As equipes de emergência na Venezuela transformaram o cenário de devastação provocado pelos terremotos da última quarta-feira (24/6) em momentos de grande comemoração. A vibração e o otimismo dos socorristas durante a retirada de sobreviventes dos escombros se tornou símbolo das operações de salvamento no país.
Para evitar o pânico e assegurar que as pessoas sob as estruturas colapsadas permanecessem conscientes, os socorristas utilizaram a própria energia coletiva para interagir de forma contínua com os sobreviventes, estabelecendo um canal de comunicação focado no alívio psicológico.
As equipes cantaram uma versão de "El Burrito Sabanero", uma das composições natalinas mais tradicionais da Venezuela. Historicamente associada a sentimentos de inocência e otimismo, a canção teve seus versos adaptados pelas forças de resgate como um recurso auxílio emocional em meio ao desastre.
Desaparecidos
Dois dias depois dos maiores terremotos a atingirem a Venezuela em um século, os gritos de socorro ainda ecoavam, na sexta-feira (26/6), sob as pilhas de escombros no estado de La Guaira, a 40km de Caracas. A catástrofe ganhou proporções históricas: Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), estima em 50 mil o número de desaparecidos. "Trata-se de uma operação de resgate extremamente complexa", admitiu. Uma plataforma criada na internet para concentrar informações sobre os abalos de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter que sacudiram o país às 18h04 pelo horário local de quarta-feira (19h04 em Brasília) contabilizava 52 mil desaparecidos.
Socorristas de vários países, acompanhados de cães farejadores e equipamentos, começaram a chegar a Caracas. O Brasil enviou um avião KC-390 com 12t de equipamento, bombeiros, equipes da Defesa Civil e técnicos em telecomunicações. As autoridades decidiram militarizar La Guaira, onde centenas de prédios foram reduzidos a pó. As entradas e saídas da região, afetada por saques, passaram a ser controladas pelas forças de segurança.
