Eleições

Colômbia vai às urnas em disputa que testa legado de Gustavo Petro

Primeiro turno neste domingo (31/5) opõe continuidade do projeto de esquerda e avanço da direita em cenário de polarização

O pleito definirá se a Colômbia seguirá no caminho à esquerda iniciado pelo atual governo ou se retornará a um modelo político conservador -  (crédito: Reprodução/Freepik)
O pleito definirá se a Colômbia seguirá no caminho à esquerda iniciado pelo atual governo ou se retornará a um modelo político conservador - (crédito: Reprodução/Freepik)

Os colombianos vão às urnas neste domingo (31/5) para o primeiro turno das eleições presidenciais em uma votação considerada decisiva para o futuro político do país e vista por analistas como um teste direto ao legado do presidente Gustavo Petro. O pleito definirá se a Colômbia seguirá no caminho à esquerda iniciado pelo atual governo ou se retornará a um modelo político conservador, associado à direita e predominante nas últimas décadas.

Para a professora Glória Maria Vargas López, do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), o cenário eleitoral vai além da escolha de um novo presidente. “Essas eleições não são apenas para escolher um novo presidente. É uma votação sobre se o país pretende manter ou virar a página do governo Petro”, afirmou ao Correio.

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Segundo a especialista, o principal fator que explica a disputa é a divisão entre dois projetos políticos. De um lado, está uma parcela do eleitorado que busca consolidar as mudanças promovidas por Petro. Do outro, forças políticas tradicionais tentam retomar espaço e preservar o modelo institucional que historicamente dominou o país.

Política de "Paz total"

A eleição também tem sido interpretada como uma espécie de referendo sobre a gestão do atual presidente, ou seja o pleito funcionaria como uma espécie de avaliação popular. Impedido constitucionalmente de disputar a reeleição, Petro acompanha de perto o desempenho de Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e considerado o herdeiro político.

“Se Cepeda for eleito, a vitória também será interpretada como uma aprovação do legado de Petro”, explica Glória. Segundo ela, a própria imprensa internacional tem tratado o pleito como um julgamento do ciclo político iniciado em 2022, quando Petro se tornou o primeiro presidente de esquerda da história recente colombiana.

Além disso, a disputa se dá em um contexto de insatisfação crescente com a segurança pública, tema que se tornou central na campanha. O aumento da percepção de violência, associado à expansão territorial de grupos armados e às críticas à política de “Paz Total”, adotada por Petro para negociar com organizações como dissidências das Farc e o ELN, impactou o comportamento do eleitorado.

“Essa política é percebida por parte da população como ineficaz, o que tem repercutido negativamente sobre Cepeda”, avalia a professora. Ela destaca que, diante do aumento da violência, é comum que eleitores busquem candidatos com discursos mais alinhados à direita e a propostas mais rígidas na área da segurança.

Intenções de votos 

De acordo com o rastreador de pesquisas do AS/COA, Iván Cepeda aparece numericamente à frente na corrida, com cerca de 36% das intenções de voto. O candidato defende a continuidade das reformas sociais e econômicas iniciadas por Petro, além do aprofundamento da política de negociação com grupos armados.

Na segunda posição está Abelardo de la Espriella, com aproximadamente 31,5%. O candidato ganhou força com um discurso centrado no combate ao crime e na redução do papel do Estado na economia.

Para Glória, o crescimento de De la Espriella reflete, em parte, a insatisfação com a segurança pública. “Ele se apresenta como uma espécie de Bukele colombiano, capitalizando a demanda por respostas mais duras diante da violência”, afirma.

Já Paloma Valencia aparece em terceiro lugar, com cerca de 16%. Ligada ao campo político do ex-presidente Álvaro Uribe, ela representa uma direita mais moderada em comparação com De la Espriella. Sua plataforma combina endurecimento no combate ao crime com propostas de austeridade fiscal e simplificação tributária.

Segundo a professora, as diferenças entre os candidatos também passam pela visão sobre o papel do Estado e as negociações com grupos armados. Enquanto Cepeda defende maior intervenção estatal e a ampliação do gasto social, De la Espriella aposta em desregulação econômica e redução de impostos. Valencia, por sua vez, propõe equilíbrio fiscal com forte investimento em defesa.

Cenário das eleições

Apesar da liderança de Cepeda nas pesquisas, o cenário segue aberto. “Ainda há margem para mudança, porque existe uma taxa significativa de eleitores indecisos e a diferença entre os principais candidatos é volátil”, pondera Glória.

Além disso, a tendência é de que a disputa avance para o segundo turno, marcado para 21 de junho. Para a especialista, essa etapa poderá ter peso ainda maior do que a votação deste domingo. “O segundo turno será decisivo e pode aprofundar a divisão política no país”, afirma.

Além dos impactos internos, o resultado da eleição terá repercussões para toda a América Latina. “A Colômbia é um ator estratégico na região. Uma vitória da esquerda pode representar contenção ao avanço conservador no continente, enquanto uma vitória da direita reforçaria movimentos liberais e ampliaria a influência dos Estados Unidos sob comando de Donald Trump”, conclui.

Para vencer em primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos. Caso contrário, um segundo turno será realizado com os candidatos mais votados. Mais de 41 milhões de colombianos estão registrados para votar. 

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postado em 30/05/2026 21:57
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