Tragédia na Venezuela

'Cada minuto conta', diz ao Correio chefe de ajuda humanitária da ONU

Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas, elogia socorristas locais e destaca a participação internacional nos esforços de ajuda às vítimas do duplo terremoto de 24 de junho

Em entrevista ao Correio, Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), considerou o desafio das equipes de resgate na Venezuela como "brutalmente simples". Ele afirmou que os socorristas precisam manter o número de mortos o mais baixo possível, "dentro do que é humanamente viável". "Cada minuto conta", assegurou, ao classificar a mobilização internacional de salvamento como "extraordinária". 

Quais os principais desafios enfrentados pela comunidade internacional nos esforços humanitários e de resgate na Venezuela?

O primeiro desafio é brutalmente simples: encontrar e resgatar o maior número de sobreviventes que pudermos, o mais rápido que pudermos. Esta é uma zona de terremoto grande e complexa. Há danos imensos a estradas, aeroportos e edifícios. Socorristas locais corajosos estão na linha de frente, mas logo atrás deles está uma mobilização internacional extraordinária: 52 equipes, incluindo 44 times de busca e resgate de vários países, mais de 2.200 socorristas e 140 cães. A coordenação é imperativa para termos as equipes certas, com o equipamento certo, nos lugares certos. Ao mesmo tempo, precisamos pensar sobre a próxima fase: fornecer comida, água, medicamentos, abrigo e apoio psicossocial a uma população em choque. 

O senhor estimou em 50 mil os desaparecidos. Acredita que esse número ainda é credível? 

O número continua sendo aterrorizantemente verossímil. Isso não significa que todas as pessoas estejam sob os escombros, mas revela a dimensão do medo e da angústia que as famílias enfrentam neste momento. Temos 1.430 mortos e mais de 3.360 feridos. Esses números mudarão, e nossa tarefa é manter o total de mortos o mais baixo possível, dentro do que é humanamente viável. Cada minuto conta. As equipes de busca e de resgate conseguem ouvir vozes sob os escombros. Precisamos manter o foco absoluto em salvar vidas e dar resposta às famílias. 

De que modo a ONU coordena ajuda aos desabrigados?

Estamos trabalhando em estreita coordenação com as autoridades nacionais, por meio do nosso Coordenador Residente e Humanitário da ONU e da equipe no país. Dezoito especialistas em emergências — incluindo profissionais da minha agência, o OCHA — foram mobilizados para apoiar a coordenação humanitária em campo, bem como a gestão de informações, a logística, as comunicações e a coordenação de busca e salvamento. Nossos parceiros de ONGs e do setor privado estão atuando conosco, ampliando rapidamente suas operações para oferecer apoio direto onde a necessidade é mais urgente: abrigo, água, alimentos, medicamentos e proteção. 

 

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