
O Marrocos é o primeiro adversário do Brasil nesta Copa do Mundo. As equipes se enfrentam neste sábado (13/6) às 19h (horário de Brasília) pelo grupo C. Mas o que se pode esperar da equipe no torneio?
A seleção marroquina colocou o futebol árabe no mapa quando se tornou a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal, na Copa do Mundo de 2022.
Neste ano, a seleção marroquina garantiu sua vaga no Mundial com facilidade, vencendo os oito jogos que disputou nas eliminatórias.
A equipe terminou na liderança de seu grupo nas Eliminatórias com nove pontos de vantagem sobre o segundo colocado, marcando 22 gols e sofrendo apenas dois ao longo da campanha.
Mas o treinador Walid Regragui, nome por trás desse sucesso, já não está mais no comando e deixou a seleção em março.
O novo técnico Mohamed Ouahbi, um ex-professor de 49 anos, foi considerado o sucessor natural depois de conduzir o Marrocos ao título da Copa do Mundo Sub-20 em 2025.
Ele passou mais de uma década trabalhando nas categorias de base do Anderlecht e ajudou a desenvolver diversos jogadores que posteriormente defenderam a seleção belga, entre eles Jérémy Doku e Youri Tielemans.
A expectativa é que o novo técnico adote uma abordagem menos cautelosa, já que Regragui foi criticado por torcedores por uma percepção de falta de intenção de ataque.
A equipe deve entrar com uma formação mais distribuída, que em alguns momentos pode se aproximar do 4-3-3, tentando atacar por espaços livres e explorar cruzamentos diretos para a área adversária.
Também será interessante observar como Ouahbi integrará o jovem meio-campista Ayyoub Bouaddi à equipe. Aos 18 anos, ele era capitão da seleção sub-21 da França há apenas alguns meses, e sua convocação representa uma clara demonstração de ambição por parte do Marrocos.
Quais são os pontos fortes e fracos do Marrocos?
Os contra-ataques têm sido uma das principais armas do Marrocos nos últimos anos, e a expectativa é que isso não mude. A velocidade que a equipe possui — especialmente pelos lados do campo — pode ser devastadora para os adversários.
O elenco parece bem equilibrado e reúne uma combinação de jogadores experientes e jovens talentos.
A seleção também se destaca nas jogadas de bola parada.
No entanto, a equipe costuma ter dificuldades contra adversários que atuam com linhas baixas e forte concentração defensiva, e há também vários jogadores recém-chegados ao elenco que ainda não foram testados nesse nível de competição.
Além disso, o novo técnico, o belga Mohamed Ouahbi, assumiu em março e teve muito pouco tempo para incutir seus valores. Já seu antecessor havia sido contratado alguns meses antes da Copa do Mundo de 2022.
Quem são os destaques da seleção?
A estrela do Paris Saint-Germain, Achraf Hakimi, é o jogador mais importante da seleção marroquina. O lateral-direito de forte vocação ofensiva e capitão da equipe é o atual melhor jogador africano do ano e um dos apenas três atletas deste elenco a marcar mais de 10 gols pela seleção principal.
Brahim Díaz é outro desses jogadores que já alcançaram dois dígitos em gols pela seleção marroquina e, assim como Hakimi, nasceu na Espanha. O atacante do Real Madrid terminou como artilheiro da Copa Africana de Nações deste ano, com cinco gols, mas desperdiçou um pênalti decisivo na final contra o Senegal.
Já Ismael Saibari tem atuado como um falso nove nos amistosos preparatórios do Marrocos e marcou dois gols nessa função na vitória por 4 a 0 sobre Madagascar.
O meio-campista ofensivo do PSV balançou as redes 19 vezes em todas as competições na última temporada.
Como o Marrocos se saiu em torneios anteriores?
O Marrocos não teve vida tão fácil desde a histórica campanha na Copa do Mundo do Catar.
Em 2022, a seleção liderou um grupo que contava com Bélgica e Croácia antes de eliminar Espanha e Portugal, tornando-se a primeira equipe africana a chegar às semifinais de uma Copa do Mundo.
Na sequência, veio uma série recorde de 19 vitórias consecutivas. Depois, no início deste ano, o país sediou a Copa Africana de Nações.
O sucesso parecia quase inevitável para essa equipe pioneira, que chegou à final sem grandes dificuldades.
Mas o Marrocos tropeçou no último obstáculo ao perder para o Senegal em uma partida marcada por controvérsias.
Dois meses depois, porém, o título foi atribuído ao Marrocos. O Senegal recorreu da decisão, e o caso agora está sob análise da Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês).
O imbróglio ocorreu após um pênalti assinalado para o Marrocos aos 97 minutos, fazendo com que Senegal deixasse o gramado em protesto. Por conta dessa saída, o título foi retirado de Senegal e entregue a Marrocos.
O técnico Walid Regragui deixou o cargo após o torneio e foi substituído por Mohamed Ouabhi.
Independentemente da questão envolvendo a Copa Africana de Nações, o Marrocos segue avançando rumo à elite do futebol mundial. Isso fica evidente no fato de que o país será um dos anfitriões da Copa do Mundo de 2030 — a primeira vez que o principal evento do futebol mundial será realizado no norte da África.
"O Marrocos alcançou um novo patamar", afirmou Mohamed Ouabhi. "Sabemos disso há anos."
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