Copa do Mundo

Adversário do Brasil na Copa, Haiti nasceu de uma grande revolução

Em entrevista ao Correio, historiador explica a importância da revolução haitiana

Integrante do grupo do Brasil na Copa, o Haiti tem uma história que vai muito além do futebol. Atualmente marcado por crises políticas, econômicas e de segurança, o país foi palco de uma das revoluções mais importantes da história. 

O historiador da Universidade Federal do Ceará, Pierre Granjeiro, detalha o contexto da independência do país caribenho. Antes da revolução, a região onde hoje é o Haiti era conhecida como São Domingos e considerada a colônia mais importante em questão de lucro para a França na época.

“No período da ocupação francesa, essa colônia produzia 60% de todo o café do mundo e 40% do açúcar consumido pela França no período", afirma o historiador.

No entanto, essa riqueza dependia do trabalho de centenas de milhares de africanos escravizados, que, segundo Granjeiro, representavam cerca de 93% da população de São Domingos. “Um número recorde”, acrescenta.

Ele conta que as grandes motivações para o início da revolução, em 1791, foram a enorme quantidade de escravizados, a opressão que essa população era submetida pelos colonizadores e a inspiração nos ideais de liberdade e fraternidade que sacudiram o mundo com a eclosão da Revolução Francesa, em 1789. “Esse movimento inspirou milhares de outros, gerando a Grande Independência do Haiti”.

Considerada uma das revoltas mais radicais da história, a revolução haitiana foi a primeira rebelião de escravizados a derrotar uma potência colonial e conquistar a independência, tornando-se o primeiro país das Américas a abolir a escravidão. Para Granjeiro, esse feito explica a importância dessa revolução para o mundo.

Depois do conflito, o Haiti sofreu isolamento internacional, sendo impedido de exportar açúcar e café, seus principais produtos. “Os países imperialistas até hoje não aceitaram que um país se tornasse independente com uma rebelião de escravos onde o povo pobre ditou os destinos da nação sem participação da elite e de setores da classe média”, afirma Pierre. Segundo o historiador, “o isolamento internacional fez com que grandes dificuldades passassem a existir no país, e isso se reflete até os dias de hoje”.

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