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EUA atacam 2 petroleiros de Irã, mas esperam resposta à proposta de paz

Ataque ocorreu no Golfo de Omã, enquanto Washington aguarda resposta iraniana sobre proposta de cessar-fogo

Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, perto da cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã: Washington decidiu fazer escolta na região  -  (crédito: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP)
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, perto da cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã: Washington decidiu fazer escolta na região - (crédito: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP)

Os Estados Unidos atacaram dois petroleiros iranianos na sexta-feira (8/5), mas afirmaram que esperam a qualquer momento uma resposta de Teerã para sua última proposta para pôr fim, de forma duradoura, à guerra no Oriente Médio.

Os navios-petroleiros, que, segundo o exército, não transportavam carga, foram "neutralizados" por um avião de combate no Golfo de Omã, via de acesso ao estratégico Estreito de Ormuz.

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Fragmentos de vídeo em preto e branco difundidos pelo comando militar norte-americano para a região, o Centcom, mostram uma fumaça espessa saindo da parte traseira das embarcações, onde fica a ponte de comando.

Na noite da sexta-feira, ainda não se sabia o estado dos navios-petroleiros e das pessoas a bordo.

Em uma carta dirigida ao secretário-geral da ONU e ao Conselho de Segurança, Teerã denunciou uma "flagrante violação" do cessar-fogo acordado um mês antes.

Uma fonte militar citada pela agência Tasnim informou que os iranianos não ficaram de braços cruzados: "Após um período de troca de disparos, os enfrentamentos cessaram por ora e a calma retornou".

No dia anterior, já tinham ocorrido trocas de disparos.

Teerã bloqueia de fato o Estreito de Ormuz, via-chave para o comércio mundial de hidrocarbonetos, desde o início da guerra em 28 de fevereiro, que já causou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.

Em represália, Washington aplica um bloqueio aos portos iranianos.

O presidente americano Donald Trump disse nesta sexta-feira que espera receber esta noite uma resposta dos iranianos à sua proposta de paz, para além da trégua.

"Supostamente vou receber uma carta esta noite, assim que veremos o que acontece", assegurou aos jornalistas.

Antes disso, seu secretário de Estado, Marco Rubio, havia adiantado que Washington esperava a resposta de Teerã "no decorrer do dia".

Prazos

"Seguimos os nossos próprios processos e não prestamos atenção a esses prazos", respondeu, não obstante, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal. 

Detalhou, isso sim, que o Irã ainda estava analisando a proposta americana.

Rubio também tinha instado os países europeus a ajudar os Estados Unidos a garantir a segurança da passagem por Ormuz.

Mas estes se negaram até agora a se comprometer, enquanto não houver um acordo entre Estados Unidos e Irã.

Por sua vez, o primeiro-ministro do Catar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman al Thani, se reuniu nesta sexta-feira em Washington com o vice-presidente J.D. Vance e discutiu os esforços liderados pelo Paquistão para um fim definitivo da guerra.

Teerã atacou repetidamente alvos no Catar, ao indicar o papel desse rico emirado como sede de uma importante base aérea americana.

Esta queda de braço entre Teerã e Washington se traduziu, além disso, em um tráfego marítimo praticamente paralisado e em altos preços do petróleo.

O barril do tipo Brent fechou a semana, mais uma vez, acima dos 100 dólares.

Como uma bomba atômica

Diante dessas tensões nos mercados e nas cadeias de abastecimento, um assessor do líder supremo iraniano estimou que Ormuz representava para o Irã, banhado pelo estreito, "uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica".

"Ter em suas mãos uma posição que permite influenciar a economia mundial com uma só decisão é uma oportunidade de grande importância", ressaltou.

No Golfo, ao norte de Ormuz, imagens de satélite mostravam uma mancha de petróleo se estendendo em frente à costa da ilha iraniana de Kharg, um terminal-chave de exportação de petróleo para a República Islâmica.

Não está claro de imediato o que causou o vazamento aparente, localizado em frente à costa oeste da ilha e que parece cobrir mais de 52 km², segundo o serviço de monitoramento global Orbital EOS.

Uma dezena de mortos no Líbano

Em paralelo, o Líbano é, desde 2 de março, outra das frentes desta guerra regional, graças aos enfrentamentos entre o movimento islamista Hezbollah, aliado de Teerã, e Israel.

Apesar de uma trégua independente, vigente desde 17 de abril, Israel continua com seus ataques, especialmente no sul de seu vizinho.

Os bombardeios causaram a morte de dez pessoas nesta sexta-feira, entre elas duas crianças e três mulheres, segundo o Ministério da Saúde libanês.

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou dois ataques contra bases militares no norte de Israel.

Estão previstas novas conversas entre Israel e Líbano, às quais se opõe o Hezbollah, em Washington, nos dias 14 e 15 de maio.

"Consolidar o cessar-fogo" faz parte dos "objetivos essenciais" que o Líbano espera desta terceira rodada de negociações com Israel, segundo o ministro das Relações Exteriores, Yussef Raggi.

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postado em 09/05/2026 11:02 / atualizado em 09/05/2026 11:20
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