GUERRA EM GAZA

Israel se prepara para expulsar ativistas da flotilha com destino a Gaza

A maioria dos participantes da flotilha humanitária estava sendo transferida para o Aeroporto Ramon

Ativistas realizam um protesto contra a interceptação, por Israel, de navios participantes da Flotilha Global Sumud, uma missão humanitária liderada por civis para Gaza por via marítima, em Surabaya, em 21 de maio de 2026.  -  (crédito:  AFP)
Ativistas realizam um protesto contra a interceptação, por Israel, de navios participantes da Flotilha Global Sumud, uma missão humanitária liderada por civis para Gaza por via marítima, em Surabaya, em 21 de maio de 2026. - (crédito: AFP)

Ativistas estrangeiros da flotilha de Gaza, capturada no mar por Israel, devem começar a ser deportados nesta quinta-feira (21), após a indignação internacional provocada por um vídeo de um ministro do governo que os mostra sendo humilhados na detenção. 

A maioria dos participantes da flotilha humanitária estava sendo transferida para o Aeroporto Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem deportados, informou nesta quinta-feira a organização israelense de direitos humanos Adalah, que presta assistência jurídica a eles. 

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Os cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre. 

Eles foram então levados à força para Israel e detidos na prisão de Ktziot, informou a Adalah. 

A ONG havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer perante os tribunais com vistas à sua expulsão, mas um porta-voz da organização contatado pela AFP, Moatassem Zeidan, indicou que, em última instância, "eles não serão levados perante os tribunais".

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, anunciou que seu país organizará "voos especiais" nesta quinta-feira para repatriar seus cidadãos e os de "terceiros países". 

No entanto, um ativista alemão-israelense que viajava no mesmo comboio marítimo, que partiu da Turquia depois que Israel interceptou uma flotilha anterior com destino a Gaza na costa da Grécia em abril, terá que comparecer perante um tribunal em Ashkelon. 

Os militantes da "Global Sumud Flotilla" ("sumud" significa resiliência em árabe) queriam chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre o Hamas e Israel, ao romper o bloqueio marítimo que o Estado israelense impõe ao pequeno território costeiro palestino.

- Golpes e intimidações -

"Israel tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na quarta-feira, referindo-se ao movimento islamista palestino que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023. 

Na quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma figura da extrema direita responsável pela polícia e administração penitenciária, provocou indignação internacional e até mesmo dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos militantes da flotilha ajoelhados com as mãos amarradas. 

"Bem-vindos a Israel, estamos em casa", proclama ele de modo triunfal no vídeo, publicado em seu canal no Telegram e no X, com o hino nacional israelense tocando ao fundo. 

As imagens mostram dezenas de ativistas ajoelhados lado a lado, com os rostos pressionados contra o chão e as mãos amarradas, no convés de um navio da Marinha israelense. 

Uma jovem que gritou "Palestina livre" enquanto o ministro passava acabou com a cabeça pressionada contra o chão por forças de segurança.

As imagens divulgadas "não estão de acordo com os valores de Israel", declarou o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, acusando Ben Gvir de "prejudicar deliberadamente" a imagem do país. Ben Gvir, por sua vez, defendeu-as como "um grande motivo de orgulho".


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HA
postado em 21/05/2026 09:23
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