OBITUÁRIO

Zhu Rongji, arquiteto do boom econômico na China, morre aos 97 anos

Zhu é lembrado pela engenhosidade e tenacidade com que ajudou a viabilizar mudanças históricas

 Zhu ajudou a impulsionar o explosivo boom econômico da China -  (crédito: Divulgação/Xinhua)
Zhu ajudou a impulsionar o explosivo boom econômico da China - (crédito: Divulgação/Xinhua)

O ex-primeiro-ministro da China Zhu Rongji morreu, segundo a mídia estatal. Reformista impaciente e de língua afiada, Zhu ajudou a impulsionar o explosivo boom econômico do país ao impor mudanças profundas à indústria estatal nos anos 1990 e ao conduzir a China à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A agência oficial Xinhua informou que Zhu morreu em Pequim por volta das 11h desta quarta-feira (12/8) no horário local. Ele tinha 97 anos.

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Após ter sido enviado ao campo para trabalhos manuais por elogiar reformas em outros países comunistas, Zhu levou adiante uma série de mudanças quando ocupou o cargo de premiê - o principal posto econômico do país - de 1998 a 2003.

Zhu entrou em choque com conservadores do Partido Comunista e com chefes de estatais ao pressionar empresas do Estado a se tornarem mais eficientes e lucrativas. O processo custou milhões de demissões, mas ajudou a impulsionar a China, que em 2010 ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos.

Dando continuidade às reformas iniciadas por Deng Xiaoping em 1979, Zhu é lembrado pela engenhosidade e tenacidade com que ajudou a viabilizar mudanças históricas, como a entrada do país na OMC, decisiva para transformar a China no maior exportador do mundo.

Essas mudanças contribuíram para manter o crescimento econômico acima de 8% ao ano entre 2000 e 2010, com pico de 14,2% em 2007.

Nomeado premiê em 1998, aos 69 anos, Zhu se tornou popular ao criticar falhas e corrupção de autoridades e ao assumir a responsabilidade quando o governo não entregava o prometido. Seu estilo exigente lhe rendeu os apelidos de Boss e Zhu Fengzi, ou "Zhu Louco".

"Preparei 100 caixões aqui: 99 para autoridades corruptas e um para mim", disse Zhu em 1998, disse Zhu em 1998, segundo o People's Daily, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

Zhu era o número 3 na hierarquia do partido, atrás do presidente Jiang Zemin e de Li Peng, então presidente do Congresso Nacional do Povo. Ainda assim, era visto como um técnico, sem base própria de poder, e reclamava que isso permitia que alguns funcionários ignorassem suas ordens.

Ele se destacou como vice-premiê nos anos 1990 ao conter a inflação, impondo controles de preços e cortando crédito para estatais deficitárias, apesar da resistência de líderes locais - padrão que repetiria ao enfrentar conservadores sobre o ritmo das reformas.

Zhu liderou os esforços para assegurar a entrada na OMC após longas negociações iniciadas nos anos 1980. O status consolidaria o livre comércio como compromisso nacional e lhe daria um instrumento para pressionar autoridades locais a abandonar a proteção a empresas favorecidas.

A campanha quase descarrilou quando ele foi a Washington em 1999 com concessões de abertura de mercado para obter o apoio dos EUA à candidatura. O governo Clinton rejeitou a oferta por considerá-la insuficiente, enquanto adversários políticos internos o acusaram de ter cedido demais. Zhu resistiu, e a China entrou na organização em dezembro de 2001.

Em 1998, ele também deu início ao boom de moradia própria ao propor a venda de apartamentos pertencentes a empresas estatais. Famílias correram para comprar e, em uma década, a maioria das moradias urbanas passou a ser privada.

Ainda assim, Zhu era menos um defensor da livre iniciativa do que um burocrata habilidoso que executava diretrizes do partido para colocar a indústria estatal em ordem. Ele não demonstrava interesse em privatizar a economia e teve papel central nos anos 1990 na elaboração de planos para transformar bancos, companhias aéreas, petroleiras e outras estatais em empresas orientadas ao lucro, mantendo, porém, a propriedade estatal.

Nascido em 23 de outubro de 1928 na província de Hunan, terra natal de Mao Zedong, Zhu pagou cedo o preço por sua disposição de assumir riscos e falar abertamente.

Após iniciar a carreira como planejador econômico, ficou 22 anos no ostracismo ao ser rotulado de "direitista" em 1957, por elogiar reformas na Hungria e na Iugoslávia. Durante a Revolução Cultural (1966-76), foi enviado ao campo para trabalho manual.

Reabilitado em 1979, ascendeu rapidamente, tornando-se vice-secretário do partido em Xangai em 1987 e prefeito no ano seguinte.

Como prefeito em 1989, ganhou reputação de moderação ao apaziguar manifestantes e prometer não acionar os militares.

Seu chefe, Jiang, logo seria chamado a Pequim por Deng e nomeado líder do partido. Zhu foi indicado vice-premiê em 1991 e passou a integrar o Comitê Permanente, órgão dirigente do partido, em 1993.

Zhu raramente apareceu em público após deixar o cargo de premiê. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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postado em 12/08/2026 09:45 / atualizado em 12/08/2026 09:45
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