
A onda gigante de um enorme megatsunami gerado quando parte de uma montanha do Alasca desmoronou no mar é a segunda mais alta já registrada — e um lembrete dos riscos representados pelo derretimento das geleiras, dizem cientistas.
No verão passado, uma onda gigante varreu um fiorde remoto no sudeste do Alasca, deixando destruição em seu rastro.
O evento praticamente não foi noticiado na época, mas uma nova análise científica mostra que ele foi causado por um grande deslizamento de terra.
Incríveis 64 milhões de metros cúbicos de rocha — o equivalente a 24 pirâmides do Egito — despencaram na água abaixo. A força colossal dessa quantidade de rocha caindo no fiorde em menos de um minuto criou uma onda gigantesca de quase 500 metros de altura.
Se isso não tivesse acontecido muito cedo, nas primeiras horas da manhã, vários navios de cruzeiro turísticos poderiam ter sido atingidos pela devastação, dizem os pesquisadores.
Bretwood Higman, geólogo do Alasca, que viu com os próprios olhos os danos no fiorde Tracy Arm, disse que foi “por pouco”.
“Sabemos que havia pessoas que quase estiveram no lugar errado”, disse ele. “Tenho muito medo de não termos a mesma sorte no futuro.”
Essas ondas enormes, chamadas de megatsunamis, acontecem quando um deslizamento de terra causado por um terremoto ou por uma rocha solta atinge a água. Elas geralmente são localizadas e se dissipam rapidamente.
Os outros tipos de tsunamis acontecem em mar aberto e são desencadeados diretamente por terremotos ou, ocasionalmente, por outros eventos poderosos, como vulcões subaquáticos.
Esses — como o tsunami de 2011 no Japão após um forte terremoto — podem viajar por milhares de quilômetros, atingindo áreas povoadas e causando devastação generalizada e perda de vidas.
O maior megatsunami aconteceu em 1958 na baía de Lituya, também no Alasca, e teve mais de 500 metros. Esse megatsunami mais recente no Alasca foi o segundo maior.
Higman chegou ao local algumas semanas após o tsunami no fiorde Tracy Arm — um destino popular entre os navios de cruzeiro que exploram as maravilhas naturais do Alasca.
Ele encontrou árvores quebradas espalhadas pela encosta da montanha e arremessadas na água, além de vastas áreas de rocha sem solo e vegetação.
O Alasca é especialmente vulnerável aos megatsunamis por causa de suas montanhas íngremes, fiordes estreitos e terremotos frequentes.
Agora, uma nova pesquisa publicada na Science sugere que o derretimento de geleiras impulsionado pelas mudanças climáticas está tornando esses colapsos muito piores.
A equipe combinou trabalho de campo, dados sísmicos e de satélite para reconstruir uma cadeia de eventos em efeito dominó e rastrear a altura da onda.
Stephen Hicks, da University College London, disse que anteriormente a geleira estava “ajudando a segurar esse pedaço de rocha” e, portanto, quando o gelo recuou, expôs o fundo do penhasco, “permitindo que o material rochoso desmoronasse repentinamente no fiorde”.
Ele e seus colegas estudam tsunamis há décadas e estão preocupados.
“Agora, mais pessoas estão indo para áreas remotas – geralmente esses cruzeiros turísticos vão ver a beleza natural da área para realmente aprender mais sobre as mudanças climáticas – mas também são lugares perigosos.”
Higman disse que há poucas dúvidas de que os riscos de megatsunamis estão aumentando.
“Neste momento, estou bastante confiante de que eles estão aumentando não apenas um pouco, mas aumentando muito”, disse ele.
“Talvez na ordem de 10 vezes mais frequentes do que eram há apenas algumas décadas.”
Os cientistas estão pedindo um monitoramento mais amplo dos riscos em partes do Alasca que podem ser vulneráveis a megatsunamis.
Algumas empresas de cruzeiros anunciaram que pararão de enviar navios para Tracy Arm em meio a temores de segurança.
Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.
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