VENEZUELA

O resgate emocionante de sobrevivente de terremoto retirado de escombros após oito dias na Venezuela

Hernán Gil ficou preso quando um edifício de estacionamento de vários andares desabou. Ele orientou os socorristas e brincava com eles durante os trabalhos de resgate

Equipes de resgate de sete países ajudaram a retirar Hernán Gil dos escombros -  (crédito: MIGUEL GUTIERREZ/EPA/Shutterstock)
Equipes de resgate de sete países ajudaram a retirar Hernán Gil dos escombros - (crédito: MIGUEL GUTIERREZ/EPA/Shutterstock)

Um homem foi resgatado vivo após ficar preso por oito dias nos escombros de um edifício que desabou após os dois terremotos ocorridos na Venezuela, no último dia 24 de junho.

Os socorristas conseguiram regatar Hernán Gil mais de 100 horas após ter sido localizado, sob 140 toneladas de escombros.

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"Tenho 22 anos de experiência e este resgate é o mais complexo e tecnicamente difícil que já enfrentei", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o oficial de ligação dos bombeiros chilenos, Ezequiel Gallardo.

Quase 2,3 mil pessoas já tiveram sua morte confirmada nos terremotos. Ainda há dezenas de milhares de desaparecidos.

Centenas de socorristas trabalharam contra o relógio para libertar Gil, desde que ele foi encontrado, no sábado (27/6). Equipes da Venezuela, Chile, Costa Rica, El Salvador, México, Portugal e dos Estados Unidos ajudaram na operação.

O chefe de resposta a emergências da Cruz Vermelha da Costa Rica, Wagner Leiva, recorda o momento em que Gil foi encontrado, três dias após o terremoto.

"Estávamos retirando e cortando algumas lajes quando nos avisaram que parecia haver alguém com vida... Nós descemos até o porão e um dos nossos colegas, ao chamar e parar para ouvir, detectou que realmente alguém estava respondendo."

Leiva declarou à agência de notícias Reuters que, devido à natureza precária dos trabalhos de resgate, eles precisaram avançar muito lentamente.

Parte dos dutos de acesso construídos pelos socorristas para chegar até ele desabou diversas vezes, comprovando os riscos enfrentados por eles e por Gil durante o processo.

Na noite passada, as equipes de resgate conseguiram finalmente estabelecer contato visual com Hernán Gil.

Na filmagem registrada por uma pequena câmera inserida nos escombros onde Gil estava preso, pode-se ouvir um bombeiro chileno pedindo a ele que voltasse sua cabeça em direção à câmera.

Um dos seus olhos estava ensanguentado e ele usava uma máscara facial, que os socorristas haviam passado por um pequeno orifício. O objetivo era protegê-lo da poeira e dos fragmentos gerados pelo trabalho de abertura do caminho até ele.

O bombeiro também pediu a Gil que usasse óculos de proteção para os seus olhos, enquanto a equipe de resgate continuava a cavar cuidadosamente nos escombros à sua volta.

Socorristas do México, El Salvador e Costa Rica, de pé, em frente à entrada para o local de um prédio de estacionamento de vários andares que desabou em Catia La Mar, na Venezuela. Eles usam capacetes e uniformes.
MIGUEL GUTIERREZ/EPA/Shutterstock
Equipes de resgate de sete países ajudaram a retirar Hernán Gil dos escombros

Ricardo Arias, da Cruz Vermelha da Costa Rica, contou ao jornalista local Joan Camargo que Gil estava em condições estáveis. Ele destacou que os socorristas conseguiram oferecer água para ele, além de soro por via intravenosa.

Arias declarou que Gil aparentemente escapou por milagre de ser esmagado quando o shopping center desabou.

"Ele nos contou que não tem nem uma unha quebrada", conta o socorrista. "Ele está bem."

Marco Antonio Franco, da Cruz Vermelha mexicana, descreveu Gil como "um homem bem disposto". Ele declarou ao portal mexicano Milenio que o sobrevivente "chegou a pedir bebidas hidratantes de sabores específicos de sua preferência".

"É claro que fizemos a vontade dele", contou Franco.

"Ele próprio nos orienta, dizendo onde continuar. Ele reconhece os membros da nossa equipe, dizendo 'que bom que você voltou e está comigo de novo'."

Franco afirma que os socorristas e Gil conversaram continuamente sobre a família dele e os desafios do trabalho de resgate.

Ambulância em frente ao shopping center Playa Grande em Catia La Mar, na Venezuela, com a entrada do estacionamento à direita, onde o prédio desabou
MIGUEL GUTIERREZ/EPA/Shutterstock
O shopping center ainda está parcialmente de pé, mas o estacionamento desabou

Gil estava trabalhando em uma pequena guarita de concreto no subsolo do estacionamento ao lado do shopping Galerías Playa Grande, em Catia La Mar, na hora do duplo terremoto.

Aparentemente, a guarita criou um escudo em torno dele e o protegeu das 140 toneladas de destroços que desabaram sobre ele e à sua volta.

Com informações de Nicole Kolster, colaboradora da BBC News Mundo em Catia La Mar (Venezuela).

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BBC
Vanessa Buschschlüter - Editora digital para a América Latina
postado em 02/07/2026 13:46 / atualizado em 02/07/2026 15:14
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