paralelas da Artemis 2
A missão Artemis 2 também prevê atividades voltadas a entender como os sistemas da espaçonave e da tripulação, além de amostras biológicas, respondem ao ambiente do espaço profundo.
Um experimento científico levado na Orion, chamado AVATAR, transporta células de medula óssea derivadas de amostras de sangue da tripulação e ajudará pesquisadores a estudar a resposta do sistema imunológico humano ao espaço.
A análise de biomarcadores imunológicos deve fornecer mais informações, e a tripulação ainda tem previsão de coletar amostras de saliva.
Além disso, a Agência Espacial Alemã (DLR) forneceu à Nasa sensores de radiação M-42, instalados na Orion. Esses dispositivos ajudam a caracterizar os níveis de radiação aos quais a espaçonave estará sujeita.
Por fim, os astronautas utilizam dispositivos de actigrafia — sensores semelhantes a relógios que coletam dados de saúde — e respondem a questionários periódicos sobre as condições a bordo.
Essas medidas devem ajudar a Nasa a aprimorar a eficiência da tripulação em missões futuras.
As imagens espetaculares da Terra
Reveja, abaixo, a primeira leva de imagens do planeta Terra feitas pelos astronautas da missão Artemis 2, divulgadas pela Nasa na sexta-feira.
- Quem são os 4 astronautas que viajam rumo à Lua na Artemis 2 — e o que estão levando com eles no foguete
- Por dentro da sala de controle da Artemis, a nova missão da Nasa à Lua
- Como a nova missão da Nasa à Lua pode beneficiar Trump
- Em imagens, a evolução da sala de controle das missões da Nasa, dos primórdios à Artemis
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