Ao completar um ano de pontificado, Leão XIV comemorou no melhor estilo de sua missão pastoral: com o povo. O líder da Igreja Católica deixou Roma para visitar Nápoles e Pompeia, no sul da Itália. Pela manhã, em Pompeia, cidade devastada pela erupção do Vesúvio, o papa americano foi ao santuário da Virgem do Rosário e rendeu um tributo aos restos mortais de Bartolo Longo — figura do século 19 que retornou ao catolicismo depois de ter sido um sacerdote satânico. "Que dia maravilhoso, quantas bênçãos!", declarou o pontífice diante de uma mutidão de fiéis, entre eles 400 enfermos e pessoas com deficiência. O próprio santuário tinha sido mencionado em suas primeiras palavras como sucessor de São Pedro, logo depois do conclave, em 8 de maio de 2025.
O segundo compromisso de Leão XIV, em Nápoles, incluiu a veneração das relíquias de São Januário, padroeiro da cidade. O papa abençoou o sangue de São Januário, que liquefez-se em 2 de maio — o suposto milagre ocorre três vezes ao ano. Os fiéis veem isso como um sinal de proteção para a cidade. Ao saudar a multidão na Praça do Plebiscito, Leão XIV foi surpreendido com um presente: uma pizza personalizada.
"Pensei ser boa ideia oferecer a tradição napolitana ao Santo Padre. Fiz a pizza com o nome dele. Ele ficous surpreso e contente", disse ao Correio Gino Sorbillo, dono da Sorbillo, famosa pizzaria de Nápoles. "Um de meus pizzaiolos conseguiu driblar a segurança e se aproximou do papa", acrescentou. Leão XIV recebeu o presente com um "Taí!" e "Obrigado!", além de tirar uma foto com o homem.
Roberto Regoli, especialista em história da Igreja Católica da Pontifícia Universidade Gregoriana (em Roma), avaliou o início do papado de Leão XIV como "um ano de serenidade". "Leão XIV começou o pontificado em meio ao Ano do Jubileu e não pôde definir imediatamente um rumo próprio. Tudo havia sido predeterminado por outros, até mesmo a viagem internacional à Turquia e ao Líbano. O seu pontificado começou, mesmo, apenas no fim do Jubileu, ou seja, em 7 de janeiro deste ano", disse.
Segundo Regoli, Leão XIV é "mais um homem de palavras do que de atos sensacionais". "É um homem de moderação, não de hipérbole. Em termos de vida eclesial, os discursos mais significativos foram sobre colegialidade e a retomada do Concílio Vaticano II."
