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As contradições que família Bolsonaro e produtores do filme 'Dark Horse' acumulam uma semana após revelação de investimento atribuído a Vorcaro

Filhos do ex-presidente e produtores do filme sobre Jair Bolsonaro apresentam versões divergentes e série de recuos ao se manifestar sobre papel de Daniel Vorcaro na produção.

O ator Jim Caviezel em imagem do filme <em>Dark Horse</em>, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro -  (crédito: Reprodução)
O ator Jim Caviezel em imagem do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro - (crédito: Reprodução)

Uma semana após o site The Intercept Brasil publicar uma reportagem dizendo que Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, teria recebido milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, os filhos do ex-presidente e os produtores da obra acumulam uma série de contradições sobre quem financiou a produção e qual teria sido o papel do dono do Banco Master, que está preso.

A mais recente vem do deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo e roteirista de Dark Horse (Azarão, em português). Após ter dito em comunicados nas redes sociais que não havia utilizado "um único centavo" do banqueiro, Frias voltou atrás e afirmou nesta segunda-feira (19/5) à emissora SBT News que não está "arrependido de ter recebido financiamento de Vorcaro para o filme".

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A mudança na postura se deu após o The Intercept Brasil publicar um áudio no qual o deputado agradece ao banqueiro pelo apoio. "Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?", Frias diz na gravação, que, segundo o The Intercept, seria de 11 de dezembro de 2024.

O áudio teria sido enviado pouco após um encontro previsto entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O primogênito do ex-presidente, segundo outra gravação revelada pelo The Intercept, teria pedido R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar a produção do longa-metragem.

A imagem mostra um homem de terno escuro usando a faixa presidencial e segurando uma bandeira do Brasil junto ao peito, com a cabeça baixa. Ao fundo, aparecem o Congresso Nacional, em Brasília, além de faixas com as frases “Você não está sozinho, capitão!” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
Reprodução
O ator Jim Caviezel em imagem do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Nesta terça-feira, Flávio admitiu ter visitado a casa de Vorcaro, após o dono do Master ter sido preso, em novembro de 2025, ocasião em que o banqueiro usava tornozeleira eletrônica. O encontro veio à tona após publicação de reportagem do portal Metrópoles, e o senador confirmou o episódio a jornalistas.

"Eu fui, sim, ao encontro dele, para botar um ponto final nessa história. E dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, já teria ido atrás de outro investidor [para o filme] há muito mais tempo", afirmou Flávio, depois de uma reunião com bancadas do PL da Câmara dos Deputados e do Senado em Brasília.

Mario Frias diz que não se arrepende

Frias afirmou, ao republicar no Instagram trechos da conversa que teve com os apresentadores do SBT News, que não se arrependia de sua relação com Vorcaro.

"Jornalista me pergunta se estou arrependido de ter recebido financiamento para o filme através do Daniel Vorcaro. Minha resposta é: NÃO. Mas agora eu pergunto: e a Globo, está arrependida de ter recebido 160 milhões em investimentos?", escreveu o deputado na legenda da publicação.

"A Globo não sabia e a gente tem que partir do princípio de que não há culpa, da mesma maneira que eu respondo para você. Fizemos um projeto sério, com prestação de contas que a gente vai apresentar. O filme está pronto, também vai ser exibido, se a gente não for censurado no Brasil. Não devo e não temo", Frias disse.

O deputado, que foi o secretário de Cultura mais longevo do governo de Jair Bolsonaro, afirmou ainda ao SBT News que soube recentemente que está envolvido na investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Banco Master. Ele disse que está nos Estados Unidos, mas prometeu voltar ao Brasil e acrescentou que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse.
Reprodução
Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse

Papel de Eduardo Bolsonaro

Outro a divulgar posicionamentos sobre o caso considerados conflitantes foi o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Primeiro, ele disse que não exerceu qualquer posição nos bastidores além de ceder os direitos de uso de sua imagem. Depois, admitiu ter assinado um contrato para gerir financeiramente a produção. Eduardo voltou atrás também após a publicação de uma reportagem do The Intercept, que revelou uma cópia do documento.

Também houve divergências entre versões apresentadas por Flávio e produtores do filme. Flávio disse que US$ 12 milhões, equivalentes a cerca de R$ 60,6 milhões, foram fornecidos por Vorcaro para patrocinar Dark Horse.

Mas Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp Entertainment, a principal empresa responsável pelo filme, afirma que não houve aporte do banqueiro nos bastidores — o que gerou questionamentos sobre o destino da verba que Flávio diz ter recebido.

Em entrevista à emissora GloboNews nesta terça-feira, Gama afirmou que o longa-metragem já consumiu cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões na cotação atual do dólar, mas que Vorcaro teria atuado como intermediador da verba, não como investidor.

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BBC
BBC News Brasil em Londres
postado em 20/05/2026 16:14
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