
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi recebido nesta terça-feira (26/5) em Washington, capital dos Estados Unidos, pelo presidente Donald Trump.
O senador publicou uma foto do encontro no Instagram. Na foto, Trump aparece sentado na mesa do Salão Oval da Casa Branca, e Flávio em pé ao lado do presidente americano.
O encontro ocorre no momento mais crítico da pré-campanha de Flávio à Presidência.
Pesquisas de intenção de voto registraram uma queda nos índices de Flávio após a revelação de que o senador pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, para supostamente financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).
A BBC News Brasil acompanhou a viagem de Flávio e estava a bordo do mesmo voo do senador. A reportagem conseguiu falar com Flávio na chegada dele ao Aeroporto Internacional de Guarulhos — de onde o voo partiu rumo à capital dos EUA — e durante a viagem.
Nas duas ocasiões, Flávio evitou dar detalhes sobre sua possível reunião com Trump.
"Não posso dar detalhes. A orientação é que não falássemos nada antes da reunião acontecer", disse Flávio à BBC News Brasil.
Nos bastidores, assessores e parlamentares próximos ao senador afirmam que o convite a Flávio teria sido feito pela Casa Branca após contatos intermediados pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
A BBC News Brasil entrou em contato com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e a Casa Branca, mas não obteve retorno.
Em busca de um encontro com Trump
O voo, de nove horas entre São Paulo e Washington, chegou à capital americana às 6h da segunda-feira (25/5).
A expectativa é de que, além da reunião com Trump, Flávio tenha reunião com integrantes do segundo escalão do Departamento de Estado.
O secretário de Estado, Marco Rubio, não estará em Washington durante a passagem do senador brasileiro pela cidade. Rubio está na Índia, enquanto os Estados Unidos negociam um possível acordo com o Irã.
No comando da campanha de Flávio, o plano é que o encontro com Trump interrompa uma sequência de semanas negativas, desde a revelação da ligação do senador com Vorcaro.
As duas pesquisas de intenção de voto mais recentes, do Datafolha e da Atlas/Intel, mostram que ele registrou uma queda tanto nas simulações de primeiro turno quanto no segundo.
Antes do caso, Flávio aparecia numericamente a frente de Lula nos cenários de segundo turno, agora, ele aparece atrás. O agregador de pesquisas da BBC News Brasil também aponta essa tendência.
PCC e CV na pauta
No desembarque, Flávio Bolsonaro e seu segurança tomaram a fila destinada a passageiros com passaporte diplomático, como de praxe para autoridades, e passaram pela imigração.
Questionado pela BBC News Brasil, Flávio disse que ainda não tinha uma pauta definida para a reunião com Trump e que iria alinhar com auxiliares os temas a serem abordados no encontro.
A BBC News Brasil apurou que um dos temas que Flávio gostaria de abordar é a designação pelos Estados Unidos de organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como entidades terroristas.
Flávio vem defendendo essa tese enquanto o governo Lula rebate afirmando que isso poderia ser usado para justificar eventuais ações militares americanas em território brasileiro.
A relação Lula-Trump
Enquanto a comitiva de Flávio Bolsonaro se preparava para o encontro com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve se candidatar à reeleição, adota cautela diante de um encontro cujo resultado pode ser imprevisível, segundo um alto oficial do governo.
Apesar da recente aproximação entre o petista e Trump, parte do governo Lula expressa desconfiança sobre se o governo americano vai manter sua neutralidade ao longo das eleições deste ano.
A avaliação de interlocutores do governo Lula é de que a ida de Flávio a Washington é uma tentativa da sua pré-campanha de mudar o foco das suspeitas sobre seu vínculo com Vorcaro e produzir alguma agenda positiva.
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