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Equipes de resgate buscam sobreviventes após terremoto na Colômbia deixar 181 mortos e mais de 2.500 feridos

Abalo foi sentido em praticamente todo o país e em partes do Panamá e do Equador, incluindo a região de Quito. No Brasil, moradores de Manaus relataram nas redes que também sentiram os tremores.

Mais de 30 prédios desabaram em Cali, terceira maior cidade colombiana -  (crédito: Ernesto Gusman Jr./EPA/Shutterstock)
Mais de 30 prédios desabaram em Cali, terceira maior cidade colombiana - (crédito: Ernesto Gusman Jr./EPA/Shutterstock)

Mais de 36 horas após o desastre, equipes de resgate e voluntários continuam trabalhando nas buscas por sobreviventes após um forte terremoto atingir a Colômbia.

Eles estão correndo contra o tempo, já que as chances de encontrar sobreviventes diminuem com o passar das horas. Sob a luz de holofotes e lanternas, os socorristas trabalharam durante toda a madrugada.

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Ao menos 181 pessoas morreram e 2.595 ficaram feridas após o abalo sísmico, que ocorreu na segunda-feira (10/8), ter sido classificado como o "mais forte da última década" pelo Serviço Geológico do país.

Segundo um balanço dos danos materiais, 1.136 casas foram destruídas, 8.357 danificadas e 48 edifícios desabaram.

O tremor, que teve magnitude 7,4 segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), foi sentido em praticamente todo o país e em partes do Panamá e do Equador, incluindo a província de Pichincha, onde fica a capital, Quito.

No Brasil, moradores de Manaus, no Amazonas, relataram nas redes que também sentiram os tremores.

O abalo foi registrado pela manhã de segunda-feira, por volta das 7h34 no horário local (às 9h34 no horário de Brasília). Dois tremores secundários, de magnitude 2,8 e 4,8, ocorreram após o evento principal.

É provável que o registro de mortos aumente, já que há muitas pessoas presas sob prédios desabados. Oficialmente, o registro é de 195 pessoas ainda desaparecidas.

Pessoas caminham em cima de destroços de prédio que desmoronou em Cali
Ernesto Gusman Jr./EPA/Shutterstock
Mais de 30 prédios desabaram em Cali, terceira maior cidade colombiana

Segundo o Serviço Geológico Colombiano, a profundidade do tremor foi de 103 km, considerada intermediária. O terremoto que destruiu partes da Venezuela e deixou mais de 6,3 mil mortos em junho aconteceu a apenas 10 km de profundidade.

O órgão informou que um tremor de magnitude 3,8 foi registrado nesta terça-feira às 10h43, horário local, a 14 quilômetros de San José del Palmar, no departamento de Chocó — que foi o epicentro do terremoto desta segunda.

O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse na sexta-feira, declarou estado de calamidade pública na Colômbia, o que concede a ele poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente as agências para lidar com a crise.

"Estou indo para Bogotá para me concentrar na atenção à emergência que nosso país enfrenta", escreveu em suas redes sociais. "Convoquei um Posto de Comando Unificado na UNGRD (Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres), de onde vou liderar pessoalmente os esforços para auxiliar as comunidades de Chocó, a Região Cafeeira e todas as áreas afetadas."

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que doará US$ 15,5 milhões para ajudar a Colômbia e fornecer abrigo e alimentos às vítimas do desastre, além de ajudar a avaliar os danos causados.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também anunciou que doará US$ 700 mil para ajudar no enfrentamento da emergência. Esse valor se soma à doação humanitária de US$ 500 mil já anunciada pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).

O epicentro foi próximo a um município montanhoso localizado na Cordilheira Ocidental: San José del Palmar.

Mas o prefeito da cidade, León Fabio Marín Moncada, afirmou que, milagrosamente, não houve mortes nem feridos por ali, apesar das estradas de acesso terem sido afetadas.

A cidade possui população de aproximadamente 5.907 habitantes, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas.

A Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) do governo colombiano confirmou que as províncias mais afetadas foram Chocó, Valle del Cauca, Risaralda e Caldas, incluindo as cidades de Quibdó, Cali, Pereira e Manizales — suas respectivas capitais.

Chocó, departamento onde foi registrado o epicentro, é um dos mais pobres do país, enquanto Cali e o Eixo Cafeeiro são regiões relativamente ricas e desenvolvidas.

Na Grande Pesquisa Integrada de Domicílios do DANE, que mede a pobreza em 23 cidades, Quibdó (capital de Chocó) é, de longe, a cidade que apresenta os maiores índices de pobreza monetária e pobreza extrema.

Segundo dados de 2025, 62 em cada 100 pessoas em Quibdó vivem abaixo da linha da pobreza. Dessas, 33 em cada 100 vivem em situação de pobreza extrema.

Já o maior número de vítimas está concentrado em Risaralda, na região cafeeira da Colômbia. Pereira, a capital do departamento, sofreu graves danos e as equipes de resgate continuam buscando sobreviventes.

Vídeos verificados pela BBC mostram pelo menos um prédio desabando na Plaza Bolívar, a principal praça de Pereira. É possível ver a poeira e os escombros espalhados por uma área aberta, onde estavam muitas pessoas.

Esta imagem aérea mostra a devastação após o desabamento de edifícios em Cali
Raquel Cunha via Reuters
Cali é a terceira cidade mais populosa do país, com mais de 2,2 milhões de habitantes, e é uma das mais afetadas pela tragédia

Cali, que há apenas três dias recebeu líderes mundiais para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella, agora registra um sistema hospitalar em colapso.

"Quatro grandes instituições de saúde, com alta capacidade, tiveram que evacuar todos os seus pacientes", afirmou a Secretaria de Saúde de Cali.

"É provável que nenhuma delas consiga reabrir nas próximas horas."

Outras unidades de saúde estão sendo avaliadas para determinar se podem continuar funcionando.

Segundo informações divulgadas nas redes sociais, diversos edifícios nas regiões de Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca, Manizales, Medellín, entre outros, foram evacuados como medida de precaução.

Mapa mostra epicentro do terremoto da colômbia
BBC

Em Manizales, uma das torres da catedral da cidade, construída entre 1928 e 1939 e considerada um dos ícones arquitetônicos da região, desabou.

De acordo com a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres, não há ameaça de tsunami no Pacífico após este terremoto.

Igreja com torre caída
Jonh Bonilla / AFP via Getty Images
Torre da Catedral de Manizales tombou com o terremoto

Na noite desta terça-feira, a Autoridade de Aeronáutica Civil divulgou um novo relatório sobre a situação dos aeroportos na área afetada pelos terremotos.

Os aeroportos de Cali, Quibdó, Armenia, Buenaventura e Manizales retomaram suas operações comerciais.

Em Manizales, no entanto, estão em andamento reparos na torre de controle.

O aeroporto de Pereira permanece fechado para voos comerciais após a identificação de fissuras na pista, informou o órgão.

A infraestrutura da sua torre de controle e de seus sistemas de comunicação também estão sendo avaliados.

Os voos comerciais no Aeroporto de Cartago também permanecem suspensos enquanto são avaliados possíveis danos estruturais.

Pessoas em cima de destroços em Cali
Joaquin SARMIENTO / AFP via Getty Images

Ajuda internacional

Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a se pronunciarem em solidariedade à Colômbia. Em uma mensagem em sua conta no Twitter, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que "o governo Trump está acompanhando de perto o grande terremoto que atingiu a Colômbia".

Rubio acrescentou que o país "está preparado para apoiar o povo colombiano e o governo do presidente Abelardo de la Espriella".

Horas depois da publicação de Rubio, o governo americano anunciou verba de US$ 15,5 milhões para ajudar a Colômbia.

Também pelas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou "solidariedade".

"O Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário", escreveu.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum também expressou sua solidariedade e ofereceu "todo o apoio que o povo da Colômbia precisar".

"Estamos acompanhando de perto a situação, tanto por meio de nossa embaixada naquele país quanto por meio de nosso embaixador aqui."

A Venezuela também ofereceu ajuda humanitária e o Equador colocou à disposição resgatistas.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ofereceu pessoal e equipamentos para os esforços de resgate após o terremoto.

"A Colômbia tem equipes de emergência e resgate nas áreas afetadas e confiamos em sua capacidade de responder a essa emergência", afirmou em um comunicado à imprensa compartilhado por sua assessoria de imprensa nas redes sociais.

Ele acrescentou: "De El Salvador, estamos em contato e prontos para fornecer apoio imediato com nossas equipes de resgate, médicos, paramédicos, suprimentos ou qualquer outra assistência que nossos irmãos e irmãs colombianos considerem necessária".

Após os terremotos de junho, El Salvador enviou uma missão à Venezuela composta por 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos e suprimentos.

Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se solidarizaram com a Colômbia e ofereceram apoio.

Conexão 'muito indireta' com os terremotos na Venezuela

A localização da Colômbia na interseção de várias placas tectônicas a torna propensa a forte atividade sísmica e, portanto, a terremotos de alta intensidade.

Os terremotos são geralmente mais fortes ao longo das zonas de subducção (região do planeta onde duas placas tectônicas se chocam e uma placa mais densa mergulha por baixo da outra, afundando em direção ao manto terrestre), localizadas perto da costa.

Desde 1950, mais de 3.500 pessoas morreram como resultado direto de terremotos na Colômbia. O mais mortal ocorreu em 1999, quando um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a Região Cafeeira, deixando 1.185 mortos.

Mais recentemente, no ano passado, um terremoto de magnitude 6,3 atingiu Cundinamarca. Não houve vítimas fatais.

O presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de Santis, disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a ligação entre o terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira e os ocorridos na Venezuela em 24 de junho "é muito indireta".

"Na Venezuela e na Colômbia, compartilhamos a Placa Sul-Americana e a Placa Caribenha. Mas o que aconteceu na Colômbia foi que a Placa de Nazca ficou abaixo da Placa Sul-Americana", explicou.

"A ligação entre os dois terremotos é muito indireta", disse. "Não se pode afirmar que toda vez que houver um terremoto na Venezuela, haverá outro lá em seguida. Mas é todo um sistema de placas interconectadas."

Ele explica que "é como a casca de uma tangerina que se rompe em vários lugares, e todas as partes estão interligadas. Talvez haja mais conexão do que pensamos, mas não podemos afirmar com certeza."

O terremoto ocorrido na Venezuela deixou ao menos 6 mil mortos e 50 mil desaparecidos.

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BBC
Da BBC News Mundo
postado em 12/08/2026 10:53
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