Em entrevista ao Correio, Tom Fletcher, chefe de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), considerou o desafio das equipes de resgate na Venezuela como "brutalmente simples". Ele afirmou que os socorristas precisam manter o número de mortos o mais baixo possível, "dentro do que é humanamente viável". "Cada minuto conta", assegurou, ao classificar a mobilização internacional de salvamento como "extraordinária".
Quais os principais desafios enfrentados pela comunidade internacional nos esforços humanitários e de resgate na Venezuela?
O primeiro desafio é brutalmente simples: encontrar e resgatar o maior número de sobreviventes que pudermos, o mais rápido que pudermos. Esta é uma zona de terremoto grande e complexa. Há danos imensos a estradas, aeroportos e edifícios. Socorristas locais corajosos estão na linha de frente, mas logo atrás deles está uma mobilização internacional extraordinária: 52 equipes, incluindo 44 times de busca e resgate de vários países, mais de 2.200 socorristas e 140 cães. A coordenação é imperativa para termos as equipes certas, com o equipamento certo, nos lugares certos. Ao mesmo tempo, precisamos pensar sobre a próxima fase: fornecer comida, água, medicamentos, abrigo e apoio psicossocial a uma população em choque.
O senhor estimou em 50 mil os desaparecidos. Acredita que esse número ainda é credível?
O número continua sendo aterrorizantemente verossímil. Isso não significa que todas as pessoas estejam sob os escombros, mas revela a dimensão do medo e da angústia que as famílias enfrentam neste momento. Temos 1.430 mortos e mais de 3.360 feridos. Esses números mudarão, e nossa tarefa é manter o total de mortos o mais baixo possível, dentro do que é humanamente viável. Cada minuto conta. As equipes de busca e de resgate conseguem ouvir vozes sob os escombros. Precisamos manter o foco absoluto em salvar vidas e dar resposta às famílias.
De que modo a ONU coordena ajuda aos desabrigados?
Estamos trabalhando em estreita coordenação com as autoridades nacionais, por meio do nosso Coordenador Residente e Humanitário da ONU e da equipe no país. Dezoito especialistas em emergências — incluindo profissionais da minha agência, o OCHA — foram mobilizados para apoiar a coordenação humanitária em campo, bem como a gestão de informações, a logística, as comunicações e a coordenação de busca e salvamento. Nossos parceiros de ONGs e do setor privado estão atuando conosco, ampliando rapidamente suas operações para oferecer apoio direto onde a necessidade é mais urgente: abrigo, água, alimentos, medicamentos e proteção.
