A Organização Mundial da Saúde declarou, neste domingo (17/5), que o surto de ebola que afeta a República Democrática do Congo (RDC) configura uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Até o momento, foram registradas 88 mortes provavelmente causadas pelo vírus no país, assim como um óbito em Uganda, de um total de 336 casos suspeitos, segundo um balanço divulgado neste sábado (16) pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, agência de saúde da União Africana com sede em Adis Abeba.
Como o foco da epidemia se encontra em uma área de difícil acesso, poucas amostras puderam ser analisadas em laboratório e os balanços se baseiam principalmente em casos suspeitos.
As análises laboratoriais concluíram que se trata da cepa Bundibugyo do vírus.
Não existe vacina contra essa variante nem mesmo "tratamento específico", lembrou neste sábado, em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba.
"Com esta cepa, a taxa de letalidade é muito alta, pode atingir 50%", destacou o ministro.
O episódio mais recente da febre hemorrágica altamente contagiosa, declarado em agosto de 2025 no centro do país e contido em dezembro, deixou pelo menos 34 mortos.
A epidemia mais letal na República Democrática do Congo, entre 2018 e 2020, provocou quase 2.300 mortes entre 3.500 doentes.
A transmissão do vírus entre humanos ocorre por meio de fluidos corporais ou por exposição ao sangue de uma pessoa infectada, viva ou morta. As pessoas infectadas só se tornam contagiosas após o surgimento dos sintomas, com um período de incubação de até 21 dias.
Na RDC, as autoridades fizeram poucos testes laboratoriais na capital, Kinshasa. Mas, segundo os primeiros resultados, com oito casos confirmados de ebola entre 13 amostras analisadas e um número elevado de casos suspeitos, a epidemia parece propagar-se rapidamente.
O Ministério da Saúde de Uganda informou na sexta-feira a morte, em decorrência do vírus, de um congolês de 59 anos na quinta-feira em um hospital de Kampala, a capital do país.
O ministério ressaltou que, até o momento, não foi registrado nenhum "caso local".
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