Oriente Médio

Irã decreta funeral de Khamenei em tom de desafio aos Estados Unidos

Irã anuncia oficialmente o início das cerimônias fúnebres para o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime islâmico morto no início da guerra, para 4 de julho, o dia em que os Estados Unidos comemoram 250 anos de independência

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discute a paz com o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, em Islamabad -  (crédito: Pakistan's Inter-Services Public Relations/AFP)
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discute a paz com o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, em Islamabad - (crédito: Pakistan's Inter-Services Public Relations/AFP)

O Irã oficializou, neta terça-feira (23/6), três dias de feriado nacional para as cerimônias fúnebres em memória do aiatolá Ali Khamenei, que foi o líder supremo do país por 37 anos, até ser morto na primeira onda de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o país, em 28 de fevereiro. Com a guerra a caminho do fim, e as negociações de paz em andamento com Washington, o regime islâmico escolheu como data para iniciar as cerimônias o 4 de julho, que marca 250 anos da independência dos EUA.

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O professor Roberto Goulart Menezes, titular do Instituto de Relações Internacionais (Irel) da UnB, vê na cerimônia dois significados principais. "Primeiro, um recado direto aos EUA, pela data escolhida", destacou, em entrevista ao Correio. "Segundo, o corpo está aguardando para ser velado e sepultado no momento em que está se encerrando a guerra, portanto o funeral vai ter um significado ainda mais forte."

A prefeitura de Teerã espera a presença de até 20 milhões de pessoas, uma multidão proporcional à que se despediu, em 1989, do aiatolá Ruhollah Khomeini, que comandou a revolução de 1979 e foi o primeiro líder da República Islâmica. Khamenei será sepultado em 9 de julho em sua cidade natal, Mashadd. Dois dias antes, um feriado será observado em Qom, cidade sagrada que concentra as escolas religiosas do islã xiita. No dia 8, estão previstas solenidades no vizinho Iraque, que abriga importantes santuários venerados pelos xiitas, que formam a maioria da população.

O anúncio formal das cerimônias para o líder morto — sem confirmação da presença de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei — coincidiu com novos desencontros de informações sobre o andamento das negociações de paz entre EUA e Irã. O presidente Donald Trump afirmou que o Irã teria aceitado "plena e completamente" o retorno ao país de inspetores nucleares da ONU, "do mais alto nível", por "um período de tempo infinito". Teerã, no entanto, desmentiu a versão e alegou "razões de segurança" para impedir o acesso de estrangeiros às centrais bombardeadas por forças norte-americanas e israelenses, no ano passado e, novamente, neste ano.

As divergências se estenderam a outra questão crucial em discussão entre delegações dos dois países, na Suíça: a navegação pelo Estreito de Ormuz, via marítima obrigatória para 20% do petróleo negociado nos mercados internacionais. Em sua publicação, Trump invocou o alegado consentimento para inspeções nucleares para afirmar que os EUA deixaram de bloquear os portos iranianos. "Com base nisso e em outras concessões importantes que o Irã está fazendo, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, sem qualquer outro bloqueio naval", escreveu.

"Foi só a primeira rodada, mas de terem os dois se sentado e negociado diretamente, já é um avanço muito grande", analisa o professor de relações internacionais Gunther Rudzit, da ESPM. "Mas não dá para confiar no que cada lado está dizendo, antes do resultado final." Paralelamente aos contatos diretos na Suíça, os dois países seguem trocando impressões com os mediadores. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se ontem no Paquistão com o chefe do Exército, o marechal Asim Munir. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, desembarcou nos Emirados Árabes Unidos para visitar as monarquias aliadas do Golfo Pérsico.

 

Reprovado no Congresso

O Senado dos EUA aprovou ontem uma resolução que determina a retirada das forças envolvidas na guerra com o Irã, em decisão que marca uma derrota simbólica para o presidente Donald Trump. O texto, que vinha da Câmara dos Deputados, teve 50 votos favoráveis e 48 contrários. Classificada como uma "resolução concorrente", ela não será enviada à Casa Branca, para sanção presidencial, nem terá força de lei. Durante os debates no Congresso, Trump tinha se referido à proposta como "antipatriótica" e criticado a oposição democrata, que articulou o avanço da medida. "Eles (os democratas) preferem ver nosso país fracassar a me conceder uma nova vitória, entre tantas outras", afirmou.

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postado em 24/06/2026 03:50 / atualizado em 24/06/2026 05:34
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