
Em meio a uma guerra impopular no Irã, que elevou os preços de energia e alimentos nos Estados Unidos, a desaprovação do presidente Donald Trump chegou ao nível mais alto de seus dois mandatos, superando a baixa popularidade de janeiro de 2021, após a invasão do Capitólio. Divulgada a seis meses das eleições legislativas, a pesquisa conduzida por ABC News, The Washington Post e Ipsos mostra que o mandatário é reprovado por 62% dos norte-americanos.
Ao mesmo tempo, a agremiação opositora, o Partido Democrata, está cinco pontos à frente na intenção de votos para a Câmara dos Representantes. Historicamente, a combinação de queda de popularidade e fortalecimento da oposição resulta na perda da agremiação do presidente nas eleições de meio de mandato.
A condução da política externa, especialmente diante da escalada de tensões com o Irã, contribui para a impopularidade. Apenas cerca de 32% aprovam a atuação do presidente nesse campo. Ontem, Trump publicou na plataforma Truth Social que conduzirá embarcações pelo Estreito de Ormuz, fechado pelo governo iraniano, a partir de hoje. Sem detalhar, o presidente afirmou que a escolta de navios no canal marítimo, por onde passa de 20% a 30% do petróleo mundial, foi um pedido de “vários países”.
“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que conduziremos seus navios de maneira segura para fora dessas vias navegáveis restritas para que possam continuar com seus negócios de forma livre e eficaz”, escreveu Trump, em sua conta na plataforma. “Esse processo, Projeto Liberdade, começará na manhã de segunda-feira, no horário do Oriente Médio.”
Negociações
Ontem, Trump também disse que diplomatas norte-americanos avançam na negociação do fim da guerra. “Estou plenamente ciente de que meus representantes estão tendo conversas muito positivas com o país do Irã, e de que estas conversas poderiam levar a algo muito positivo para todos", publicou, também no Truth Social.
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores declarou que Teerã havia apresentado a Washington, por intermédio do Paquistão, um plano com 14 pontos para pôr fim ao conflito bélico em 30 dias. Segundo a agência Tasnim, o país exige a retirada das forças norte-americanas de áreas próximas ao território iraniano, a suspensão do bloqueio de portos e de sanções econômicas, entre outros.
Mais do discurso político, o impacto indireto do conflito na economia pesa na avaliação negativa do governo. Segundo a pesquisa, somente 23% dos entrevistados aprovam a condução de Trump nesse campo, especialmente em temas como inflação e custo de vida.
Confiança
Outro destaque do levantamento é a mudança no eixo de confiança econômica. Tradicionalmente favorecidos nesse quesito, os republicanos agora aparecem praticamente empatados com os democratas, que inclusive apresentam leve vantagem em temas ligados ao custo de vida.
Apesar da desaprovação majoritária, Trump mantém apoio sólido entre eleitores republicanos, com índices acima de 80%. Entre democratas, a rejeição é quase total, enquanto entre independentes a aprovação gira em torno de 25%. O padrão reforça a polarização extrema que marca a política norte-americana. O presidente encontra dificuldade para ampliar o apoio fora de sua base, mas preserva seus eleitores.
A média das pesquisas recentes situa a aprovação de Trump entre 34% e 40%, indicando estabilidade em patamar baixo. Para reverter o cenário, analistas têm apontado a necessidade de resultados concretos na economia e de redução de tensões internacionais. Na semana passada, o presidente envolveu-se em mais um embate externo, ameaçando retirar 5 mil soldados norte-americanos da Alemanha. Ontem, o chanceler alemão Friedrich Merz minimizou o conflito. “Não vou deixar de trabalhar na relação transatlântica e não desistirei de trabalhar com Donald Trump”, disse à emissora pública ARD.

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