O trabalhista Wes Streeting, secretário de Saúde britânico, anunciou a renúncia e abriu caminho para desafiar o primeiro-ministro e líder trabalhista Keir Starmer no comando do partido e do Reino Unido. Imerso em uma crise de credibilidade dentro da legenda, depois de revés histórico nas eleições locais e regionais de 7 de maio, Starmer está com o cargo por um fio. Na carta de demissão, Streeting admitiu que "perdeu a confiança" na liderança do premiê. "É evidente que você não liderará o Partido Trabalhista nas próximas eleições parlamentares", previstas para 2029, disse Streeting. O agora ex-titular da Saúde cobrou "visão" para o Partido Trabalhista e denunciou um "vácuo" de poder.
Streeting também defendeu "amplo debate, apoiado pela maior variedade possível de candidatos", a fim de assegurar o futuro do Partido Trabalhista. Apesar de o secretário demissionário não ter postulado seu nome para concorrer à liderança da legenda, a renúncia de Streeting intensifica a pressão sobre o primeiro-ministro. Ao menos 86 deputados trabalhistas, dos 403 que o partido detém no Parlamento (de um total de 650 eleitos), pediram sua renúncia. O lançamento de uma campaha para substituir Starmer exige o apoio de 81 parlamentares, ou 20% dos integrantes do Partido Trabalhista.
As especulações para a sucessão na 10 Downing Street começaram. Além de Streeting, outros potenciais nomes são o de Angela Rayner — ex-braço direito de Starmer e popular entre a ala esquerda do partido — e o de Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester. A trajetória de Burnham, no entanto, parece mais complicada: ele precisaria ser eleito deputado em Westminster, antes de participar do desafio a Starmer.
De acordo com Tim Bale, professor de política da Queen Mary University of London, o Partido Trabalhista sofreu perdas catastróficas nas eleições municipais da Inglaterra na semana passada, assim como nas eleições legislativas na Escócia e no País de Gales. "As pesquisas de opinião confirmaram as projeções que mostram o partido com menos de 20% das intenções de voto e Keir Starmer como um dos primeiros-ministros mais impopulares da história do país. Os parlamentares trabalhistas estão — compreensivelmente — em pânico", afirmou ao Correio.
Bale acredita que é questão de tempo antes que Starmer seja desafiado e substituído por outro trabalhista. "É improvável que dure mais do que alguns meses. Especialmente agora que o favorito para assumir o cargo — ou seja, o prefeito de Manchester, Andy Burnham — parece que poderá se tornar deputado novamente em breve", comentou. "A renúncia do secretário de Saúde, Wes Streeting, provavelmente dará início a uma longa disputa. No entanto, é improvável que Streeting, mesmo que entre nela, consiga vencer. Burnham é muito mais popular."
