Ativistas pelo meio ambiente estão instando as estrelas de cinema a optarem por trens ou voos em classes econômicas para viajar ao Festival de Cannes e a abrir mão dos jatos particulares, responsáveis, segundo eles, pelo consumo de 200 mil toneladas de querosene no ano passado.
"O fato de pessoas ricas e famosas queimarem um combustível que se tornou escasso para ir a um festival de cinema não só mostra a cegueira, é obsceno", declarou Anthony Viaux, ex-piloto da Air France e um dos signatários do apelo.
No ano passado, 750 jatos privados transportaram estrelas de todo o mundo e dirigentes dos estúdios de Hollywood a Cannes, segundo estimativas da ONG Transport and Environment (T&E).
"É o equivalente ao consumo de combustível necessário para transportar 14 mil passageiros entre Paris e Atenas", afirmou, nesta quinta-feira (14), Jérôme du Boucher, responsável pela aviação na T&E, à AFP.
A organização pede ao governo francês que proíba os jatos privados "em um contexto de crise climática e de choque do petróleo", enquanto a guerra no Oriente Médio desencadeou uma crise energética mundial.
Katie Thompson, ex-piloto de aviões particulares, pede que as estrelas sigam o exemplo do ator de "Narcos", o chinelo-americano Pedro Pascal, que pegou um voo comercial para Cannes no ano passado. "Pedro Pascal veio para Cannes na classe econômica. Não há razão para que os demais não façam o mesmo", disse.
"Em um momento em que enfrentamos escassez de combustível, parece absolutamente evidente que este querosene deveria ser reservado para usos mais essenciais", acrescentou Jérôme du Boucher.
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